domingo, 17 de junho de 2012

Como nasce uma tradição

Havia uma vez uma cidade formada por duas ruas paralelas. Um dervixe passou de uma rua para a outra, e assim que alcançou-a, as pessoas notaram que havia lágrimas nos olhos dele.

- Morreu alguém na outra rua! - gritou um homem e logo as crianças da vizinhança fizeram coro a essa exclamação.

Mas o que acontecera fora algo muito diferente. O dervixe (monge maometano) estivera descascando cebolas. Em poucos segundos o eco do grito já alcançara a primeira das duas ruas. E os adultos de ambas se preocuparam e ficaram tão assustados que não se animaram a investigar devidamente as causas daquela agitação.

Um homem sensato e sábio tentou chamar à razão as pessoas das duas ruas, indagando-lhes por que não se comunicavam para apurar o acontecido. Muito confusos para apreender o sentido daquelas palavras, alguns disseram:

- Pelo que entendemos há uma epidemia muito séria na outra rua.

Esse boato também se propagou como um incêndio incontrolável, levando a população daquela rua a pensar que a outra estava destinada a morrer. Quando foi possível restabelecer certa ordem, ambas as comunidades só pensaram numa saída: emigrarem para salvar-se.

E foi assim que, de repente, as duas ruas ficaram vazias de seus habitantes.

Ainda hoje, vários séculos passados, a cidade permanece deserta, e não muito distante dali há duas aldeias.

Cada uma possui sua própria tradição, sendo que ambas estabeleceram a partir de um povoado construído por pessoas fugidas de uma cidade condenada por um mal desconhecido, em tempos remotos.

fonte: conto Sufi
ilustração: freepik

6 comentários:

Sissym disse...

Boatos... terríveis. Ouve-se sem apurar! Eu demorei a fazer amizade com uma pessoa maravilhosa, justamente porque quem andava comigo não gostava dela e falava com desdem. Entupiu os meus ouvidos e deixei de pensar. Quando fiquei longe, andei com minhas pernas, pensei com minha cabeça e fiz a escolha certa.

BEIJOS

Felipe disse...

Sissym
Antes tarde do que nunca.
Nem sempre as pessoas fazem por maldade. Ouviram dizer e creram. Nem todos estão prontos para andar com as próprias pernas, pelo menos por enquanto.
Beijão molequinha

Cecilia sfalsin disse...

Um boato quando propagado traz grandes movimentos, e mudanças inesperadas, os que conseguem ir além buscam a verdade, os que não tem sabedoria se alimentam do que ouvem, crêem e se permitem alimentarem do que nem conhece...perdem se..

Beijos Felipe....:)

Felipe disse...

Ciça,
Se não passarmos uma notícia (boato) pelo crivo da razão estaremos prejudicando a pessoa atingida de maneira mais vil do que o que deu início ao boato.
Beijão

Valéria Braz disse...

Olá meu primo querido! Está melhor?
Anda afastadinha do dihitt porque estou com muito trabalho, mas hoje como a gripe me pegou e estou de repouso em casa, estarei perambulando por aqui....hehehehe
Primo, é assim que mentiras se transforma em verdades....
Talvez seja por isto que dificilmente eu aceito uma história sem ter verificado todas as possibilidades......
Beijo no coração

Felipe disse...

Prima. Estou melhor do labirinto, mas o causador da tontura é o computador.
Assim, tenho que entrar bem menos pois no escritório já o uso muito.
Para uma mentira virar "realidade" não custa muito, basta baixarmos o nosso padrão vibratório.
Melhoras da gripe meu anjo e um abraço no príncipe.

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