sábado, 30 de julho de 2011

O Destino

Quando pronunciamos a palavra “destino” não há ninguém que não conceba alguma coisa de sombrio, de terrível e letal. No fundo do pensamento dos homens só há o caminho que nos conduz à morte. Destino é, na maior parte das vezes, o nome que os homens dão à morte que ainda não chegou. É a própria morte encarada no futuro, é a sombra da morte projetada sobre a vida.

“Nenhum homem escapa ao seu destino”, dizemos com o pensamento na emboscada que espera o viajante na volta do caminho. Mas se o viajante encontra a felicidade, já não falamos mais do destino, ou dele não mais falamos com o mesmo deus. E, entretanto, não poderá acontecer que quem caminha pela vida encontre uma felicidade maior que a desgraça e mais importante que a morte? Não pode acontecer que ele encontre uma felicidade, que nós não vemos, e que, se torne menos visível à medida que ele se eleve?

Se se trata de uma miserável aventura, toda a aldeia, a cidade inteira acorre; mas se se trata de um beijo, dum raio de beleza que tenha ferido nossos olhos, ou dum raio de amor que haja iluminado nosso coração, ninguém dá tento. E, no entanto, um beijo pode ser de tanto valor para a alegria como uma ferida é importante para a dor. Não somos justos; quase nunca misturamos o destino à felicidade; e se ligamos à morte é para reuni-lo a uma desgraça ainda maior que a morte.
 ilustração - internet
Maurice Maeterlinek -“A Sabedoria e o Destino”

sexta-feira, 29 de julho de 2011

E se a vida fosse uma estrada?

Cada um de nós caminha pela vida como se fosse um viajante que percorre uma estrada.

Há os que passam pouco tempo caminhando e os que ficam por longos anos.

Há os que veem margens floridas e os que somente enxergam paisagens desertas.

Há os que pisam em macia grama e os que ferem os pés em pedras pontudas e espinhos.

Há os que viajam em companhias amigas, assinaladas por risos e alegria. E há os que caminham com gente indiferente, egoísta e má.

Há os que caminham sozinhos – inclusive crianças - e os que vão em grandes grupos.

Há os que viajam com pai e mãe. E os que estão apenas com os irmãos. Há quem tenha por companhia marido ou esposa.

Muitos levam filhos. Outros carregam sobrinhos, primos, tios. Alguns andam apenas com os amigos.

Há quem caminhe com os olhos cheios de lágrimas e há os que se vão sorridentes.

Mas, mesmo os que riem, mais adiante poderão chorar. Nessa estrada, nunca se conheceu alguém que a percorresse inteira sem derramar uma lágrima.

Pela estrada dessa nossa vida, muitos caminham com seus próprios pés. Outros são carregados por empregados ou parentes.

Alguns vão em carros de luxo, outros em veículos bem simples. E há os que viajam de bicicleta ou a pé.

Há gente branca, negra, amarela. Mas se olharmos a estrada bem do alto, veremos que não dá para distinguir ninguém: todos são iguais.

Há gente magra e gente gorda. Os magros podem ser assim por elegância e dieta ou porque não têm o que comer.

Alguns trazem bolsas cheias de comida. Outros levam pedacinhos de pão amanhecido.

Muitos gostam de repartir o que têm. Outros dão apenas o que lhes sobra. Mas muita gente da estrada nem olha para os viajantes famintos.

Há pessoas que percorrem a estrada sempre vestidas de seda e cobertas de joias. Outros vestem farrapos e seguem descalços.

Há crianças, velhos, jovens e casais, mas quase todos olham para lugares diferentes.

Uns olham para o próprio umbigo, outros contemplam as estrelas, alguns gostam de espiar os vizinhos para fofocar depois.

Uma boa parte conta o dinheiro que leva e há os que sonham que um dia todos da estrada serão como irmãos.

Entre os sonhadores há os que se dedicam a dar água e pão, abrigo e remédio aos viajantes que precisam.

Há pessoas cultas na estrada e há gente muito tola. Alguns sabem dizer coisas difíceis e outros nem sabem falar direito.

Em geral, os sabichões não gostam muito da companhia dos analfabetos.

O que é certo mesmo é que quase ninguém na estrada está satisfeito. A maioria dos viajantes acha que o vizinho é mais bonito ou viaja de forma bem mais confortável.

É que na longa estrada da vida, esquecemos que a estrada terá fim.

E, quando ela acabar, o que teremos?

Carregaremos, sim, a experiência aprendida durante o tempo de estrada e estaremos muito mais sábios, porque todas as outras pessoas que vimos no caminho nos ensinaram algo.

A estrada de nossa existência pode ser bela, simples, rica, tortuosa. Seja como for, ela é o melhor caminho para o nosso aprendizado.

Assim, siga pela estrada ensolarada. Procure ver mais flores. Valorize os companheiros de jornada, reparta as provisões com quem tem fome.

E, sobretudo, não deixe de caminhar feliz, com o coração em festa, agradecido a Deus por ter lhe dado a chance de percorrer esse caminho de sabedoria.

Fonte: Momento Espírita
Foto: A/E - Helvio Romero

terça-feira, 26 de julho de 2011

Tem alguém em casa ?

Há poucos meses, recebi um telefonema intrigante. Não havia um "Alô", nenhuma desculpa pelo número errado, nem mesmo uma oferta de seguro de vida ou uma pesquisa sobre o sabão em pó preferido; somente um som estranho, uma batida, um farfalhar e de vez em quando, um pequeno estalido. Anotei o número que tinha me discado e, depois de alguns minutos, liguei de volta, preparado para o que desse e viesse, desde chamar uma ambulância até ameaçar com a polícia por causa de um trote. Mas, outra vez, havia os mesmos sons irregulares, um farfalhar, batidas e estalidos, e nem sombra de alguém que fosse humano.


Tentei esquecer o assunto, mas vinte minutos depois, o telefone tocou. Cautelosamente, apanhei-o. Novamente, meu evasivo interlocutor tilintou e fez sons no telefone por uns bons cinco minutos. Esgotei toda minha gama de "Alôs", sendo desde "educado e gentil" passando por "rude e determinado" até "flagelo do sub-mundo do crime", mas tudo foi em vão. Aturdido, tomei nota do número e desliguei.

Algumas horas depois, aconteceu outra vez. Desta vez, tentei tudo que me foi possível para escutar algum tipo de interação racional, em vão tentando discernir um comportamento, um propósito, por detrás desta sinfonia caótica e abafada que tocava em meu telefone. Novamente, nada aconteceu.

Naquela noite, tomei coragem e disquei para meu estranho amigo uma vez mais. Desta vez, alguém atendeu, e depois de uns minutos um tanto confusos, ficou claro que alguém que tinha me ligado de um telefone celular estava carregando o aparelho para lá e para cá, juntamente com vários outros objetos. Estes tinham batido contra o aparelho, e vez por outra, apertado os botões para fazê-lo rediscar o último número chamado. Eu tinha passado boa parte de meu dia falando com uma mochila.

Durante a vida, Deus nos dá vários telefonemas. Mas Ele receberá uma resposta? E se Ele escutar o farfalhar incoerente de preocupações financeiras, o tilintar ao acaso de pensamentos sobre os problemas mundanos, a colisão incessante das distrações da televisão, da Internet e das conversas à toa?

Você atenderá o telefonema de Deus e aceitará Seu convite para conversar e estar com Ele - ou Ele falará somente com sua mochila?


Desconheço o autor
foto: internet

sábado, 9 de julho de 2011

A chama da alma

Havia um rei que apesar de ser muito rico, tinha a fama de ser um grande doador, desapegado de sua riqueza. De uma forma bastante estranha, quanto mais ele doava ao seu povo, auxiliando-o, mais os cofres do seu fabuloso palácio se enchiam.

Um dia, um sábio que estava passando por muitas dificuldades, procurou o rei. Ele queria descobrir qual era o segredo daquele monarca.

Como sábio, ele pensava e não conseguia entender como é que o rei, que não estudava as sagradas escrituras, nem levava uma vida de penitência e renúncia, ao contrário, vivia rodeado de luxo e riquezas, podia não se contaminar com tantas coisas materiais.

Afinal, ele, como sábio, havia renunciado a todos os bens da terra, vivia meditando e estudando e, contudo, se reconhecia com muitas dificuldades na alma. Sentia-se em tormenta. E o rei era virtuoso e amado por todos.

Ao chegar em frente ao rei, perguntou-lhe qual era o segredo de viver daquela forma, e ele lhe respondeu: “Acenda uma lamparina e passe por todas as dependências do palácio e você descobrirá qual é o meu segredo.”

Porém, há uma condição: se você deixar que a chama da lamparina se apague, cairá morto no mesmo instante.

O sábio pegou uma lamparina, acendeu e começou a visitar todas as salas do palácio. Duas horas depois voltou à presença do rei, que lhe perguntou: “Você conseguiu ver todas as minhas riquezas?”

O sábio, que ainda estava tremendo da experiência porque temia perder a vida, se a chama apagasse, respondeu: “Majestade, eu não vi absolutamente nada. Estava tão preocupado em manter acesa a chama da lamparina que só fui passando pelas salas, e não notei nada.”

Com o olhar cheio de misericórdia, o rei contou o seu segredo: “Pois é assim que eu vivo. Tenho toda minha atenção voltada para manter acesa a chama da minha alma que, embora tenha tantas riquezas, elas não me afetam.”

“Tenho a consciência de que sou eu que preciso iluminar meu mundo com minha presença e não o contrário.”

O sábio representa na história as pessoas insatisfeitas, aquelas que dizem que nada lhes sai bem. Vivem irritadas e afirmam ter raiva da vida.

O rei representa as criaturas tranqüilas, ajustadas, confiantes. Criaturas que são candidatas ao triunfo nas atividades que se dedicam. São sempre agradáveis, sociáveis e estimuladoras.

Quando se tornam líderes, são criativas, dignas e enriquecedoras.

Deste último grupo saem os que promovem o desenvolvimento da sociedade, os gênios criadores e os grandes cultivadores da verdade.

fonte: Momento Espírita
ilustração: internet

terça-feira, 5 de julho de 2011

O perfil da alegria

Ela surpreende pelo festival de bênçãos que a caracteriza.


Às vezes insinua-se com suavidade, qual madrugada que vence com gentileza as sombras aterradoras e triunfa, oferecendo reconforto.

Noutros ensejos é clarão inesperado que ilumina de um só golpe, a tudo dominando.


Seja como for, ela é imprescindível à vida.


A alegria é dádiva de Deus que sorri em toda parte, conclamando à renovação e ao entusiasmo.


Um minuto de júbilo ressarce todo um investimento de receios e preocupações, oferecendo reservas de energias para o prosseguimento das lutas.


A sua força vitaliza o corpo e incentiva o Espírito para a continuação do programa evolutivo.


A alegria é como um sol primaveril após a demorada invernia.


A alegria da Terra são as pequenas flores que explodem nos campos e matizam a natureza.


A alegria da ave são os amplos espaços a vencer.


A alegria do trabalhador é o fruto da sua ação.


O artista e o esteta, o cientista e o filósofo, o literato e o religioso colhem as dádivas da alegria no labor que realizam, como vitórias sobre as dificuldades e os desafios que enfrentam.


Em toda parte, quem ama encontra o toque de alegria que o amor de Deus assinala como beleza.


Como anda sua alegria?


Considerando os diversos momentos de seu dia, você poderia dizer que passa mais tempo com ou sem ela?


Mas, que razões temos para cultivá-la, uma vez que ainda vivemos num mundo de tantas dores? - alguém poderia indagar.


Sim, temos muitas razões!


A alegria do dever cumprido; da perseverança no ideal superior; da paciência na luta renovadora.


A alegria da resignação ante as dores; da bondade inalterável; do perdão incondicional.


A alegria da vitória sobre as paixões dissolventes; da vitória do eu novo sobre o eu antigo. Júbilo que redunda em paz, em plenitude do coração e da mente.


Temos razão para celebrar a alegria de amar, de querer bem, e também de ser amado por muitos.


Alegria da gratidão. Gratidão pela oportunidade da encarnação; pela proteção, pelo carinho dado e recebido.


Alegria de poder sonhar... De ser livre nos pensamentos, na imaginação.


Alegria de quem é imortal, e sabe que jamais será consumido pelo tempo.


De quem consegue perceber que a cada dia que passa estamos mais vivos, mais maduros, e temos a chance de estarmos mais felizes.


Nem mesmo aquele que padece dificuldades terríveis, pode dizer que não possui razões para a alegria.

Hoje já sabemos que, mesmo no sofrimento profundo, as Leis Divinas nos impulsionam para a felicidade maior.

Vive assim a alegria em seus dias, deixando que essa sua força lhe faça mais resistente às intempéries ainda comuns desses dias invernais.

A alegria é imprescindível à vida.

do livro Perfis da vida, Guaracy Paraná Vieira-Divaldo
Pereira Franco, ed.Leal
Foto UOL

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