sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Garimpo de amor

Narra antiga lenda persa que um homem residia em próspera herdade, na cidade de Golconda, com sua família, alguns camelos e outros animais, um pomar generoso e um rio de águas cantantes que lhe passava pelos fundos da propriedade.

A existência sorria-lhe bênçãos e nenhuma outra preocupação o afligia.

Oportunamente passou pela sua vivenda um homem religioso, que viajava convidando as almas à reflexão e à fé. Pediu-lhe hospedagem e foi recebido com carinho.

Após o jantar, na primeira noite da sua estada, o visitante indagou-lhe:

- És feliz, homem? Observo que sorris e desfrutas de algumas regalias da vida. Gostaria de saber se possuis diamantes ou pedras outras preciosas, que são as bases da felicidade?

O anfitrião, algo surpreendido, respondeu-lhe:

- Em realidade, sinto-me muito feliz. Tenho uma família saudável, que amo e pela qual sou amado, desfrutamos toados de saúde e confiamos em Deus. Sou negociante próspero, mas não ambicioso, dispondo do necessário para prover o lar de tudo quanto se faz indispensável. Mas não tenho jóias, nem mesmo quaisquer outras pedras preciosas. Apesar disso, sim, sou feliz.

- Lamento decepcionar-te - redargüiu o vicejante. - Se não possuis diamantes, talvez jamais os hajas visto, não sabes o que é a felicidade, tampouco és realmente feliz.

Passando a outros temas, logo depois, recolheram-se ao leito.

O homem, que se sentia feliz, começou a pensar na informação que recebera, e pôs-se a ponderar a respeito do valor dos diamantes. Passou uma noite maldormida.

No dia seguinte, o hóspede foi-se adiante, e, ao despedir-se, insistiu, sugerindo:

- Pensa nos diamantes, conforme te falei.

A partir dali, o homem tranqüilo passou a cobiçar diamantes. Procurou conhecer alguns, e perdeu a paz.

Resolveu, por fim, vender a propriedade, deixou uma grande parte do dinheiro com um cunhado, a quem confiou a família, enquanto seguiu em longa viagem na busca de diamantes.

Vadeou rios, atravessou florestas, visitou montanhas e vales, venceu desertos, buscando sempre diamantes, sem jamais os conseguir.

Passaram-se os anos, ele envelheceu procurando diamantes, a enfermidade o vitimou e a morte arrebatou-o, sem que houvesse alcançado a felicidade através das pedras famosas.

Sua família, que houvera perdido o contato com ele, dispersou-se e sofreu amargamente o abandono, a miséria, a separação...

Aquele que lhe houvera comprado a propriedade, vivia feliz e era generoso para com todos.

Mais de um decênio transcorrido, o religioso viajante retornou à propriedade e procurou informar-se a respeito do antigo generoso anfitrião. Foi informado de que já não residia ali, de que houvera vendido a casa e as terras, sem que se soubesse do destino que elegera.

Convidado a pernoitar na mesma residência, após o jantar, enquanto conversava com o senhor que o hospedava, observou sobre a lareira algumas pedras que brilhavam no crepitar das labaredas. Levantou-se, segurou algumas delas, aproximou-as da claridade, e perguntou, emocionado:

- Onde encontraste estas gemas?

- Entre os seixos e outras pedras no riacho - respondeu¬lhe o anfitrião, desinteressado. - Os animais pisam-nas, enquanto sorvem a água transparente, e porque me pareceram muito originais, trouxe algumas para decorar a lareira.

- Homem de Deus! - exclamou o religioso, trêmulo, quase a desvairar. - Estas pedras são diamantes. Amanhã, muito cedo, leva-me ao córrego...

... E passou uma noite inquieta, aflito.

Pela alva, seguiu com o proprietário na direção do regato, e quando lá chegaram, o religioso, com olhar- de lince, constatou que as águas transparentes deslizavam sobre um leito de diamantes brutos, negros, brancos, amarelos, desprestigiados entre calhaus sem valor.

Desse modo, descobriu-se uma das maiores minas de diamantes do mundo, de onde saíram pedras, fabulosas, algumas denominadas como Príncipe Orloff, Ko-i-Noor, etc., que dormem em museus famosos do mundo ou brilham nas coroas de muitos reis.

O homem, que era feliz sem conhecer diamantes, deixou-os no quintal da residência para ir procurá-los, mundo afora, sem nunca os encontrar...

*

O mesmo fenômeno ocorre com o amor.

As vidas possuem o amor no seu imo, mas não o conhecem. Necessitam de alguém que as desperte para o significado profundo e o valor incomparável desse tesouro. No entanto, muitos se referem ao amor como algo que está em tal ou qual lugar, apresenta-se nesta ou naquela situação, sob uma ou outra condição, indicando lugares onde raramente pode ser encontrado.

O amor radica-se no imo de todos os seres pensantes, esperando somente ser identificado, para realizar o mister para o qual se destina.

Não exige sacrifício nem qualquer imposição externa, pois que pulsa, mesmo quando ignorado, realizando o seu mister até o momento em que estua de beleza e harmonia, dominando as paisagens que o agasalham.

La Fontaine escreveu que "nada tem poder sobre o amor; o amor tem-no sobre todas as coisas."

O amor converte os sentimentos humanos e sublima-os, tornando-os santificados e libertadores.

Gandhi afirmava que "por mais duro que alguém seja, derreterá no fogo do amor; se não derreter, é porque o fogo não é bastante forte."

O amor espera pacientemente no leito do rio existencial humano até o momento em que seja descoberto, passando pelo período de desbaste da ganga externa, a fim de que a sua luminescência esplenda em toda a sua glória estelar.

Não surge completo, acabado. Necessita ser trabalhado, aprimorado, bem orientado.

Quanto mais é aplicado, mais se aformoseia, e quanto mais é repartido, mais se multiplica em poder, valor e significado.

É o grande desafio para a existência humana, para a conquista do Espírito imortal.

O amor é um garimpo de diamantes estelares que deve ser explorado.

Possui gemas de diferentes qualidades e valores muito diversos.

De acordo com a coragem e a decisão de quem busca encontrar as suas riquezas insuperáveis, sempre oferece novos matizes e configurações especiais.

Joanna de Ângelis (prefácio da obra Garimpo de Amor - Editora LEAL)
ilustração internet

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Antes que o tempo passe

• Dê mais às pessoas, MAIS do que elas esperam, e faça com alegria.

• Decore seu poema favorito.

• Não acredite em tudo que você ouve, gaste tudo   o que você tem e durma    tanto quanto você queira.

• Quando disser "Eu te amo" olhe as pessoas nos olhos.

• Fique noivo pelo menos seis meses antes de se casar.

• Acredite em amor à primeira vista.

• Nunca ria dos sonhos de outras pessoas.

• Ame profundamente e com paixão.

• Você pode se machucar, mas é a única forma de viver a vida completamente.

• Em desentendimento, brigue de forma justa, não use palavrões.

• Não julgue as pessoas pelo seus parentes.

• Fale devagar mas pense com rapidez.

• Quando alguém perguntar algo que você não quer responder, sorria e pergunte: "Porque você quer saber?".

• Lembre-se que grandes amores e grandes conquistas envolvem riscos.

• Ligue para sua mãe.

• Diga "saúde" quando alguém espirrar.

• Quando você se deu conta que cometeu um erro, tome as atitudes necessárias.

• Quando você perder, não perca a lição.

• Lembre-se dos três Rs: Respeito por si próprio, respeito ao próximo e responsabilidade pelas ações.

• Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade.

• Sorria ao atender o telefone, a pessoa que estiver chamando ouvirá isso em sua voz.

• Case com alguém que você goste de conversar. Ao envelhecerem suas aptidões de conversação serão tão importantes quanto qualquer outra.

• Passe mais tempo sozinho.

• Abra seus braços para as mudanças, mas não abra mão de seus valores.

• Lembre-se de que o silêncio, às vezes, é a melhor resposta.

• Leia mais livros e assista menos TV.

• Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e olhar para trás, você poderá aproveitá-la mais uma vez.

• Confie em Deus, mas tranque o carro.

• Uma atmosfera de amor em sua casa é muito importante. Faça tudo que puder para criar um lar tranquilo e com harmonia.

• Em desentendimento com entes queridos, enfoque a situação atual.

• Não fale do passado.

• Leia o que está nas entrelinhas.

• Reparta o seu conhecimento. É uma forma de alcançar a imortalidade.

• Seja gentil com o planeta.

• Reze. Há um poder incomensurável nisso.

• Nunca interrompa enquanto estiver sendo elogiado.

• Cuide da sua própria vida.

• Não confie em alguém que não fecha os olhos enquanto beija.

• Uma vez por ano, vá a algum lugar onde nunca esteve antes.

• Se você ganhar muito dinheiro, coloque-o a serviço de ajudar os outros, enquanto você for vivo. Esta é a maior satisfação de riqueza.

• Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor de um pelo outro é maior do que a necessidade de um pelo outro.

• Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar para conseguir.

• Lembre-se de que seu caráter é seu destino.

• Usufrua o amor e a culinária com abandono total.

Dalai Lama
ilustração: Stock.XCHNG  

domingo, 25 de setembro de 2011

João e Maria: Além da ficção na música de Chico Buarque

 Raul Franzolin Neto

João e Maria viviam num mundo muito difícil, cheio de conflitos.
Era o planeta Sibis SK8, localizado numa galáxia muito distante da Terra e próximo a uma imensa estrela que iluminava o planeta.
A população era pequena e se caracterizava por ser um local de baixa evolução espiritual.
Guerras eram inevitáveis nas disputas de poder. João era uma pessoa boa e aparentemente feia.
Trabalhava incessantemente na esperança de dias melhores. Muito sofrimento.
Risos e deboches à parte, ele lutava contra preconceitos, passando pela humilhação e a dor.
Enfrentava pessoas grotescas, servindo-as com dedicação e sorrisos.
Imaginava o belo planeta com as pessoas vivendo alegres em ambiente de amizade.
Mas, alguns diziam que João era um fracassado, um visionário que não servia para nada.
A bondade imperava em seu coração e a todos dedicava a sua vida com amor e sacrifício. A prática da caridade era constante e um prazer pessoal.
João não admitia o uso de arma alguma e vivia com amor, alegria e simplicidade.
Gostava de poesia, música e amava a natureza.
Lentamente, o mundo foi se transformando. As pessoas passaram a admirá-lo e a depender de seu trabalho no conforto e amparo ao sofrimento.
Maria tinha uma vida bem diferente. Era bonita e boa pessoa. Sua vida, porém, era cheia de aventuras, ambições, momentos alegres e esbanjava conforto material.
Vivia rodeada por muita gente, festas e sorrisos, mas sentia também o peso da solidão.
Faltavam-lhe amizades verdadeiras.Sonhava com dias melhores e ansiava viver feliz com um homem amado.
João conheceu Maria, porém os seus olhares se dispersaram no tempo, pois as diferenças entre eles eram visíveis. Mas, aquele olhar carente e belo de Maria tocou profundamente o coração de João.
João se tornou um exemplo de vida. Um vencedor na humildade e no caminho do bem. Contribuiu decisivamente para a melhoria do mundo da inferioridade e
transformou-se num herói.
Depois de longo e longo tempo, os conflitos acabaram.
O tempo passava...

“Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões
Guadava o meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês...”

João e Maria morreram como era o destino de todos no planeta iluminado pela luz da estrela mãe. Porém, o espírito não morre; é eterno e os dois seguiram a vida por caminhos diferentes.
Ele havia evoluído muito com os méritos do trabalho dedicado no caminho do bem comum.
Continuava distribuindo amor e bondade gerando ambientes de amizades, alegres e felizes onde quer que estivesse. Entretanto, seu coração estava solitário embora convivesse com tanta gente.
A imagem de Maria não saia de sua mente. Desejava sentir o amor explodindo em paixão com Maria.
Sempre pedia aos céus uma nova oportunidade de convivência com Maria.
Queria ajudá-la, amá-la e sentia que poderia ser amado como desejava.
Após muito tempo, a sonhada oportunidade chegou.
João foi chamado a uma nova reencarnação para uma missão de coordenar um mundo mais evoluído e implantar a felicidade geral no planeta.
Uma missão onde todos deveriam trabalhar no bem comum; onde os mais adiantados se dedicariam aos mais necessitados.
João ficou feliz, ainda mais ao saber que seu desejo seria atendido e conviveria com Maria.
Ergueu os braços para o alto, agradeceu profundamente, chorou de emoção e alegria, fechou os olhos e nasceu de novo...
João e Maria reencarnaram no planeta Sibis SK1001 onde seus habitantes tinham passado por muito sofrimento. Mas agora já era um planeta mais evoluído, mais feliz.
Maria vivia bem num mundo lindo e organizado. Já havia passado por muito e
muito sofrimento até ali chegar. Tudo estava em harmonia e ela trabalhava com dedicação em sua missão. Precisava praticar a caridade e vivia como uma pessoa simples, sem vaidade e sem nada a oferecer de bens materiais.
Certo dia caminhava admirando a natureza e de repente ouviu uma voz suave: - Que bela paisagem! Era a voz do governador geral do planeta. Seus olhares se entrelaçaram como se fossem um só. Era João.

“Agora eu era o rei,
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei a gente era obrigada a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país...”

Agora João estava muito feliz tendo a amada ao seu lado e a cada dia o seu amor crescia.
Mas estava agoniado e sentia um frio melancólico: medo de perder Maria.
Não conseguia entender o porquê e a amava com todas as suas forças.
Os dois se dedicavam ao trabalho com amor para manter o equilíbrio e o bem estar de todos.
João não se importava com as dificuldades e apenas queria viver ao lado de Maria.
Maria, por sua vez, continuava trabalhando bastante acompanhando e ajudando João, compartilhando com a sua bondade e sabedoria.
Ela, porém, não era tão feliz como desejava.As diferenças espirituais ainda persistiam entre os dois.
Embora se esforçasse ela sentia necessidade de evoluir mais rápido para ficar mais próxima de João. Sempre pedia aos céus uma nova chance de galgar grandes avanços para compartilhar o verdadeiro amor de João.

“Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião, o seu bicho preferido
Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido...”

O tempo passava e, Deus em sua bondade infinita, concedeu uma nova oportunidade à Maria. A hora finalmente chegou.
Maria foi chamada e embora estivesse muito triste diante de uma nova separação temporária e indefinida de João, aos prantos ergueu os braços para o alto e uma corrente de luz a iluminou.
- Quero também construir a vida no universo da mesma forma que meu amado João. Passarei também por outros árduos caminhos, mas vencerei, assim é meu desejo.
E assim se fez.
E o céu agradeceu.
E João e Maria prosseguiram suas vidas em busca da felicidade eterna, tal como definida na Lei de Divina.

“Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim
Para lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim...”
fonte: Boletim Geae nº 5 3 7 - 20 0 9

sábado, 24 de setembro de 2011

A mentira

João Ribeiro

Sei de uma história de um pastor americano ou escocês (já não me lembro o hemisfério desse conto) o qual, uma vez, ao largo e atento auditório que costumava ouvi-lo, fez saber que na semana seguinte iria falar sobre a mentira.

- Vou falar, na próxima semana, sobre a mentira, advertiu o bom pastor. Peço, porém, a todos meus queridos ouvintes que, para melhor preparação do que irei dizer, leiam todo o capítulo dezessete do Evangelho de Marcos. Considero indispensável essa leitura prévia.

Na semana seguinte compareceram todos. E logo, o pastor inquiriu previamente.

- Aqueles que leram o capítulo dezessete do Evangelho de Marcos, conforme a minha recomendação, queiram levantar-se.

Levantaram-se todos como um só homem. E o pastor prosseguiu:

- Sois vós realmente aqueles que merecem ouvir o meu sermão de hoje sobre a mentira porque, em verdade, não existe o capítulo dezessete. O Evangelho de Marcos tem apenas dezesseis capítulos.

fonte: Antologia Poopular Espírita
ilustração: Banco de Ilustrações 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Escritório Virtual. Um local do jeito que você precisa

Muita gente, ao pensar em montar a própria empresa ou iniciar a carreira profissional, logo sonha com um escritório com toda a estrutura a que tem direito: sede em um bairro nobre, secretária, sala de reunião, equipamentos de última geração. O problema é que, depois de fazer as contas, percebe que o investimento é inviável e acaba por se conformar com um local de trabalho mais simples, muitas vezes em casa mesmo.

Entretanto, o escritório em casa causa transtornos, pelo fato de devassar o local onde moramos, obrigando, muitas vezes, o atendimento a clientes nas horas mais variadas, dividindo espaço com a mesa de jantar ou com a máquina de lavar.

Sem dúvida, muitas empresas de sucesso nasceram em meio improviso doméstico, mas hoje é possível dispor de um escritório adequado às suas necessidades sem gastar muito com aluguel, compra de móveis e contratação de pessoal. Basta contratar um escritório virtual.

Procurado principalmente por profissionais liberais, prestadores de serviço e empresários em viagens de negócios, o escritório virtual é um espaço que você pode alugar pelo prazo que quiser e que oferece variados serviços: salas de trabalho e de reuniões, computadores com acesso à internet, secretária, recebimento e remessa de recados e e-mails, recebimento de correspondências, serviço de motoboy e até um bom chá e cafezinho. O valor do aluguel varia de acordo com os serviços solicitados e conforme a região.
 
A Siglos Escritórios Virtuais, localizada na Vila Mariana – São Paulo SP – fone 11 5539-5604, oferece esses serviços e deixa que o profissional liberal ou empresário cuide de seus clientes pois ela cuida do escritório.

Qualidade, segurança e privacidade, em local de fácil acesso ( próximo a três estações do metrô – Vila Mariana, Santa Cruz e Klabin). Possuí salas mobiliadas com móveis ao nível do seu negócio. São salas ligadas a uma central de atendimento com duas secretárias que cuidam de sua agenda, repassando tão logo recebidas suas mensagens ou e-mails, por telefone ou correio eletrônico, internet wireless em cada sala, ramal telefônico para cada cliente, ampla recepção e serviços de  motoboy (pagos a parte), proporcionando um ambiente confortável durante o seu trabalho e quando do atendimento ao seu cliente.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Estudo da Alienação Parental


Síndrome da Alienação Parental – SAP
por Fernando dos Reis Pereira
  1. 1. Introdução
A palavra alienação possui diversos significados, podendo ser desde a cessão de bens, transferência de domínio de algo, perturbação mental ou até loucura. Contudo, no caso da Síndrome da Alienação Parental (SAP), melhor se aplica a definição de "alienação" como perturbação mental, considerado os efeitos dos atos dos pais em seus filhos, e pelos motivos a seguir expostos.
A "SAP" foi apresentada em 1985, pelo médico e professor de psiquiatria infantil da Universidade de Colúmbia, Richard Gardner. Tem a seguinte definição, segundo o professor:
"A Síndrome de Alienação Parental (SAP) é um distúrbio da infância que aparece quase exclusivamente no contexto de disputas de custódia de crianças. Sua manifestação preliminar é a campanha denegritória contra um dos genitores, uma campanha feita pela própria criança e que não tenha nenhuma justificação. Resulta da combinação das instruções de um genitor (o que faz a "lavagem cerebral, programação, doutrinação") e contribuições da própria criança para caluniar o genitor-alvo. Quando o abuso e/ou a negligência parentais verdadeiros estão presentes, a animosidade da criança pode ser justificada, e assim a explicação de Síndrome de Alienação Parental para a hostilidade da criança não é aplicável." (Sublinhas não originais)
Portanto, O genitor alienante "usa" a criança como uma arma para ferir seu antigo companheiro.
Normalmente é feita por quem está com a guarda da criança. Levando em consideração que as varas de família agraciam as mulheres, com a guarda dos filhos, em aproximadamente 91% dos casos (IBGE/2002), é certo que a maior incidência de casos de alienação parental é ocasionada pelas mães, podendo, contudo, ser causada também pelo pai, dentro dos 9% restantes.
  1. 2. Níveis da Alienação Parental
Compreende a psicóloga Dra. Sandra Maria Baccara Araújo, três estágios da Alienação Parental:
1. Estágio Leve – quando nas visitas há dificuldades no momento da troca dos genitores;
2. Estágio Moderado – quando o genitor alienante utiliza uma grande variedade de artifícios para excluir o outro;
3. Estágio Agudo – quando os filhos já se encontram de tal forma manipulados que a visita ao genitor alienado chega a lhe causar pânico ou mesmo desespero.
Também, a psicóloga apresenta três fatores que leva um genitor a causar tamanho dano emocional e psíquico a seu filho, são eles:
1. A forma como a separação aconteceu e a representação inconsciente desta no imaginário do cônjuge que se sentiu "abandonado", aliado a dificuldade de lidarem com a frustração, fruto de um processo educacional e social que os tem impedido de reconhecer o espaço e o direito do outro;
2. A dificuldade de diferenciação de papéis (conjugal e parental);
  1. 3. Os novos papéis desempenhados pela mulher e pelo homem na sociedade e a forma como lidam com esta "novidade".
Esses motivos estão relacionados diretamente ao desgosto do cônjuge que se sentiu abandonado na separação.
  1. 3. Lei da Alienação Parental
Recentemente foi promulgada lei que regulamenta a alienação parental, sendo a lei nº 12.318 de 26 de agosto de 2010.
A lei consiste em 11 artigos sendo que artigo 9º e 10 foram vetados. O artigo 9º permitia acordo extrajudicial entre os genitores, enquanto o artigo 10º previa prisão de seis meses a dois anos ao alienante. A prisão foi vetada por entendimento de que poderia prejudicar ainda mais a criança.
Esta lei conceitua a alienação parental como:
"interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este." (Sublinhas não originais)
Então, o genitor que mantém a guarda, exerce influência sobre a criança de certa forma que a mesma comece a sentir repúdio do genitor que não tem a guarda.
Nota-se que a lei é ampla ao abranger como alienante não somente os genitores, mas também os avós ou qualquer outra pessoa que tiver autoridade e manter a guarda da criança.
Confira-se caso em que os avós foram considerados alienantes:
APELAÇÃO CÍVEL. MÃE FALECIDA. GUARDA DISPUTADA PELO PAI E AVÓS MATERNOS. SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL DESENCADEADA PELOS AVÓS. DEFERIMENTO DA GUARDA AO PAI. 1. Não merece reparos a sentença que, após o falecimento da mãe, deferiu a guarda da criança ao pai, que demonstra reunir todas as condições necessárias para proporcionar a filha um ambiente familiar com amor e limites, necessários ao seu saudável crescimento. 2. A tentativa de invalidar a figura paterna, geradora da síndrome de alienação parental, só milita em desfavor da criança e pode ensejar, caso persista, suspensão das visitas ao avós, a ser postulada em processo próprio. NEGARAM PROVIMENTO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70017390972, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Felipe Brasil Santos, Julgado em 13/06/2007)
Portanto, a recente lei confere um sentido amplo quando se trata da determinação do alienante.
3.1 Condutas que ocasionam Alienação Parental
Na própria lei foram regulamentadas formas exemplificativas de alienação parental, sendo elas:
I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade;
II - dificultar o exercício da autoridade parental;
III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor;
IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar;
V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;
VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente;
VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós.
Ou seja, são somente exemplos, não determinando de forma taxativa, considerando então haver outras formas que configurem a alienação parental.
Existem também algumas características dos pais que evidenciam a alienação parental:
• Restringem e proíbem terminantemente, a proximidade dos filhos e parentes com os membros da família do ex-cônjuge.
• Fazem chantagem emocional sempre que possível, especialmente quando a criança está de férias com o pai não residente.
• Muitas vezes negam ao pai não residente o direito de visitar seus filhos nos horários pré-estipulados, desaparecendo por dias, ou obrigando as crianças a dizerem, que não querem sair com o pai.
• Não permitem o contato telefônico do pai com o filho em momento algum, proibindo inclusive que o filho ligue para ele.
• Costumam fazer denunciações caluniosas de agressão, ameaça, crimes contra a honra, etc. para que as crianças acreditem que o pai não residente seja perigoso.
• Frequentemente ameaçam mudarem-se pra bem longe.
O alienante manipula a criança de forma que esta acredite que foi abandonada e que o fim do casamento ocorreu por conta do ex-cônjuge, desenvolvendo raiva e sentimento de vingança contra o genitor ausente.
Como a criança está em fase de crescimento, tais condutas a influenciam de uma forma que haja abominação pelo pai ou mãe, podendo tornar um sentimento permanente.
3.2 Formas de evitar a alienação parental
No artigo 5º da referida lei, é evidenciada a forma de agir contra esse mal que afeta milhões de crianças no mundo inteiro:
"Havendo indício da prática de ato de alienação parental, em ação autônoma ou incidental, o juiz, se necessário, determinará perícia psicológica ou biopsicossocial."
Pois então, caso haja suspeita de alienação parental, deve-se ajuizar ação, seja ela autônoma ou incidental, e o juiz determinará, se achar necessário, perícia psicológica ou biopsicossocial.
Essas perícias são realizadas por assistentes sociais ou equipe multidisciplinar habilitados, que tenham estudo sobre o tema. Tais profissionais entrevistam pessoalmente as partes, com base em todo histórico e situação atual, para assegurar a convivência da criança com o genitor prejudicado, ou viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos.
O prazo para apresentação do laudo pericial é de 90 dias, prorrogável exclusivamente por autorização judicial baseada em justificativa circunstanciada.
Se caracterizada alienação parental, o juiz poderá praticar certos atos a fim de corrigir a má influência psicológica (artigo 6º da Lei da Alienação Parental):
I - declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador;
II - ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado;
III - estipular multa ao alienador;
IV - determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial;
V - determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão;
VI - determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente;
VII - declarar a suspensão da autoridade parental.
Portanto, com a inclusão da Lei da Alienação Parental, é garantido o direito de acesso ao judiciário pelo genitor que se sentir prejudicado e que queira assegurar seus direitos de pai ou mãe. Antes da lei, apesar de já haver conhecimento e julgamentos favoráveis acerca da SAP, não havia pilares jurídicos para fundamentação concisa sobre o tema.
  1. 4. Conclusão
A lei da Alienação Parental modificou de forma grandiosa o modo que o tema era tratado. Agora, com embasamento legal, o genitor que se sentir prejudicado pode procurar por seus direitos com base nos fundamentos jurídicos, para obter provas sobre a alienação.
Conclui-se que a pressão psicológica causada na criança pode traumatizá-la por toda vida, fazendo com que haja instabilidade na família, além de causar enorme sofrimento à criança e aos pais. Portanto, ao evidenciar sintomas de alienação parental, o genitor prejudicado deve procurar um advogado. Quanto antes evidenciado a alienação, melhor a recuperação da criança.
  1. 5. Bibliografia
http://pe360graus.globo.com/noticias/brasil/poder-judiciario/2010/07/14/NWS,516776,3,48,NOTICIAS,766-JUIZ-EXPLICA-MUDANCAS-PROVOCADAS-PELA-EMENDA-DIVORCIO.aspx> Acessado em 6/6/2011
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alienação> Acessado em 6/6/2011
http://jusvi.com/artigos/41152> Acessado em 6/6/2011
http://jus.uol.com.br/revista/texto/13252/alienacao-parental> Acessado em 6/6/2011
http://www.pailegal.net/guarda-compartilhada/204> Acessado em 6/6/2011
http://leialienacaoparental.com.br/page14.php> Acessado em 6/6/2011
http://www.alienacaoparental.com.br/jurisprudencia-sap > Acessado em 6/6/2011
http://pt.scribd.com/doc/6155591/Sindrome-da-Alienacao-Parental-Richard-Gardner > Acessado em 17/6/2011
/legislacao-artigos/estudo-da-alienacao-parental-4929738.html
Perfil do Autor

Estudante de Direito, cursando 4º ano.

sábado, 17 de setembro de 2011

O esquilo e o lobo

Léon Tolstói

Um esquilo saltando de ramo em ramo, caiu certo dia sobre um lobo adormecido.

O lobo agarrou-o e tratou de devorá-lo.

O esquilo suplicou que o poupasse.

– Está bem, disse o lobo, eu te perdoarei a vida, mas com a condição de que me digas porque razão vós, os esquilos, andam sempre tão alegres. Eu ando sempre aborrecido, e, entretanto, vos vejo sempre satisfeitos e dispostos a brincar.

O esquilo respondeu:

– Tenho medo de ti, não ouso falar, deixa-me saltar sobre um ramo e te direi.

O lobo deixou. O esquilo saltou sobre uma árvore e de lá lhe disse:

– Tu te aborreces sempre porque és mau; a crueldade seca o coração. Nós somos alegres, porque somos bons e não fazemos mal a pessoa alguma.


ilustração freepik
extraído de Mensagens dos Mestres

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Saudade



Bastos Tigre

Saudade - palavra doce,
Que traduz tanto amargor,
Saudade é como se fosse
Espinho cheirando a flor.

Saudade - ventura ausente,
Um bem que longe se vê,
Uma dor que o peito sente,
Sem saber como e porquê.

Um desejo de estar perto,
De quem está longe de nós;
Um ai que não sei ao certo
Se é um suspiro ou uma voz.

Um sorriso de tristesa,
Um soluço de alegria,
O suplício da incerteza
Que uma esperança alivia.

Nessas três sílabas há de
Caber toda uma canção,
Bendita a dor da saudade
Que faz bem ao coração.

Um longo olhar que se lança
Numa carta ou numa flor;
Saudade, irmã da esperança,
Saudade, filha do amor.

Uma palavra tão breve,
Mas tão longe de sentir!
E há tanta gente que a escreve
E a não sabe traduzir.

Gosto amargo de infelizes
Foi como a chamou Garret;
Coração calado, dizes
Num suspiro o que ela é.

A palavra é bem pequena,
Mas diz tanto, de uma vez!
Por ela valeu a pena
Inventar-se o português.

Saudade - um suspiro, uma ânsia,
Uma vontade de ver
A quem nos vê, a distância,
Com olhos de bem querer.

A saudade é calculada,
Por algarismos também:
Distância multiplicada,
Pelo fator - querer bem.

A alma gela-se de tédio,
Enchem-se os olhos de ardor.
Saudade - dor que é remédio
Remédio que aumenta a dor!.

 foto: roselândia

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Um Pouco de Tudo faz três anos

Amanhã, 06 de Setembro, Um pouco de tudo fará três anos.

Parece que foi ontem que ele recebeu o primeiro post.

Por incentivo e insistência de alguns amigos resolvemos criá-lo, sem ter a mínima idéia de como funcionava um blog. Com o auxílio dessas pessoas, que nos davam aula via Dihitt, ele surgiu e não poderíamos deixar de citar e novamente agradecer a alguns deles: Dani Figueiro do Mundo Insano http://www.andarsemrumo.blogspot.com/, Karla Nogueira do Recanto da Fenix www.recantodafenix.com  Geraldo do Pharisfaces ww.pharisfaces.blogspot.com/, e Rodrigo Piva do Curiosando http://www.curiosando.com.br/

Vieram outros tantos amigos que também nos incentivaram e continuam incentivando, merecendo, portanto, o nosso agradecimento, mas deixamos de citá-los a fim de não cometer qualquer injustiça, pois agradecimento com citações de nomes é como lista de festa de casamento: sempre esquecemos alguém.

Resolvemos, no terceiro aniversário de Um pouco de tudo, republicar a história “O longo caminho para casa”, não por falta de imaginação, mas por ser a postagem que mais gostamos.

Como foi postada em 13 de Dezembro de 2008, talvez muitos não a conheçam e esperamos que gostem.

O longo caminho para casa

Freqüentemente, um período de crise é um período de descobertas, um tempo em que não conseguimos manter o antigo modo de fazer as coisas e entramos numa acentuada curva de aprendizado. Às vezes é preciso uma curva para iniciar o crescimento.

Tive uma paciente que estava no oitavo ano de recuperação de um câncer cervical. Ela viera todas as semanas na época em que estava fazendo o tratamento contra o câncer, mas agora nos víamos apenas para “reavivar a memória”, quando ela se sentia pressionada e tensa. Helena era uma mulher deslumbrante, que passava muitas horas cuidando da aparência. Mesmo durante a pior fase da quimioterapia e doença suas unhas eram perfeitas; suas perucas primorosas. Ninguém vira seu rosto sem maquiagem desde que era menina. Permanecera solteira por muitos anos. Quando se casou, sempre acordava trinta minutos antes do marido para estar totalmente maquiada e vestida quando ele abrisse os olhos.

O Índice do Stress de Holmes-Rahe atribui o mesmo grau de stress para uma promoção e uma perda de emprego, para um casamento e um divórcio. Talvez seja a mudança em si que provoque o stress, seja ela uma perda ou um ganho. Helena veio me procurar para um de seus “retoques” porque ficara noiva. Ela descreveu o noivo como uma pessoa maravilhosa, gentil, leal, inteligente e com grande senso de humor. Ele era um homem de negócios muito bem sucedido e criativo. Estavam morando juntos fazia algum tempo e davam-se otimamente. Ela o descreveu como “perfeito”, exceto por uma coisa: faltava-lhe paixão. A vida romântica dos dois era “agradável, mas tediosa”. Ele lhe pedia permissão toda vez que a beijava. Ela não tinha certeza de ser isso o que desejava de um homem.

Tudo isso mudou abruptamente, no dia 17 de Outubro de 1989, às 17h04. Naquela tarde, Helena estava em uma das lojas de departamento mais finas do centro de São Francisco, procurando o traje perfeito para um jantar de negócios em honra de seu noivo. Na companhia de uma vendedora ela estava em um provador experimentando um vestido de seda fúcsia que acabara de decidir ser perfeito. As duas mulheres estavam admirando o vestido quando a vendedora sugeriu que Helena fosse vestida com ele até o sétimo andar para experimentar um par de sapatos que combinasse. Deixando todos os seus pertences no provador trancado, ela foi até a seção de calçados. Acabara de calçar um par de sapatos de salto alto, de tom perfeito, quando aconteceu o terremoto.

Todas as luzes se apagaram. O prédio tremeu violentamente e Helena foi atirada ao chão. No escuro, ouviu coisas caindo à sua volta. Quando o tremor passou, ela, algumas vendedoras e vários outros clientes deram um jeito de descer as escadas no escuro até a porta de saída. Vidros quebrados espalhavam-se por toda a parte.

Helena viu-se na rua com um vestido caríssimo e sapatos com salto de dez centímetros que combinavam perfeitamente. Pessoas assustadas e atarantadas passavam rápido por ela. Toda a sua roupa e sua bolsa estavam em algum lugar no caos escuro de um prédio no qual possivelmente não era seguro entrar. Seu dinheiro estava na bolsa. As chaves do carro também. Andando até a esquina, ela tentou fazer uma ligação no telefone público. Não funcionava.

Helena era uma pessoa que nunca fora capaz de pedir ajuda, e não conseguiu pedir ajuda naquela situação. Começou a andar em direção ao norte, para sua casa em San Rafael, a muitos quilômetros dali.

Ela demorou quase oito horas para chegar. Depois de algum tempo, seus pés começaram a doer, por isto ela tirou os sapatos de salto e jogou-os fora. Continuando a andar, as meias de náilon rasgaram e seus pés começaram a sangrar. Ela passou por prédios que tinham desabado, tropeçou em detritos, chapinhou em ruas cobertas de água imunda devido às tentativas de apagar o fogo. Suja, suada e despenteada, ela seguiu pela marina até a ponte Golden Gate, atravessou-a até o condado vizinho. Chegou a casa pouco depois da meia noite e bateu à porta. O noivo abriu, ele que nunca antes a tinha visto com os cabelos desalinhados. Sem uma palavra, ele a tomou nos braços, fechou as portas com um chute, cobriu seu rosto sujo e manchado de lágrimas com beijos e fez amor com ela ali mesmo no chão.

Helena é uma pessoa muito inteligente, mas não conseguiu entender porque nunca encontrara aquele amante ardoroso antes. Quando lhe perguntou ele respondeu simplesmente: “Eu estava sempre com medo de borrar seu batom”.

Ela me contou que hoje, quando começa a ter uma recaída do seu antigo perfeccionismo, lembra o olhar de amor no rosto do noivo quando ele abriu a porta. Toda a sua vida ela fora alvo dos olhares dos homens, mas nunca vira aquela expressão em nenhum deles antes.

No âmago e toda verdadeira intimidade está uma certa vulnerabilidade. É difícil confiar a alguém nossa vulnerabilidade se não vemos na pessoa uma vulnerabilidade equivalente e sabemos que não seremos julgados. De algum modo fundamental, nossas imperfeições e até mesmo nossa dor, atraem os outros para perto de nós.

Do livro: “Histórias que curam – Conversas sábias ao pé do fogão” – Rachel Naomi Remen
ilustração: freepik.com

sábado, 3 de setembro de 2011

A palavra

Depois do exemplo é, sem dúvida, a palavra falada ou escrita a grande alavanca dos ideais.

A palavra parece pouco, parece nada, um sopro que passa: e é tudo. Tiranias radicadas, erros seculares são destronados pela ação incoercível da palavra.

Sob sua mágica influência raia a luz no seio das trevas, irrompe a liberdade no reino da opressão, vence o altruísmo o império do egoísmo.

A palavra ilumina, convence, edifica, converte. Ela penetra o recesso das consciências, sonda o abismo dos corações.

Não há poder que a detenha, não há força que a neutralize: basta que seja a expressão da verdade.

Não são as balas que vencem o despotismo: é a palavra. Ela é como a fé: remove montanhas. A queda da Bastilha, símbolo augusto da liberdade dos povos, é um dos seus feitos gloriosos. À sua prodigiosa magia a Humanidade se agita e se convulsiona. A boca dos canhões, vomitando fogo, não apavora tanto os redutos da iniqüidade quanto a boca do homem proclamando a verdade.

O livro, a imprensa, a tribuna: eis o arsenal, o material bélico indispensável às grandes conquistas libertadoras. Tais as armas que conduzem à vitória da justiça.

Feche-se o livro, entrave-se o prelo, deite-se abaixo a tribuna: o mundo mergulhará no abismo.

A palavra é o dom por excelência. No reino animal, só ao homem foi dado exprimir-se pela prolação do verbo. O Verbo é divino. "O Verbo se fêz carne e habitou entre os homens."

"No começo tudo era vão e vazio, e o Verbo, então, disse: "Faça-se a luz, e a luz foi feita." O pensamento é força, é poder, é energia: palavra é o seu veiculo. Nada se faz no plano em que vivemos sem a sua valiosa e indispensável atuação.

Empreguemos, portanto, a palavra para o fim nobre a que se destina: revelar o nosso sentimento exprimir os anelos e anseios de nossa alma. Nunca a aviltemos como meio de simulação e dissimulação. Conjuguemos nosso verbo pelo paradigma do Verbo deificado.

Honremos a palavra, divinizando-a em nossos corações. Que ela seja em todas as emergências de nossa vida a expressão fiel e sincera do que realmente existe em nosso interior. Rendamos-lhe culto, espalhando livros a mancheias, coadjuvando a imprensa, vivificando a tribuna. Só assim cumpriremos o dever, que a todos nós assiste, de espancar as trevas, de combater o vício, o crime, as moléstias e todos os demais flagelos da Humanidade.

fonte: livro Em Torno do Mestre
ilustração: Photl.com
Related Posts with Thumbnails