quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Casa arrumada

Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.

Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.

Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...

Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:

Aqui tem vida...

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.

Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.

Sofá sem mancha?

Tapete sem fio puxado?

Mesa sem marca de copo?

Tá na cara que é casa sem festa.

E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.

Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.

Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...

Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.

A que está sempre pronta pros amigos, filhos...

Netos, pros vizinhos...

E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.

Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...

Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...

E reconhecer nela o seu lugar.

"A VIDA é uma pedra de amolar; desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos."

Carlos Drumond de Andrade
foto: Casa e jardim

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Um lugar para se estar

Havia no alto de uma montanha, uma pequena cidade chamada Engano, e seus moradores tinham medo de descer de lá, pois seus ancestrais diziam que aquele que simplesmente olhasse para baixo nas extremidades do monte seria tragado por este e jamais voltaria. Assim todos mantinham distância.

Fatos interessantes aconteciam ali. Um deles é que não havia grades nas celas da prisão, o que tinha era um grande cartaz em frente de cada uma, escrito: "Você está preso". Assim os encarcerados se mantinham presos. Mas isso acontecia não porque eram obedientes e educados, mas porque pensavam que realmente estavam presos.

O líder daquele povoado era o Sr. Não Pense Muito, e seu lema era: "Não pense, eu penso por você".
Todos o tratavam como um deus, pois ele havia vindo do abismo da montanha. As pessoas ali falavam com ele, e faziam somente o que ele ordenava. Ele era a mente delas, ele as manipulava.

Os habitantes de Engano não sabiam fazer nada por si mesmos, eram tristes, mas sempre convencidos que estavam felizes. Eram verdadeiros robôs. O Sr. Não Pense Muito dizia-lhes tudo o que fazer, e isso era com todo o povo, sendo que seus antepassados havia-os ensinado a viver daquela maneira. O Sr. Não Pense Muito se aproveitava da situação.
Todos com seus medos, não entendiam que na verdade não haviam deixado de pensar, mas pensavam que tudo dito a eles era o verdadeiro.

Certo dia, um homem já velho, triste com sua vida, resolveu, por si mesmo, ir até a extremidade da montanha. Queria saber o que tinha ali, afinal não tinha o que perder. Chegou-se e com medo fechou os olhos. Lentamente os abriu e, num instante contemplou um lindo cenário, o qual jamais tinha visto: viu florestas, rios, casas e pessoas. Afinal, o que era aquilo? Seria um delírio por sua velhice? Achegou-se para trás, deu um frágil sorriso, se sentou e começou a pensar em tudo o lhe havia sido dito. Então percebeu que sentia algo que antes nunca houvera sentido. Ele estava confuso. Porém, sentiu algo novo crescendo a cada instante mais: seu entendimento.

Agora pela primeira vez em toda sua vida pensou por si próprio. Permaneceu naquele lugar por mais dois dias e nesse tempo imaginou como seria bom se todos os demais soubessem a verdade.

Decorrido o tempo ali, pensava em como levar ao conhecimento dos demais sua descoberta. Então voltou à cidade, juntou várias crianças consigo e as levou até o local lhes mostrando o que vira antes. As crianças ficaram muito alegres. Todos voltaram até à cidade - Engano. O velho homem foi até a praça e gritou bem alto, ainda que sua voz fosse fraca: "Existem outros lugares além de Engano, e eu o chamei Entendimento.

Além da extremidade da montanha existe algo melhor, é só vir e comprovar. Não precisam acreditar em mim, apenas venham e vejam".
Infelizmente, ninguém lhe atendeu. O Sr. Não Pense Muito mandou prendê-lo, mas ele não permaneceu, afinal cadeia sem grades não pode prender ninguém, pelo menos alguém que pense não ficaria lá.

O ancião resolveu descer a montanha e viver naquele lugar que chamara Entendimento e nunca mais foi visto pelos habitantes de Engano. Mas algo aconteceu: aquelas crianças que haviam visto a verdade e cresceram com ela revolucionaram aquela cidade e lhe deram um novo nome: Sabedoria.

Tinham um novo líder, um daqueles que vira o Entendimento. Seu nome era Mestre e seu lema era: "Aprenda comigo, pense consigo, e chegue a uma conclusão".
Desconheço o autor
foto: BBC-Brasil


terça-feira, 23 de agosto de 2011

23 de Agosto: dia da injustiça

23 de agosto é o Dia da Injustiça. Quem já não foi injustiçado? Se você já foi, leia o texto abaixo e procure mudar se ainda guarda recentimento:

Sentia-se muito triste. Há dias, não conciliava o sono.

Tendo se dedicado as pessoas, de forma integral, recebia as pedradas de uma grande injustiça.

E sofria. Doía-lhe a cabeça. A alma sangrava.

Rogando o socorro dos benfeitores da vida, recordou que o mal não deve ser valorizado. Nós é quem damos valor à injustiça. Se damos valor à mentira, sofremos o efeito da mentira.

Se sabemos que não é verdade, por que sofrer?

Lembrou-se, ainda da seguinte parábola:

Havia uma fonte pequena e insignificante, perdida num bosque. Um dia, um viajante passou por ali, atirou um balde, retirou água e acabou com a sede.

A fonte ficou feliz e disse para si mesma:

"Como eu gostaria de poder dessedentar os viandantes, já que sou uma água preciosa."

E Deus permitiu que ela viesse à tona, de forma que as aves e os animais pudessem dela se servir.

"Que bom é ser útil. Gostaria de ir além, umedecer as raízes das árvores. Correr a céu aberto." - pensou a fonte.

Veio a chuva, ela transbordou e se transformou num córrego.

Feliz, desejou chegar ao mar, porque o destino dos córregos e dos rios é atingir o mar.

E o riacho se tornou um rio. O rio avolumou as águas. Mas, numa curva do caminho, havia um toro de madeira, impedindo-lhe a passagem.

O rio tentou passar por baixo, contornar. Sem êxito. Então o rio cresceu e transpôs o obstáculo com firmeza.

No seu percurso, foi levando seixos, pedras, pequenos empecilhos que encontrou.

Quando algo imovível se apresentava à frente, ele crescia e o transpunha, até alcançar o mar.

E concluiu o benfeitor espiritual:

Todos nós somos fontes de Deus. Um dia, alguém se acercou de ti e pediu para beber da água que tinhas.

A felicidade te encheu a alma e pediste a Deus para servir mais. Então, transbordaste de amor e cresceste.

A alegria cantava hinos aos teus ouvidos. Agora, quando uma dificuldade se apresenta, tu choras?

Faze como o rio. Transpõe as pedras das dificuldades. Não fiques a te lamentar.

Tua fatalidade é o mar, o grande oceano da misericórdia Divina.

Pode ser que, em nossa vida, estejamos a passar por algo semelhante.

Aproveitemos a lição. Não permitamos que os maus nos entravem a trilha por onde seguimos.

Suplantemos as dificuldades.

Injustiças nos perseguem? Não façamos caso, não as valorizemos, porque somente a verdade é imperecível.

Os homens que cometem as injustiças, logo mais não estarão mais na Terra.

Como nós mesmos. Preocupemo-nos somente em oferecer as águas do nosso amor a quem necessita.

Não permitamos que a inveja e a maldade empanem o brilho das nossas conquistas.

O que importa é a nossa semeadura nobre, digna, de cada dia, para que, ao final da jornada, possamos olhar para trás e ver somente o rastro de bênçãos que deixamos em nossa caminhada.

Baseado no texto "Ante a injustiça" - Momento Espírita
ilustração: internet

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O vendedor de fumaça

É por demais conhecida a história do ganancioso mercador que cozinhava certa porção de carne, quando um mendigo faminto quis amaciar o seu pão e torná-lo mais tragável, virando e revirando a côdea sobre a fumaça que se desprendia do caldeirão.

O dono do cozido quis cobrar a fumaça, alegando que, se o cozido era seu, a fumaça também era, e ninguém tinha o direito de se aproveitar dela sem pagar. Tanto discutiram que o caso foi levado ao grão-vizir. E então o esclarecido primeiro-ministro do sultão perguntou ao mendigo.

- Tem você algum dinheiro.

- Sim, alguns níqueis que me deram, meu senhor.

- Passe-os para cá.

Toda gente pasmou, pensando que o vizir ia obrigá-lo a pagar.

- Tome este dinheiro – disse o vizir ao mercador ganancioso.

- Sacode-o bem. É dinheiro bom, não é?

- Sim meu senhor – respondeu o negociante obsequiosamente.

- Sacuda mais – tornou o vizir – Ouve o barulho?

- Sim, meu senhor.

- Pois bem – sentenciou o vizir – Devolve já o dinheiro a este pobre homem. Se já ouviu o seu barulho, é bastante. Aquele que vende fumaça de cozido pode bem ser pago com o barulho de dinheiro.

fonte: O livro dos mestres
ilustração: internet

domingo, 21 de agosto de 2011

O que os outros dizem... O que os outros pensam...

Conta-se a história de um monge em viagem que, cansado, repousou sob uma árvore. Não tendo travesseiro, arrumou alguns tijolos e neles descansou a cabeça. Algumas mulheres transitavam pelo caminho, indo apanhar água no rio. Vendo o monge em repouso disseram entre si:

-Esse jovem tornou-se monge e ainda não consegue passar sem um travesseiro; usa tijolos em seu lugar!

Prosseguiram o seu caminho e o monge pensou: “Têm razão de criticar-me”. Pondo de lado os tijolos, descansou a cabeça na terra. Logo depois, as mulheres voltaram e viram que os tijolos haviam sido postos de lado. Então, exclamaram com desdém:

- Que belo tipo de monge! Ofendeu-se quando dissemos que usava travesseiro. Veja, agora: pôs fora o travesseiro!

O monge refletiu: “Se uso travesseiro criticam-me. Se deixo de usá-lo, também não lhes agrado. Impossível satisfazê-las. Deixe-me, pois, agradar somente a Deus.

Nenhum homem verdadeiramente espiritual age tendo em vista causar boa impressão aos outros ou buscando prestígio para si. Às vezes sentem exatamente o oposto, ou seja, se por amor de Deus for preciso ficar contra o mundo inteiro, ele ficará – e ficará sozinho. Ele não se preocupa com o que os outros pensam dele.

Swami Prabhavananda
ilustração: Árvores do Brasil

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sobre o amor e amar


O amor não existe sem admiração. Quando você perde a admiração, o amor acaba. (Patrícia Pilar)


Me ame quando menos mereço; e quando mais preciso. (autor ignorado)


O amor é provavelmente o único vislumbre de eternidade que nos é concedido. (Helen Hayes)


Não confiar no amor da pessoa amada equivale a não confiar em nosso valor como objetos do amor. ((Marina Colasanti)


Amar é mudar a alma de casa. (Mário Quintana)


O verdadeiro amor não tem dono; ambos os parceiros obedecem. (Alejandro Casona)


Tudo se perdoa ao amor, ainda quando ele brota de ruínas. (Machado de Assis)


O amor não suporta a dúvida – a crença lhe é fundamental. (Betty Milan)


A maior loucura que se faz por amor é o que se faz diariamente quando você ama: dividir a atenção de sua vida com outra pessoa. (Marcos Mion)


Seria maravilhoso se o amor fosse eterno, mas não dá para viver o cotidiano jogando todas as fichas nisso. Cada dia é um novo casamento. (Andréa Beltrão)


Acredito que o amor deve fazer de você uma pessoa forte, feliz e potente para a vida. (Alessandra Negrini)


Quando o amor é a sua maior fraqueza, você acaba por se tornar a pessoa mais forte do mundo. (Garman Wold)


O amor não fica ali parado, como uma pedra: tem de ser feito, como o pão, refeito o tempo todo, renovado. (Ursula Le Guin)


O amor não é louco. Sabe muito bem o que faz, e nunca, nunca age sem motivo. Loucos somos nós, que insistimos em querer entendê-lo no plano da razão. (Marina Colassanti)


Amar é sair de mim e ir ao encontro do outro para fazê-lo feliz. O amor é a comunhão, não é a reprodução. (Pe. Victor Feytor Pinto)


Quem disse que o amor é cego está redondamente enganado. O amor é a única coisa que permite nos vermos uns aos outros com a mais leve precisão. (Martha Beck)


O verdadeiro amor começa quando nada se quer em troca. (Saint Exupéry)

É tão bom morrer de amor e continuar vivendo ...! (Mario Quintana)


Só há uma lei no amor: fazer felizes aqueles que amamos. (autor desconhecido)


O amor é cego, mas o casamento devolve-lhe a visão. (autor desconhecido)
música: Roupa Nova - Amo em Silêncio


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Relação de Bens

"O pai moderno, muitas vezes perplexo, aflito, angustiado, passa a vida inteira correndo atrás do futuro e se esquecendo do agora. Na luta para edificar este futuro, ele renuncia ao presente. Por isso, é um homem ocupado, sem tempo para os filhos, envolvido em mil atividades - tudo com o objetivo de garantir o seu amanhã.
E com que prazer e orgulho, cada ano, ele preenche sua declaração de bens para o Imposto de Renda. Cada nova linha acrescida foi produto de muito esforço, muito trabalho. Lote, casa, apartamento, sítio - tudo isso custou dias, semanas, meses de luta. Mas ele está sedimentando o futuro de sua família. Se ele parte um dia, por qualquer motivo, já cumpriu sua missão e não vai deixar ninguém desamparado.

E para ir escrevendo cada vez mais linhas na sua relação de bens, ele não se contenta com um emprego só - é preciso ter dois ou três; vender parte das férias, em vez de descansar junto à família; levar serviço para fazer em casa, em vez de ficar com os filhos; e é um tal de viajar, almoçar fora, discutir negócios, marcar reuniões, preencher a agenda - afinal, ele é um executivo dinâmico, faz parte do mundo competitivo, não pode fraquejar.

No entanto, esse homem se esquece de que a verdadeira declaração de bens, o valor mais alto, aquele que efetivamente conta, está em outra página do formulário do Imposto de Renda - mais precisamente, naquelas modestas linhas, quase escondidas, onde se lê "relação dos dependentes". Aqueles que dependem dele, os filhos que ele colocou no mundo, e a quem deve dedicar o melhor de seu tempo.

Os filhos são novos demais, não estão interessados em lotes, casas, salas para alugar, aumento de renda bruta - nada disso. Eles só querem um pai com quem possam conviver, dialogar, brincar.

Os anos vão passando, os meninos vão crescendo, e o pai nem percebe, porque se entregou de tal forma ao trabalho - vulgo construção do futuro - que não viveu com eles, não participou de suas pequenas alegrias, não os levou ou buscou no colégio, nunca foi a uma festa infantil, não teve tempo para assistir a coroação da menina - pois um executivo não deve desviar sua atenção para essas bobagens. São coisas de desocupados.

Há filhos órfãos de pais vivos, porque estão "entregues" - o pai para um lado, a mãe para o outro, e a família desintegrada, sem amor, sem diálogo, sem convivência. E é esta convivência que solidifica a fraternidade entre os irmãos, abre seu coração, elimina problemas, resolve as coisas na base do entendimento.

Há irmãos crescendo como verdadeiros estranhos, porque correm de um lado para o outro o dia inteiro - ginástica, natação, judô, balé, aula de música, curso de Inglês, terapia, lição de piano, etc. - e só se encontram de passagem em casa, um chegando, o outro saindo. Não vivem juntos, não saem juntos, não conversam - e, para ver os pais, quase é preciso marcar hora.

Depois de uma dramática experiência pessoal e familiar vivida, a única mensagem que tenho para dar - e que tem sido repetida exaustivamente em paróquias, encontros familiares, movimentos e entidades - é esta: não há tempo melhor aplicado do que aquele destinado aos filhos.
Dos 18 anos de casado, passei 15 anos correndo e trabalhando, absorvido por muitas tarefas, envolvido em várias ocupações, totalmente entregue a um objetivo único e prioritário : construir o futuro para três filhos e minha mulher.

Isso me custou longos afastamentos de casa, viagens, estágios, cursos, plantões no jornal, madrugadas no estúdio da televisão, uma vida sempre agitada, atarefada, tormentosa, e apaixonante na dedicação à profissão escolhida - e que foi, na verdade, mais importante do que minha família. 

E agora, aqui estou eu, de mãos cheias e de coração aberto, diante de todos vocês, que me conhecem muito bem. Aqui está o resultado de tanto esforço: construí o futuro, penosamente, e não sei o que fazer com ele, depois da perda do Luiz Otávio.

De que valem casa, carros, sala, lote, e tudo o mais que foi possível juntar nesses anos todos de esforço, se ele não está mais aqui para aproveitar isso com a gente?
Se o resultado de 30 anos de trabalho fosse consumido agora por um incêndio, e desses bens todos não restasse nada mais do que cinzas, isso não teria a menor importância, não ia provocar o menor abalo em nossa vida, porque a escala de valores mudou, e o dinheiro passou a ter um peso mínimo e relativo em tudo.

Se o dinheiro não foi capaz de comprar a cura e a saúde de um filho amado, para que serve ele? Para ser escravo dele?

Eu trocaria  explodindo  de  felicidade  todas  as linhas da  declaração de bens
por uma única linha que eu tive de retirar, do outro lado da folha: o nome do meu filho na relação dos dependentes. E como me doeu retirar essa linha na declaração de 1983, ano base de 82."

Texto extraído do site www.velhosamigos.com.br, e que é atribuído a Hélio Fraga, jornalista em Belo Horizonte-MG

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A árvore gigante

Um carpinteiro e seus auxiliares viajavam pela província de qi em busca de material para construções viram uma árvore gigantesca; cinco homens de mãos dadas não conseguiam abraçá-la e seu topo era tão alto que quase tocava as nuvens.

- Não vamos perder nosso tempo com essa árvore - disse o mestre carpinteiro.

- Para cortá-la demoraremos muito. Se quisermos fazer um barco ele afundará, de tão pesado o seu tronco. Se resolvermos usá-la para a estrutura de um teto, as paredes terão que ser exageradamente resistentes.

O grupo seguiu adiante. Um dos aprendizes comentou :

 - É uma árvore tão grande e não serve para nada !

- Você está enganado - disse o mestre carpinteiro.

- Ela seguiu seu destino à  sua maneira. Se fosse igual as outras, nós já a teríamos cortado. Mas, porque teve coragem de ser diferente, permanecerá viva e forte por muito tempo.

Revista da folha 27/8/2000
foto: Michael Nichols da National Geographics

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Não deixe para amanhã

Era uma vez... Um garoto que nasceu com uma doença que não tinha cura.

Tinha 17 anos e podia morrer a qualquer momento. Sempre viveu na casa de seus pais, sob o cuidado constante de sua mãe. Um dia decidiu sair sozinho e, com a permissão da mãe, caminhou pela sua quadra, olhando as vitrines e as pessoas que passavam. Ao passar por uma loja de discos, notou a presença de uma garota, mais ou menos da sua idade, que parecia ser feita de ternura e beleza. Foi amor a primeira vista.

Abriu a porta e entrou, sem olhar para mais nada que não a sua amada.

Aproximando-se timidamente, chegou ao balcão onde ela estava.

Quando o viu, ela deu-lhe um sorriso e perguntou se podia ajudá-lo em alguma coisa. Era o sorriso mais lindo que ele já havia visto, e a emoção foi tão forte que ele mal conseguiu dizer que queria comprar um CD.

Pegou o primeiro que encontrou, sem nem olhar de quem era, e disse "Esse aqui". "Quer que embrulhe para presente?" perguntou a garota sorrindo ainda mais e ele só mexeu com a cabeça para dizer que sim.

Ela saiu do balcão e voltou, pouco depois, com o CD muito bem embalado.

Ele pegou o pacote e saiu, louco de vontade de ficar por ali, admirando aquela figura divina.

Daquele dia em diante, todas as tardes voltava a loja de discos e comprava um CD qualquer. Todas as vezes a garota deixava o balcão e voltava com um embrulho cada vez mais bem feito, que ele guardava no closet, sem nem abrir. Ele estava apaixonado, mas tinha medo da reação dela, e assim, por mais que ela sempre o recebesse com um sorriso doce, não tinha coragem para convidá-la para sair e conversar. Comentou sobre isso com sua mãe e ela o incentivou, muito, a chamá-la para sair.

Um dia, ele se encheu de coragem e foi para a loja. Como todos os dias comprou outro CD e, como sempre, ela foi embrulhá-lo. Quando ela não estava vendo, escondeu um papel com seu nome e telefone no balcão e saiu da loja correndo.

No dia seguinte o telefone tocou e a mãe do jovem atendeu. Era a garota perguntando por ele. A mãe, desconsolada, nem perguntou quem era, começou a chorar e disse: "Então, você não sabe? Faleceu essa manhã".

Mais tarde, a mãe entrou no quarto do filho, para olhar suas roupas e ficou muito surpresa com a quantidade de CDs, todos embrulhados.

Ficou curiosa e decidiu abrir um deles. Ao fazê-lo, viu cair um pequeno pedaço de papel, onde estava escrito: "Você é muito simpático, não quer me convidar para sair? Eu adoraria". Emocionada, a mãe abriu outro CD e dele também caiu um papel que dizia o mesmo, e assim todos quantos ela abriu traziam uma mensagem de carinho e a esperança de conhecer aquele rapaz.
    
Assim é a vida: não espere demais para dizer a alguém especial aquilo que você sente.

Diga já !!! Amanhã    pode   ser muito tarde. Essa mensagem foi   escrita para fazer as pessoas refletirem e assim, pouco a pouco, irem mudando o mundo. Esta história serve para dizer que você é muito especial, então,  envie-a AGORA, de imediato, não daqui a pouco, para as pessoas de quem gosta e estima!!!!!! Aproveita e fala, escreve, telefona e diz o que ainda não foi dito. Não deixe para amanhã. Quem sabe não dá mais tempo.
É melhor tentar e não conseguir êxito a lamentar-se por não ter tentado, imaginando o que poderia acontecer !!!!

texto: Airton Bandeira
ilustração: internet

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