quarta-feira, 4 de abril de 2012

Lábios de mulher






Alguns me perguntaram
onde é que os rubis crescem?
Nada respondi, mas com meu dedo
Apontei para os lábios de Júlia.

(Robert Herrick)

Sua boca estreita é tão vermelha!
Seu rosto tem tanto frescor!
Ai! Quem não seria uma abelha
Diante de tão linda flor?

(Anônimo citado por Salentin)

Ela é tão meiga! Em seu olhar medroso
Vago como os crepúsculos do estio,
Treme a ternura, como sobre um rio
Treme a sombra de um bosque silencioso.

Quando, nas alvoradas da alegria,
A sua boca úmida floresce,
Naquele rosto angelical parece
Que é primavera, e que amanhece o dia.

Um rosto de anjo, límpido, radiante...
Mas, ai! sob êsse angélico semblante
Mora e se esconde uma alma de mulher

Que a rir-se esfolha os sonhos de que vivo
 Como atirando ao vento fugitivo
As folhas sem valor de um malmequer...

(Vicente de Carvalho – poema Dona Flor)

Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias


Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.


Meu Deus, eu quero a mulher que passa!


Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me concontrava se te perdias?


Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas a minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?


Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!


Que fica e passa, que pací­fica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.


(Vinicius de Moraes – poema A mulher que passa)


5 comentários:

marcela disse...

Td lindo!

Mary Miranda disse...

Adorei todos e cada gênero poético, meu Canceriano Favorito!

Essa questão do "quem passa" é sempre inspiradora!
Eu lembro uma vez, de farra, de ter escrito um poeminha assim (poeminha porque era bem curto e nem sei onde está...).
Não tinha a conotação romântica como as que estão transcritas, mas fiquei imaginando os segredos daquele que vai, que não nos vê, e nós, anônimos, ali de reserva, vendo o movimento do outro, como o próprio Deus, como se pudéssemos mudar o destino daquele ser que "construímos" na simples passagem em frente a nós...
Estamos acobertados pela "não-existência", só que nosso coração está ali e sente o outro.
Acho que "descarrilhei" um tanto do tema, mas é que esse último do Vinícius, foi o que mais me tocou!
Para os homens, creio que os lábios femininos transmitam um ar de mistério, desejo, etc.
É que dos lábios, vêm um dos maiores representantes do amor físico: o beijo!
Quantas juras já não foram feitas por causa do carinho dos lábios, através de um beijo entorpecedor? rs

Que post sensível, adorável!!!!

Beijos da presidenta, meu amigo!

Mary:)

Van disse...

Olá Felipe,

uma delicada ode à beleza e sensualidade femininas, este post. Lindo!

Abraços!

Sissym disse...

Felipe,

Eu desejo uma Feliz Pascoa e que os coelhinhos sejam generosos trazendo chocolates. Mais do que tudo que seja gostoso tatilmente, que traga um feliz telefonema inesperado de alguem que goste, o abraço de quem ama, enfim, compartilhar com amigos e familiares esta sagrada época do ano.

Beijos

António Jesus Batalha disse...

Filipe Muito bonito, poemas lindos, eu não sou muito apreciador de poesia muda, mas gostei mesmo.

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