sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A árvore orgulhosa

No meio de um jardim, junto a muitas outras árvores, havia um lindo cedro. Crescia a cada ano que passava, e seus galhos eram muito mais altos do que os galhos das outras árvores.

Tirem daí essa castanheira! — disse o cedro, inchado de orgulho ante a sua própria beleza. E a castanheira foi removida.

Levem embora aquela figueira! — disse o cedro. — Ela me incomoda. — E a figueira foi arrancada.

Tirem as macieiras! — prosseguiu o cedro, erguendo alto a sua bela cabeça. E as macieiras se foram.

Assim, o cedro fez com que uma a uma todas as outras árvores fossem arrancadas, até ficar sozinho, dono do grande jardim. Um dia, porém, houve uma forte ventania. O lindo cedro lutou com todas as forças, agarrando-se à terra com suas longas raízes. Mas o vento, sem outras árvores para detê-lo, dobrou e feriu o cedro e, finalmente, com grande estrondo, derrubou-o ao chão.
"O vendaval só derruba as árvores solitárias"

adaptação do livro Fábulas e Lendas - fonte: A era do espírito
ilustração: fotosearch


2 comentários:

José S. Pereira disse...

Sabedoria Felipe,

Se não nos reconhecermos como seres sociais e não percebermos a força que resulta para todos nessa associação, cairemos facilmente.

Como Humanidade, podemos tudo. Com Indivíduos, quase sempre somos impotentes.

Sou meio cabeçudo, teimoso mesmo. Nasci com um ódio à autoridade -qualquer autoridade que se valha do status para ser ouvida - que nem sei de onde veio. Mas o alimentei dia a dia.

Agi assim com pais, com professores, mentores e nunca consegui ter um ídolo, por mais que admirasse o trabalho em questão.

Porém, sempre me senti tão igual a todos que estão a minha volta. Dom médico ao gari. Do bêbado na sargeta ao ganhador do nobel da paz. Nem melhor, nem pior.

E nessa fraternidade, consolidei raízes fortes, amparando e sendo amparado por cada um. Mas...

Ai... ainda sou dos que, mesmo reconhecendo a sabedoria do vergar para não quebrar, eu quebro. Não consigo suportar a ideia de um retrocesso, de um deixar pra lá. Aceito, de bom grado, as derrotas. Porque com elas aprendo e caminho, digno, caminho adiante. Mas não desistiria nunca. Por mim e pelos que estão à minha volta. Enfim, me amparo e sou amparado. Não me concedo o direito de recusar-me a ser uma das árvores que "quebrarão" o ímpeto da ventania.

Abraços

Felipe disse...


Autoridade imposta é ditadura e mais cedo ou mais tarde, pela palavra ou pela revolta ela cai.
Quantas já vimos pela historia? E são lembradas não pelos seus feitos, mas pelo terror imposto.
Quebra-se a cara quando se vai contra a maré em situações como essas? Sem dúvida, pois a maioria segue como carneiros para o matadouro. "É cômodo, simples, convem, mas antes só do que mal acompanhado".
Se quebramos, em casos como esses, nada mais salutar. "É melhor morrer por um ideal do que deixálo morrer sozinho.
Forte Abraço.

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