sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Pimenta nos olhos dos outros não é refresco

As heroínas de Tejucupapo

Tejucupapo é uma pequena vila situada próximo à Praia de Pedras, no litoral norte de Pernambuco.

Em1646, ocorreu ali um fato no mínimo curioso.

O distrito possuía apenas uma rua larga, quase uma praça, ladeada por casas simples, destacando-se ao final dela a Igreja de São Lourenço de Tejucupapo de arquitetura jesuítica, como acontecia com as igrejas erguidas no início da colonização.

A população existente no local era composta de algumas famílias que viviam da pesca.

Todos os domingos, os homens da aldeia costumavam levar o produto de seu trabalho para vender na capital, Recife.

Nessa época os holandeses que haviam invadido o território Pernambucano estavam, praticamente, encurralados no Forte Grande, na ilha e Itamaracá, próximo de Tejucupapo, e encontravam-se sem alimentos para sustentar as tropas.

Os invasores já sabiam que todos os domingos os homens de Tejucupapo viajavam para o Recife, a fim de venderem a pesca, por isso, resolveram invadir a pequena vila pelo mar.

A idéia era conseguir pegar todo o alimento possível para as tropas que já estavam passando fome.

Sabendo que iriam encontrar só mulheres e crianças, tinham certeza de que a emboscada seria fácil e já contavam com a vitória.

A notícia de que as tropas holandesas tinham desembarcado na praia chegou, rapidamente, aos ouvidos das mulheres de Tejucupapo, que logo se organizaram para defender suas casas e seus mantimentos.

Para lutarem contra o invasor, elas usaram as armas que possuiam: utensílios de cozinha, água fervente e pimenta.

Enquanto os poucos homens que permaneceram na vila enfrentavam o inimigo com balas, as mulheres cavaram trincheiras onde se esconderam e surpreendiam os holandeses jogando-lhes água fervente com pimenta nos olhos e rostos.

A batalha durou horas até que os holandeses se deram por vencidos e voltaram para o mar.

A batalha ficou conhecida na história do Brasil como a “Epopeia das Heroinas de Tejucupapo”, e suas mulheres, até hoje são homenageadas e respeitadas pela coragem e determinação de defender aquilo que tinham de mais precioso: suas famílias e seu chão.

Fonte: A Terapia das histórias e Governo de Pernambuco
Foto: Igreja de São Lourenço de Tejucupapo - FUNDARPE

2 comentários:

Mary Miranda disse...

Bela história, meu Canceriano Favorito!

Não conhecia essa fantástica passagem do Brasil, que me leva a crer que, quando a causa é nobre, vale todo e qualquer esforço!
Por que será que acontecimentos como esse não tomaram uma proporção grande como a "Independência" do Brasil ou a carta do Pero Vaz de Caminha?
Talvez porque essas mulheres fossem apenas operárias, anônimas e pobres, enquanto que os "soberanos" davam a importância que queriam aos seus feitos, sendo feitos grandiosos ou não...

Beijos, meu querido presidente!
Estava eu um pouco afastada, mas pretendo retomar meus trabalhos! rsrsrs

Mary:)

Felipe disse...

Moça Bonita.
Um dia, quando escreverem de fato a verdadeira história do Brasil, outros fatos como este serão narrados.
Mas para que isso ocorra é necessário que o povo queira mesmo descubrir o seu passado. Como é triste uma Nação sem história!
Beijão do presidente que já andava com saudade.

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