segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Feliz 2012

Aos nossos amigos


Votos sinceros de um 2012 repleto de paz, amor e tranquilidade.
Que um dos versos dessa linda canção possa fazer parte de nosso dia a dia.



Toda vez que o amor disser: Vem comigo!
Vai sem medo de se arrepender
Você deve acreditar no que é lindo
Pode ir fundo, isso é que é viver.


Com Carinho!



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

25 de Dezembro é de fato o Dia de Natal?

A Bíblia não apresenta nenhuma referência relativa à data do nascimento de Jesus Cristo. Não é uma questão de esquecimento, e muito menos de ser tratado como um fato irrelevante. Pelo contrário! Na realidade os antigos calendários romanos eram muito pouco confiáveis, e Roma, através de Júlio César tinha recém apresentado em 45 AC, um novo modelo, que incluía o mês de Julho, em sua própria homenagem. Posteriormente o Imperador Augusto, que o sucedeu, incluiu Agosto, também com 31 dias, por se considerar igualmente importante. Por isso até hoje Fevereiro, órfão no inverno europeu, tem menos dias que os demais meses do ano. Os antigos calendários romanos tinham às vezes, semanas de quinze dias e meses de dez dias, de acordo com o humor do Imperador reinante.

Os antigos, não tinham o privilégio de saberem as datas de nascimento, casamento ou falecimento, pois estas simplesmente não estavam disponíveis para os menos abastados. Esses registros só são tratados de forma sistemática, pela Igreja Católica, a partir de 1640. Não existem registros históricos a respeito de ”Festas de Aniversário” na Antigüidade. Não é de se supor que existissem. Pelo menos nada contribui para que assim se pense.

Além disso, o tempo era tratado de forma cíclica e repetitiva, sob a perspectiva lunar voltada mais para a agricultura, e a pequena criação de animais domésticos. Sob esse aspecto, os solstícios da Primavera e do inverno, eram reverenciados com certo grau de importância. Os Celtas, descendentes provavelmente dos Hititas e que imigraram do Oriente Médio para o norte da Europa em duas levas, entre 7.000 e 5.000 AC, tratavam o Solstício do Inverno, em 25 de dezembro, como um momento extremamente importante em suas vidas. O ingresso no túnel longo e escuro do inverno, não dizia quem regressaria da viagem insólita. Longas noites de frio, por vezes com poucos gêneros alimentícios e rações, para si e para os animais com que conviviam num mesmo cômodo, para manter a temperatura mais amena. Ao grande banquete de despedida, no dia 25 de dezembro, seguiam-se 12 dias de festas terminando no dia 6 de Janeiro.

Esses rituais pagãos receberam, no decorrer dos tempos, outros nomes, em outras sociedades.

Em Roma, o Solstício do Inverno era celebrado, muitos séculos antes do nascimento de Cristo. Os Romanos o chamavam de Saturnálias (Férias de Inverno), em homenagem a Saturno, o Deus da Agricultura, que permitia o descanso da terra. Em 274, o Imperador (270-275) Aureliano (214-275), proclamou o dia 25 de dezembro, como “Dies Natalis Invicti Solis” (O Dia do Nascimento do Sol Inconquistável). O Sol reinando com seu calor no espaço, muito acima do frio inverno na Terra.

O Papa (337-352) Júlio I (280-352), decretou em 350, que o nascimento de Cristo, deveria ser comemorado no dia 25 de Dezembro, pois o calor do seu amor eterno, era mais importante do que qualquer outra forma de proteção.

No entanto o Calendário Juliano, elaborado sob a orientação do Cônsul Romano Júlio César, tinha o defeito de perder um dia a cada 128 anos, fazendo o “Ano Tropical” se deslocar cada vez mais para trás.

Posteriormente o Papa (1572-1585) Gregório XIII (1502-1585) através da Bula Papal, "Inter Gravissimus", assinada em 24 de fevereiro de 1582 apresentou um novo calendário, com um “Ano Tropical”, de 365,2524 dias (365 97/400), fazendo com que o erro de um dia fosse diluído por 3.300 anos. A proposta foi formulada por Aloysius Lilius, um físico napolitano, e aprovada no Concílio de Trento (1545/1563). O erro foi corrigido, fazendo com que ao dia 4 de outubro de 1582, sucedesse imediatamente o dia 15 de outubro do mesmo ano.

Onze dias de erros acumulados, desapareceram do mapa! Nesses período de tempo, ninguém nasceu, casou ou faleceu nas Penínsulas Itálica e Ibérica, incluindo ai as colônias portuguesas e espanholas nas Américas. Outros países o adotaram posteriormente. România em 1919 e Rússia em 1918, foram os últimos.

Mas o fato interessante desta correção, é que a distribuição do erro pelo decorrer do ano, fez com que o Solstício do Inverno, mudasse de data, passando a acontecer, dependendo do ano, entre o dia 21 e o dia 23 de dezembro. Esta era a razão fundamental para comemoração do Nascimento de Jesus, no dia 25 de Dezembro, a porta de entrada da estação do inverno no Hemisfério Norte.

O Natal continuou a ser comemorado no dia 25 de Dezembro!

Outros problemas persistem ainda sem solução. Inclusive o do ano em que vivemos atualmente. Quando Cristo nasceu, estávamos sob o Calendário Juliano, que só começou a ser seguido fielmente a partir do ano 8. Hoje em dia, sabemos que há pelo menos uma diferença de no mínimo 6 anos, em relação ao ano correto do nascimento de Cristo. Antigamente os anos eram contados a partir da fundação de Roma. Mas a data da fundação de Roma, não é corretamente conhecida. A mais comumente aceita, é 21 de Abril do terceiro ano, da 6a Olimpíada, que corresponderia a 753 AC, segundo os cálculos de Varro (116-27 AC). Na era Varroniana, 753 AC é conhecido como o ano 1 AUC, “Ab Urbe Condita” (desde a fundação da cidade).

Dionysius Exiguus, que viveu no 6º século DC, procurou estabelecer uma sucessão sequencial dos governantes romanos, para fixar o ano do nascimento de Cristo. Cometeu no entanto dois grandes erros conhecidos;

a. não computou que Caesar Augustus, sobrinho-neto de Julius Caesar, governou quatro anos sob o nome de “Otaviano”, como parte de um triunvirato.

b. considerou como ano anterior ao ano 1 DC, o ano 1AC. Com isto mais um ano, o “ano zero”, deixou de ser incluído na contagem.

Portanto o Natal não é comemorado no dia do Solstício do Inverno, como se pretendia, nem estamos no ano 2011! Consequentemente Cristo nasceu, segundo se sabe até agora, no ano 6 AC. Mas o que importa é o que nossos corações estão dispostos a oferecer de amor. Esta é a verdadeira lição que Ele nos legou.

fonte: portal do espírito
ilustração: terra.com.br

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A lenda das orquídeas

Em uma cidade chinesa, existia uma jovem famosa chamada Hoan Lan, que divertia-se, em fazer penar suas paixões aos seus numerosos adoradores.

Por um sorriso, o jovem Kien Fu, tinha cinzelado o ouro mais fino e trabalhado com infinita paciência as mais lindas peças de jade.

A ingrata, após se adornar com todos os presentes do nobre apaixonado, riu-se dele e o desprezou. Kien Fu, desesperado, acabou com a própria vida atirando-se ao Rio Vermelho.

O pintor Nguyen Ba conseguiu obter cores desconhecidas para pintar o retrato de sua amada. Esta, porém, depois de ter exibido para satisfação de sua vaidade a magnífica pintura, desprezou o artista que desapareceu para sempre no mistério das selvas...

Mai Da, apaixonado também, quis patentear seu amor à jovem volúvel, inventando um perfume delicioso somente digno dos anjos. A ingrata perfumou-se e mandou pôr na rua o seu adorador que, nada mais aspirando na vida, se envenenou...

Cung Le levou sua perseverança a incrustar nácar numa pulseira de ébano, que foi recebida pela ingrata. O pobre endoideceu...

Mas, o poderoso Deus das cinco flechas, Deus que a tudo via e tudo ordenava, julgou que era o momento de castigar tanta maldade, fazendo a jovem volúvel apaixonar-se pelo formoso Mun Cay.

Desde então, Hoan Lan sonhava no seu leito de nácar e sedas bordadas, com seu adorado, cujo nome, esvoaçava sobre seus lábios de carmim, como uma borboleta sobre a rosa.

Ao despertar, descia à piscina, banhava-se e adornava-se com suas jóias mais preciosas, para ver passar seu querido Mun Cay, que apenas se dignava a levantar os olhos para ela.

Nunca tinha considerado a formosa jovem, nem se interessado pela fama de beleza que tinha ardido à sua volta.

Os dias iam passando e Mun Cay não saía de sua indiferença cruel...

Um dia, Hoan Lan decidiu sair-lhe ao encontro e declarar-lhe paixão...

"Não me interessas rapariga!" - disse ele. "És como todas as outras. Para mim não vales nada! Se fosses como aquela que eu amo... Esta sim, é uma deusa! Tu, mísera Hoan Lan, com toda tua vaidade, não serves nem para atar-lhe as fitas das sandálias!". E, com um sorriso desdenhoso, afastou-se...

Em meio de seu desespero, Hoan Lan lembrou-se do deus todo poderoso que vivia na montanha de Tan Vien. Talvez ele pudesse lhe valer...

Apesar da noite escura e chuvosa, a jovem dirigiu-se ao monte sagrado, onde residia sua última esperança.

A entrada do templo subterrâneo, era guardada por um terrível dragão.

Suplicou-lhe a concessão de entrada e ao cabo de muitos pedidos conseguiu penetrar num extenso corredor, por entre serpentes horríveis que lhe babujavam os pés nus.

Quando chegou junto ao trono de ônix do poderoso gênio, prostrou-se e implorou:

"Cura-me, que sofro horrivelmente! Amo Mun Cay que me despreza!"

"É justo o castigo" - respondeu o deus - "pelo que tens feito aos teus apaixonados".

"Oh! Todo poderoso! Tem dó de mim! Concede o amor de meu querido Mun Cay! Sabes bem que não posso viver sem ele!"

"Vai-te daqui!" - rugiu o gênio - nada conseguirás! O castigo que pesa sobre ti, foi imposto pelo Kama que tudo sabe! É justo que sofras! Saia de meu templo!"

À saída, Hoan Lan encontrou-se com uma bruxa de pés de cabra!

"Formosa jovem" - disse-lhe a bruxa - "sei que és muito desgraçada. Queres vingar-se de Mun Cay? Vende-me a tua alma e juro-te que, embora Mun Cay não te ame, não amará à outra mulher!"

Hoan Lan voltou à sua casa que lhe parecia um cárcere.

Saía pelos bosques para distrair sua pena, mas sempre em vão. . .

Um dia, vendo ao longe seu adorado Mun Cay, correu para ele e quando se preparava para abraçá-lo, o jovem foi transformado numa árvore de ébano!

Neste momento apareceu a bruxa que, soltando uma gargalhada, lhe disse:

"Desta maneira, o teu amado não pode ser nunca de outra mulher!"

"Bruxa infame!" - exclamou chorando, a pobre Hoan Lan - "o que fizeste a meu adorado? Devolva-me ou mata-me!"

"Contratos são contratos!" - replicou a bruxa, rindo satanicamente.

"Cumpri o que prometi! Mun Cay, embora nunca te ame, não amará a outra mulher! Prometi e cumpri! A tua alma me pertence!"

Hoan Lan, abraçada ao pé da árvore, clamava desesperadamente a seu tronco imóvel...

"Perdoa-me Mun Cay! Tem para mim, uma só palavra de amor, de indulgência e compaixão! Não vês como me arrasto aos seus pés? Como te abraço? Como sofro?"

Mas a árvore nada respondia. . .

A jovem ali ficou por muito tempo. . .

Uma manhã, passou por ali um gênio, que se compadeceu de sua dor. Acercando-se dela, pôs-lhe um dedo na testa e disse:

"Mulher, procedeste muito mal! Foste volúvel até a crueldade e ingrata até a malvadez! Procedeste muito mal! Mas a tua dor purificou a tua alma!

Estás perdoada e vais deixar de sofrer. Antes que a bruxa venha buscar a tua alma, vou transformar-te numa flor. Ficarás sendo, no entanto, uma flor esquisita e requintada, que de a impressão do que foi a tua vida maldosa!

Quem vir as tuas pétalas, facilmente adivinhará o que foi o teu espírito, caprichoso, volúvel, cruel e a tua preocupação constante pela elegância...

Concedo-te um bem: não te separarás do bem que adoras e viverás da sua seiva, parasita do teu amado!"

Assim falou o poderoso gênio e enquanto falava, a túnica rósea de Hoan Lan ia empalidecendo e tornando-se de uma delicada cor lilás...

Os olhos da jovem brilharam como pontos de ouro e as suas carnes tomaram a tonalidade do nácar.

Os seus formosos braços enrolaram-se na árvore na derradeira súplica.

"E assim, apareceu a primeira orquídea no mundo..."


Desconheço o autor
ilustração: Orquidário Santa Bárbara

domingo, 11 de dezembro de 2011

Os doze pratos

Um príncipe chinês orgulhava-se de sua coleção de porcelana, de rara e antiga procedência, constituída por doze pratos assinalados por grande beleza artística e decorativa.

Certo dia, o seu zelador, em momento infeliz deixou que se quebrasse uma das peças.

Tomando conhecimento do desastre e possuído pela fúria,o príncipe condenou à morte o dedicado servidor, que fora vítima de uma circunstância fortuita.

A notícia tomou conta do Império, e, às vésperas da execução do desafortunado servidor, apresentou-se um sábio bastante idoso, que se comprometeu a devolver a ordem à coleção, se o servo fosse perdoado.

Emocionado, o príncipe reuniu sua corte e aceitou a oferenda do venerando ancião. Este solicitou que fossem colocados todos os pratos restantes sobre uma toalha de linho, bordada cuidadosamente, e os pedaços da preciosa porcelana fossem espalhados em volta do móvel.

Atendido na sua solicitação, o sábio acercou-se da mesa e, num gesto inesperado, puxou a toalha com as porcelanas preciosas, atirando-as bruscamente sobre o piso de mármore e arrebentando-as todas.

Ante o estupor que tomou conta do soberano e de sua corte, muito sereno, ele disse:

- Aí estão, senhor, todos iguais conforme prometi.

Agora podeis mandar matar-me.

Desde que essas porcelanas valem mais do que as vidas, e considerando- se que sou idoso e já vivi além do que deveria, sacrifico-me em benefício dos que irão morrer no futuro, quando cada uma dessas peças for quebrada.

Assim, com a minha existência, pretendo salvar doze vidas, já que elas, diante desses objetos nada valem.

Passado o choque, o príncipe, comovido, libertou o velho e o servo, compreendendo que nada há mais precioso do que a vida em si mesma.

Quantas vezes, deixamos o nervosismo do momento tomar lugar nas nossas vidas e duras palavras ferem a quem amamos!

Será que não estamos matando por um prato quebrado?...

autor desconhecido
fonte: metaforas.com.br
ilustração: freepik

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O bem mais precioso

Conta o folclore europeu que há muitos anos atrás um rapaz e uma moça apaixonados resolveram se casar.

Dinheiro eles quase não tinham, mas nenhum deles ligava para isso.

A confiança mútua era a esperança de um belo futuro, desde que tivessem um ao outro.

Assim, marcaram a data para se unir em corpo e alma.

Antes do casamento, porém, a moça fez um pedido ao noivo:

- Não posso nem imaginar que um dia possamos nos separar. Mas pode ser que com o tempo um se canse do outro, ou que você se aborreça e me mande de volta para meus pais.

- Quero que você me prometa que, se algum dia isso acontecer, me deixará levar comigo o bem mais precioso que eu tiver então.

O noivo riu, achando bobagem o que ela dizia, mas a moça não ficou satisfeita enquanto ele não fez a promessa por escrito e assinou.

Casaram-se.

Decididos a melhorar de vida ambos trabalharam muito e foram recompensados.

Cada novo sucesso os fazia mais determinados a sair da pobreza, e trabalhavam ainda mais.

E tempo passou e o casal prosperou. Conquistaram uma situação estável e cada vez mais confortável, e finalmente ficaram ricos.

Mudaram-se para uma ampla casa, fizeram novos amigos e se cercaram dos prazeres da riqueza.

Mas, dedicados em tempo integral aos negócios e aos compromissos sociais, pensavam mais nas coisas do que um no outro.

Discutiam sobre o que comprar, quanto gastar, como aumentar o patrimônio, mas estavam cada vez mais distanciados entre si.

Certo dia, enquanto preparavam uma festa para amigos importantes, discutiram sobre uma bobagem qualquer e começaram a levantar a voz, a gritar, e chegaram às inevitáveis acusações.

- Você não liga para mim! - gritou o marido - só pensa em você, em roupas e jóias.

- Pegue o que achar mais precioso, como prometi, e volte para a casa dos seus pais. Não há motivo para continuarmos juntos.

A mulher empalideceu e encarou-o com um olhar magoado, como se acabasse de descobrir uma coisa nunca suspeitada.

- Muito bem, disse ela baixinho. Quero mesmo ir embora. Mas vamos ficar juntos esta noite para receber os amigos que já foram convidados. Ele concordou.

A noite chegou. Começou a festa, com todo o luxo e a fartura que a riqueza permitia.

Alta madrugada o marido adormeceu, exausto. Ela então fez com que o levassem com cuidado para a casa dos pais dela e o pusessem na cama.

Quando ele acordou, na manhã seguinte, não entendeu o que tinha acontecido.

Não sabia onde estava e, quando sentou-se na cama para olhar em volta, a mulher aproximou-se e disse-lhe com carinho:

- Querido marido, você prometeu que se algum dia me mandasse embora eu poderia levar comigo o bem mais precioso que tivesse no momento.

- Pois bem, você é e sempre será o meu bem mais precioso. Quero você mais que tudo na vida, e nem a morte poderá nos separar.

Envolveram-se num abraço de ternura e voltaram para casa mais apaixonados do que nunca.

Desconheço o autor
ilustração: stock.xching

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A meditação e o gato

Num antigo mosteiro chinês, no alto de uma montanha no Nepal, era o centro de uma paz absoluta, e monges de toda a China procuravam aquele monastério tão tradicional e reservado.

Todos os dias sempre às quatro e meia da manhã, o mosteiro se reunia em silêncio para a primeira meditação matinal, este momento era sagrado para os monges, e o silêncio da madrugada deveria sempre ser respeitado, mas em uma manhã de verão esse silêncio sagrado foi quebrado por um gato, o animal procurando comida e abrigo resolveu morar na cozinha do templo, e neste dia ele começou sua busca por comida caçando os ratos que também se instalaram por ali, o bichano iniciou uma balburdia insuportável, derrubando panelas, vasilhas, miando e correndo atrás dos ratos da cozinha, isto não seria problema para os monges se o gato não tivesse escolhido justamente o horário da madrugada para realizar suas caçadas, atrapalhando a concentração dos momentos de meditação.

Sob a ótica de conduta dos monges, eles deveriam ser piedosos com o animal, e nunca enxotariam o gato do mosteiro ou lhe fariam algum mal, durante alguns dias eles tentaram aceitar o barulho e deixar o gato livre, mas a arruaça foi ficando insuportável, e o mestre abade do templo resolveu tomar uma providência, pedindo que os monges amarrassem e amordaçassem o gato durante os períodos de meditação e o soltassem logo após a prática matinal.

Este procedimento foi feito durante muito tempo, resolvendo o problema de barulho durante as meditações da madrugada, os anos se passaram, o mestre abade morreu, e mesmo assim continuavam a amarrar o gato diariamente durante os momentos de meditação matinal, mais alguns anos se passaram e o gato morreu, e os monges preocupados, resolveram encontrar outro gato para colocar no lugar do antigo, e o novo gato continuou sendo amarrado diariamente.

As décadas se passaram, e novas gerações de monges e mestres mantiveram o hábito diário de amarrar o gato, que acabou se tornando um importante ritual naquele famoso e respeitado templo, e a esta altura, ninguém mais sabia o porquê de amarrar o gato, mas justamente por isso, aquele ritual se tornou muito importante, sendo uma característica famosa daquele monastério. Monges veteranos cobiçavam a importante função de amarrador de gatos, manuais foram criados com as normas e procedimentos de todo o processo para amarrar o gato, ensinando como pegar o gato, que tipo de corda e mordaça utilizar, quantas voltas com a corda deveriam ser dadas, que tipo de nó poderia ser feito, enfim, uma verdadeira enciclopédia do ritual de como amarrar e amordaçar o gato.

O tempo passou, e vários grupos de estudiosos começaram a dedicar suas vidas a estudar os manuais e a origem do ritual sagrado de amarrar o gato. Estes grupos se dividiram, e começaram a divergir sobre várias questões, várias interpretações surgiram, e correntes de seguidores começaram a defender teorias diversas sobre o ritual sagrado, estas divergências geraram conflitos internos, e as origens e processos do ritual passaram a ser o ponto de discórdia entre os dois grupos formados.

Um dos pontos principais de divergência era que, um dos grupos acreditava que somente gatos brancos poderiam ser amarrados, pois o branco simbolizava a pureza da alma e a evolução espiritual, o outro já defendia que qualquer gato poderia ser amarrado e que isto não fazia diferença nenhuma e resolveu ir embora do famoso monastério para fundar uma nova ordem, que daria continuidade ao ritual da forma que achavam correta, sendo assim, estes dois grupos passaram a divergir constantemente e não mantiveram mais contato, pois o primeiro era acusado de ser radical e o segundo de ser extremamente liberal.

Após a separação, novas correntes começaram a se formar, e um terceiro grupo começou a se formar, divulgando uma teoria que unia as duas linhas divergentes, eliminando seus defeitos e absorvendo suas qualidades.

O antigo monastério da montanha em Kathmandu no Nepal foi aos poucos se dividindo, e hoje nenhuma das linhagens existe mais, e o ritual de amarrar o gato caiu no esquecimento.

Este conto é muito interessante para evidenciar o que acontece em muitas empresas e instituições, instituições religiosas, é muito comum ver pessoas que cumprem normas e procedimentos totalmente sem sentido e sem fundamentos, que simplesmente são feitos porque alguém que já os fazia antes, e terminam sendo os fatores geradores da estagnação de muitas empresas.

A falta de questionamento e análise, afunda organizações, impede o processo criativo e inovador, emperrando o desenvolvimento dos negócios, precisamos desamarrar os gatos de nossas empresas, e desmistificar atitudes e conceitos retrógrados, muitas vezes sem sentido e ultrapassados.

Analise sua vida profissional e pessoal, e perceba quantos gatos existem aguardando para serem desamarrados.

Texto esparso extraído de: "A Era do Espírito"
ilustração: freepik.com


domingo, 4 de dezembro de 2011

O amor acaba

Paulo Mendes Campos

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

ilustração: freepik.com

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A árvore orgulhosa

No meio de um jardim, junto a muitas outras árvores, havia um lindo cedro. Crescia a cada ano que passava, e seus galhos eram muito mais altos do que os galhos das outras árvores.

Tirem daí essa castanheira! — disse o cedro, inchado de orgulho ante a sua própria beleza. E a castanheira foi removida.

Levem embora aquela figueira! — disse o cedro. — Ela me incomoda. — E a figueira foi arrancada.

Tirem as macieiras! — prosseguiu o cedro, erguendo alto a sua bela cabeça. E as macieiras se foram.

Assim, o cedro fez com que uma a uma todas as outras árvores fossem arrancadas, até ficar sozinho, dono do grande jardim. Um dia, porém, houve uma forte ventania. O lindo cedro lutou com todas as forças, agarrando-se à terra com suas longas raízes. Mas o vento, sem outras árvores para detê-lo, dobrou e feriu o cedro e, finalmente, com grande estrondo, derrubou-o ao chão.
"O vendaval só derruba as árvores solitárias"

adaptação do livro Fábulas e Lendas - fonte: A era do espírito
ilustração: fotosearch


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