segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Escola dos bichos

Conta-se que vários bichos decidiram fundar uma escola.

Para isso reuniram-se e começaram a escolher as disciplinas.

O Pássaro insistiu para que houvesse aulas de vôo.

O Esquilo achou que a subida perpendicular em árvores era fundamental. E o Coelho queria de qualquer jeito que a corrida fosse incluída.

E assim foi feito. Incluíram tudo, mas... cometeram um grande erro. Insistiram para que todos os bichos praticassem todos os cursos oferecidos.

O Coelho foi magnífico na corrida. Ninguém corria como ele. Mas queriam ensiná-lo a voar. Colocaram-no numa árvore e disseram: "Voa, Coelho". Ele saltou lá de cima e "pluft"... coitadinho! Quebrou as pernas.

O Coelho não aprendeu a voar e acabou sem poder correr também.

O Pássaro voava como nenhum outro, mas o obrigaram a cavar buracos como uma topeira. Quebrou o bico e as asas, e depois não conseguia voar tão bem, e nem mais cavar buracos.

A coisa não estava bem e a coruja resolveu, também, dar seu palpite.

Sabe de uma coisa? Todos nós somos diferentes uns dos outros e cada um tem uma ou mais qualidades próprias dadas por DEUS. Não podemos exigir ou forçar para que as outras pessoas sejam parecidas conosco ou tenham nossas qualidades.

Se assim agirmos, acabaremos fazendo com que elas sofram, e no final, elas poderão não ser o que queríamos que fossem... e ainda pior, elas poderão não mais fazer o que faziam bem feito.

RESPEITAR AS DIFERENÇAS É AMAR AS PESSOAS COMO ELAS SÃO!

Desconheço o autor
ilustração: freepik

domingo, 30 de outubro de 2011

Pescaria inesquecível

James P. Lenfestey 

Ele tinha onze anos e, cada oportunidade que surgia, ia pescar no cais próximo ao chalé da família, numa ilha que ficava em meio a um lago.

A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas pai e filho saíram no fim da tarde para pegar apenas peixes cuja captura estava liberada.

O menino amarrou uma isca e começou a praticar arremessos, provocando ondulações coloridas na água. Logo, elas se tornaram prateadas pelo efeito da lua nascendo sobre o lago. Quando o caniço vergou, ele soube que havia algo enorme do outro lado da linha. O pai olhava com admiração, enquanto o garoto habilmente, e com muito cuidado, erguia o peixe exausto da água.

Era o maior que já tinha visto, porém sua pesca só era permitida na temporada. O garoto e o pai olharam para o peixe, tão bonito, as guelras para trás e para frente. O pai, então, acendeu um fósforo e olhou para o relógio. Eram dez da noite, faltavam apenas duas horas para a abertura da temporada. Em seguida, olhou para o peixe e depois para o menino, dizendo:

- Você tem que devolvê-lo, filho.

- Mas, papai, reclamou o menino.

- Vai aparecer outro, insistiu o pai.

- Não tão grande quanto este, choramingou a criança.

O garoto olhou à volta do lago. Não havia outros pescadores ou embarcações à vista. Voltou novamente o olhar para o pai. Mesmo sem ninguém por perto, sabia, pela firmeza em sua voz, que a decisão era inegociável. Devagar, tirou o anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água escura. O peixe movimentou rapidamente o corpo e desapareceu. E, naquele momento, o menino teve certeza de que jamais veria um peixe tão grande quanto aquele.

Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje, o garoto é um arquiteto bem-sucedido. O chalé continua lá, na ilha em meio ao lago, e ele leva seus filhos para pescar no mesmo cais.

Sua intuição estava correta. Nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite. Porém, sempre vê o mesmo peixe repetidamente todas as vezes que depara com uma questão ética. Porque, como o pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma questão de certo e errado.

Agir corretamente, quando se está sendo observado, é uma coisa. A ética, porém, está em agir corretamente quando ninguém está nos vendo.

Essa conduta reta só é possível quando, desde criança, aprendeu-se a devolver o PEIXE À ÁGUA.

ilustração: foto search

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Pimenta nos olhos dos outros não é refresco

As heroínas de Tejucupapo

Tejucupapo é uma pequena vila situada próximo à Praia de Pedras, no litoral norte de Pernambuco.

Em1646, ocorreu ali um fato no mínimo curioso.

O distrito possuía apenas uma rua larga, quase uma praça, ladeada por casas simples, destacando-se ao final dela a Igreja de São Lourenço de Tejucupapo de arquitetura jesuítica, como acontecia com as igrejas erguidas no início da colonização.

A população existente no local era composta de algumas famílias que viviam da pesca.

Todos os domingos, os homens da aldeia costumavam levar o produto de seu trabalho para vender na capital, Recife.

Nessa época os holandeses que haviam invadido o território Pernambucano estavam, praticamente, encurralados no Forte Grande, na ilha e Itamaracá, próximo de Tejucupapo, e encontravam-se sem alimentos para sustentar as tropas.

Os invasores já sabiam que todos os domingos os homens de Tejucupapo viajavam para o Recife, a fim de venderem a pesca, por isso, resolveram invadir a pequena vila pelo mar.

A idéia era conseguir pegar todo o alimento possível para as tropas que já estavam passando fome.

Sabendo que iriam encontrar só mulheres e crianças, tinham certeza de que a emboscada seria fácil e já contavam com a vitória.

A notícia de que as tropas holandesas tinham desembarcado na praia chegou, rapidamente, aos ouvidos das mulheres de Tejucupapo, que logo se organizaram para defender suas casas e seus mantimentos.

Para lutarem contra o invasor, elas usaram as armas que possuiam: utensílios de cozinha, água fervente e pimenta.

Enquanto os poucos homens que permaneceram na vila enfrentavam o inimigo com balas, as mulheres cavaram trincheiras onde se esconderam e surpreendiam os holandeses jogando-lhes água fervente com pimenta nos olhos e rostos.

A batalha durou horas até que os holandeses se deram por vencidos e voltaram para o mar.

A batalha ficou conhecida na história do Brasil como a “Epopeia das Heroinas de Tejucupapo”, e suas mulheres, até hoje são homenageadas e respeitadas pela coragem e determinação de defender aquilo que tinham de mais precioso: suas famílias e seu chão.

Fonte: A Terapia das histórias e Governo de Pernambuco
Foto: Igreja de São Lourenço de Tejucupapo - FUNDARPE

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Você sabe ou você sente?

Arthur da Távola
Você já reparou o quanto as pessoas falam dos outros? Falam de tudo.
Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzices, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos.
Sobretudo falam do comportamento.
E falam porque supõem saber. Mas não sabem.
Porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente.
Se sentissem não falariam.
Só pode falar da dor de perder um filho, um pai que já perdeu, ou a mãe já ferida por tal amputação de vida.
Dou esse exemplo extremo porque ele ilustra melhor.
As pessoas falam da reação das outras e do comportamento delas quase sempre sem jamais terem sentido o que elas sentiram.
Mas sentir o que o outro sente não significa sentir por ele.
Isso é masoquismo.
Significa perceber o que ele sente e ser suficientemente forte para ajudá-lo exatamente pela capacidade de não se contaminar com o que o machucou.
Se nos deixarmos contaminar (fecundar?) pelo sentimento que o outro está sentindo, como teremos forças para ajudá-lo?
Só quem já foi capaz de sentir os muitos sentimentos do mundo é capaz de saber algo sobre as outras pessoas e aceitá-las, com tolerância.
Sentir os muitos sentimentos do mundo não é ser uma caixa de sofrimentos.
Isso é ser infeliz.
Sentir os muitos sentimentos do mundo é abrir-se a qualquer forma de sentimento.
É analisá-los interiormente, deixar todos os sentimentos de que somos dotados fluir sem barreiras, sem medos, os maus, os bons, os pérfidos, os sórdidos, os baixos, os elevados, os mais puros, os melhores, os santos.
Só quem deixou fluir sem barreiras, medos e defesas todos os próprios sentimentos, pode sabê-los, de senti-los no próximo.
Espere florescer a árvore do próprio sentimento.
Vivendo, aceitando as podas da realidade e se possível fecundando.
A verdade é que só sabemos o que já sentimos.
Podemos intuir, perceber, atinar; podemos até, conhecer.
Mas saber jamais.
SÓ SE SABE AQUILO QUE JÁ SE SENTIU.
ilustração: internet

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Enterro do "não consigo"



Esta história foi contada por Chick Moorman, e aconteceu numa escola primária do estado de Michigan, Estados Unidos.
Ele era supervisor e incentivador dos treinamentos que ali eram realizados e um dia viveu uma experiência muito instrutiva, conforme ele mesmo narrou:
Tomei um lugar vazio no fundo da sala e assisti. Todos os alunos estavam trabalhando numa tarefa, preenchendo uma folha de caderno com idéias e pensamentos.
Uma aluna de dez anos, mais próxima de mim, estava enchendo a folha de "não consigos".

"Não consigo chutar a bola de futebol além da segunda base."
"Não consigo fazer divisões longas com mais de três números."
"Não consigo fazer com que a Debbie goste de mim."

Caminhei pela sala e notei que todos estavam escrevendo o que não conseguiam fazer.

"Não consigo fazer dez flexões."
"Não consigo comer um biscoito só."

A esta altura, a atividade despertara minha curiosidade, e decidi verificar com a professora o que estava acontecendo e percebi que ela também estava ocupada escrevendo uma lista de "não consigos".
Frustrado em meus esforços em determinar porque os alunos estavam trabalhando com negativas, em vez de escrever frases positivas, voltei para o meu lugar e continuei minhas observações.
Os estudantes escreveram por mais dez minutos. A maioria encheu sua página.
Alguns começaram outra.
Depois de algum tempo os alunos foram instruídos a dobrar as folhas ao meio e colocá-las numa caixa de sapatos, vazia, que estava sobre a mesa da professora.
Quando todos os alunos haviam colocado as folhas na caixa, Donna acrescentou as suas, tampou a caixa, colocou-a embaixo do braço e saiu pela porta do corredor. Os alunos a seguiram. E eu segui os alunos.
Logo à frente a professora entrou na sala do zelador e saiu com uma pá.
Depois seguiu para o pátio da escola, conduzindo os alunos até o canto mais distante do playground. Ali começaram a cavar. Iam enterrar seus "não consigo"!
Quando a escavação terminou, a caixa de "não consigos" foi depositada no fundo e rapidamente coberta com terra.
Trinta e uma crianças de dez e onze anos permaneceram de pé, em torno da sepultura recém cavada.
Donna então proferiu louvores.
"Amigos, estamos hoje aqui reunidos para honrar a memória do 'não consigo'.
Enquanto esteve conosco aqui na Terra, ele tocou as vidas de todos nós, de alguns mais do que de outros.
Seu nome, infelizmente, foi mencionado em cada instituição pública - escolas, prefeituras, assembléias legislativas e até mesmo na casa branca.
Providenciamos um local para o seu descanso final e uma lápide que contém seu epitáfio. Ele vive na memória de seus irmãos e irmãs 'eu consigo', 'eu vou' e 'eu vou imediatamente'.
Que 'não consigo' possa descansar em paz e que todos os presentes possam retomar suas vidas e ir em frente na sua ausência. Amém."
Ao escutar as orações entendi que aqueles alunos jamais esqueceriam a lição.
A atividade era simbólica: uma metáfora da vida. O "não consigo" estava enterrado para sempre.
Logo após, a sábia professora encaminhou os alunos de volta à classe e promoveu uma festa.
Como parte da celebração, Donna recortou uma grande lápide de papelão e escreveu as palavras "não consigo" no topo, "descanse em paz" no centro, e a data embaixo.
A lápide de papel ficou pendurada na sala de aula de Donna durante o resto do ano.
Nas raras ocasiões em que um aluno se esquecia e dizia "não consigo", Donna
simplesmente apontava o cartaz descanse em paz. O aluno então se lembrava
que "não consigo" estava morto e reformulava a frase.
Eu não era aluno de Donna. Ela era minha aluna. Ainda assim, naquele dia aprendi uma lição duradoura com ela.
Agora, anos depois, sempre que ouço a frase "não consigo", vejo imagens daquele funeral da quarta série. Como os alunos, eu também me lembro de que "não consigo" está morto.

Equipe de Redação do Momento Espírita

Ilustração: internet

domingo, 16 de outubro de 2011

Definições de A a V

Luiz Gonzaga Pinheiro

Adeus: É quando o coração que parte deixa a metade com quem fica.

Amigo: É alguém que fica para ajudar quando todo mundo se afasta.

Amor ao próximo: É quando o estranho passa a ser o amigo que ainda não abraçamos.

Caridade: É quando a gente está com fome, só tem uma bolacha e reparte.

Carinho: É quando a gente não encontra nenhuma palavra parra expressar o que sente e fala com as mâos, colocando o afago em cada dedo.

Ciúme: É quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo.

Cordialidade: É quando amamos muito uma pessoa e tratamos todo mundo da maneira que a tratamos.

Entendimento: É quando um velhinho caminha devagar na nossa frente e a gente estando apressado não reclama.

Evangelho: É um livro que só se lê bem com o coração.

Evolução: É quando a gente está lá na frente e sente vontade de buscar quem ficou para trás.

Fé: É quando a gente diz que vai escalar um Everest e o coração já o considera feito.

Filhos: É quando Deus entrega uma jóia em nossa mão e recomenda cuidá-la.

Fome: É quando o estômago manda um pedido para a boca e ela silencia.

Inimizade: É quando a gente empurra a linha do afeto para bem distante.

Inveja: É quando a gente ainda não descobriu que pode ser mais e melhor do que o outro.

Lágrima: É quando o coração pede aos olhos que falem por ele.

Lealdade: É quando a gente prefere morrer que trair a quem ama.

Mágoa: É um espinho que a gente coloca no coração e se esquece de retirar.

Maldade: É quando arrancamos as asas do anjo que deveríamos ser.

Netos: É quando Deus tem pena dos avós e manda anjos para alegrá-los.

Ódio: É quando plantamos trigo o ano todo e estando os pendões maduros a gente queima tudo em um dia.

Orgulho: É quando a gente é uma formiga e quer convencer os outros de que é um elefante.

Paz: É o prêmio de quem cumpre honestamente o dever.

Perdão: É uma alegria que a gente se dá e que pensava que jamais teria.

Perfume: É quando mesmo de olhos fechados a gente reconhece quem nos faz feliz.

Pessimismo: É quando a gente perde a capacidade de ver em cores.

Preguiça: É quando entra vírus na coragem e ela adoece.

Raiva: É quando colocamos uma muralha no caminho da paz.

Saudade: É estando longe, sentir vontade de voar, e estando perto, querer parar o tempo.

Sexo: É quando a gente ama tanto que tem vontade de morar dentro do outro.

Simplicidade: É o comportamento de quem começa a ser sábio.

Sinceridade: É quando nos expressamos como se o outro estivesse do outro lado do espelho.

Solidão: É quando estamos cercados por pessoas, mas o coração não vê ninguém por perto.

Supérfluo: É quando a nossa sede precisa de um gole de aguá e a gente pede um rio inteiro.

Ternura: É quando alguém nos olha e os olhos brilham como duas estrelas.

Vaidade: É quando a gente abdica da nossa essência por outra, geralmente pior.
Luiz Gonzaga Pinheiro é professor de Ciências e de Matemática, na rede pública do Ceará. É Engenheiro pela Universidade Federal do Ceará e Licenciado em Ciências pela Universidade Estadual do Ceará.
ilustração: internet

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Debate por um alojamento

Conto Zen

Em alguns templos Zen japoneses, existe uma antiga tradição: se um monge errante conseguir vencer um dos monges residentes num debate sobre budismo, poderá pernoitar no templo. Caso contrário, terá de ir embora.

Havia um templo assim no norte do Japão, dirigido por dois irmãos.

O mais velho era muito culto e o mais novo, pelo contrário, era tolo e tinha apenas um olho.

Uma noite, um monge errante foi pedir alojamento a eles. O irmão mais velho estava muito cansado, pois havia estudado por muitas horas. Assim, pediu ao irmão mais novo que fosse debater: “Solicite que o diálogo seja em silêncio”, disse o mais velho.

Pouco depois, o viajante voltou e disse ao irmão mais velho: “Que homem maravilhoso é o seu irmão. Venceu brilhantemente o debate. Assim, devo ir-me embora. Boa noite!”

“Antes de partir, disse o ancião, “por favor conte-me como foi o diálogo”.

“Bem”, disse o viajante, “primeiramente ergui um dedo simbolizando Buda. Seu irmão levantou dois dedos, simbolizando Buda e os ensinamentos. Então ergui três dedos para representar, Buda, seus ensinamentos e seus discípulos. Daí, seu inteligente irmão sacudiu o punho cerrado em minha frente, indicando que todos os três vêm de uma única realização”.

Com isso, o viajante se foi.

Pouco depois veio o irmão mais novo parecendo muito aborrecido. “Soube que você venceu o debate”, falou o mais velho.

“Que nada” disse o mais novo, “este viajante é um homem muito rude”.

“É?” disse o mais velho, “conte-me qual foi o tema do debate”.

“Ora”, exclamou o mais novo, “no momento em que ele me viu, levantou um dedo insultando-me, indicando que tenho apenas um olho. Mas, por ser ele um estranho, achei que deveria ser polido. Ergui dois dedos, congratulando-o por ter dois olhos. Nisto, o miserável mal educado levantou três dedos para mostrar que nós dois juntos tínhamos três olhos. Então, fiquei louco e ameacei-lhe dar um soco no nariz – assim ele se foi”.

O irmão mais velho riu.

fonte: Mensagem dos Mestres
ilustração: freepik

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A água e o perdão

Certo dia, numa batalha, uma flecha atravessou a armadura de um cavaleiro e por pouco não lhe tirou a sua vida.

Num relance, o cavaleiro vislumbra o paraíso, mas bem longe e, de qualquer maneira, fora de seu alcance.

Vislumbra também o inferno, bem próximo dele e prestes a engoli-lo, porque há muito tempo se esquecera de suas promessas de bravo cavaleiro, tornando-se um bruto impenitente que matava, pilhava, violava.

Tomado de temor salutar, tira a armadura, a espada e as manoplas de ferro e se dirige ao eremitério de um monge famoso por sua santidade.

- Meu pai, desejo ser perdoado pelas minhas faltas, pois temo pela minha salvação.

Farei a penitência que me indicares.

- Pois bem, meu filho, vai simplesmente encher de água este barrilzinho e traze-mo, responde o monge.

O cavaleiro se irrita com a proposta do eremita, mas o medo do inferno é mais forte, e ele põe o barril sob o braço e se dirige ao rio.

Estupefato, vê o barril mergulhado na corrente recusar-se a encher!

Se dirige a uma fonte que se precipita no curso d’água, mas o barril continua a não se encher.

Se precipita para o poço da aldeia, mas em vão.

Um ano depois, o velho monge vê chegar à porta de seu eremitério um pobre maltrapilho em farrapos, de pés ensangüentados e com um barril vazio debaixo do braço.

- Meu pai, diz o cavaleiro , fui a todos os rios, fontes e lagos do pais.

Não pude encher vosso barril.

Agora, com certeza, não me perdoareis os pecados.

Ai de mim! Estou perdido pelos meus pecados.

Como me arrependo deles!

E lágrimas lhe descem dos olhos.

Eis que uma lágrima cai no barril.

Num instante, este se enche até em cima, da mais bela água pura que a terra já viu.

Uma única lágrima de arrependimento

Angela Maria Crespo
ilustração: sedentario.org
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