sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Enterro do "não consigo"



Esta história foi contada por Chick Moorman, e aconteceu numa escola primária do estado de Michigan, Estados Unidos.
Ele era supervisor e incentivador dos treinamentos que ali eram realizados e um dia viveu uma experiência muito instrutiva, conforme ele mesmo narrou:
Tomei um lugar vazio no fundo da sala e assisti. Todos os alunos estavam trabalhando numa tarefa, preenchendo uma folha de caderno com idéias e pensamentos.
Uma aluna de dez anos, mais próxima de mim, estava enchendo a folha de "não consigos".

"Não consigo chutar a bola de futebol além da segunda base."
"Não consigo fazer divisões longas com mais de três números."
"Não consigo fazer com que a Debbie goste de mim."

Caminhei pela sala e notei que todos estavam escrevendo o que não conseguiam fazer.

"Não consigo fazer dez flexões."
"Não consigo comer um biscoito só."

A esta altura, a atividade despertara minha curiosidade, e decidi verificar com a professora o que estava acontecendo e percebi que ela também estava ocupada escrevendo uma lista de "não consigos".
Frustrado em meus esforços em determinar porque os alunos estavam trabalhando com negativas, em vez de escrever frases positivas, voltei para o meu lugar e continuei minhas observações.
Os estudantes escreveram por mais dez minutos. A maioria encheu sua página.
Alguns começaram outra.
Depois de algum tempo os alunos foram instruídos a dobrar as folhas ao meio e colocá-las numa caixa de sapatos, vazia, que estava sobre a mesa da professora.
Quando todos os alunos haviam colocado as folhas na caixa, Donna acrescentou as suas, tampou a caixa, colocou-a embaixo do braço e saiu pela porta do corredor. Os alunos a seguiram. E eu segui os alunos.
Logo à frente a professora entrou na sala do zelador e saiu com uma pá.
Depois seguiu para o pátio da escola, conduzindo os alunos até o canto mais distante do playground. Ali começaram a cavar. Iam enterrar seus "não consigo"!
Quando a escavação terminou, a caixa de "não consigos" foi depositada no fundo e rapidamente coberta com terra.
Trinta e uma crianças de dez e onze anos permaneceram de pé, em torno da sepultura recém cavada.
Donna então proferiu louvores.
"Amigos, estamos hoje aqui reunidos para honrar a memória do 'não consigo'.
Enquanto esteve conosco aqui na Terra, ele tocou as vidas de todos nós, de alguns mais do que de outros.
Seu nome, infelizmente, foi mencionado em cada instituição pública - escolas, prefeituras, assembléias legislativas e até mesmo na casa branca.
Providenciamos um local para o seu descanso final e uma lápide que contém seu epitáfio. Ele vive na memória de seus irmãos e irmãs 'eu consigo', 'eu vou' e 'eu vou imediatamente'.
Que 'não consigo' possa descansar em paz e que todos os presentes possam retomar suas vidas e ir em frente na sua ausência. Amém."
Ao escutar as orações entendi que aqueles alunos jamais esqueceriam a lição.
A atividade era simbólica: uma metáfora da vida. O "não consigo" estava enterrado para sempre.
Logo após, a sábia professora encaminhou os alunos de volta à classe e promoveu uma festa.
Como parte da celebração, Donna recortou uma grande lápide de papelão e escreveu as palavras "não consigo" no topo, "descanse em paz" no centro, e a data embaixo.
A lápide de papel ficou pendurada na sala de aula de Donna durante o resto do ano.
Nas raras ocasiões em que um aluno se esquecia e dizia "não consigo", Donna
simplesmente apontava o cartaz descanse em paz. O aluno então se lembrava
que "não consigo" estava morto e reformulava a frase.
Eu não era aluno de Donna. Ela era minha aluna. Ainda assim, naquele dia aprendi uma lição duradoura com ela.
Agora, anos depois, sempre que ouço a frase "não consigo", vejo imagens daquele funeral da quarta série. Como os alunos, eu também me lembro de que "não consigo" está morto.

Equipe de Redação do Momento Espírita

Ilustração: internet

14 comentários:

Jorge disse...

Mano,
é uma dificuldade crermos que conseguimos, ou que vamos conseguir. Estamos negativos por nosso passado de vivências, o que dificulta a transformação. Mas realmente se não começarmos a enterrar os nossos negativismos, quando vamos melhorar, não é mesmo?

Um abraço, mano!

Felipe disse...

Mano
Já que nos foi dado o mapa da evolução, sigamos o caminho.
Abraços

Mary Miranda disse...

Meu Canceriano Favorito, uma boníssima tarde!

Eu já enterrei os "não consigos" faz tempo...
Detesto o apego que certos irmãos ao negativismo.
Sabe que aquele tipo de gente que ao vir o copo pela metade com água, acha que está meio vazio?
Pois o meu copo está sempre meio cheio!...
A evolução se faz assim, meu amigo, pelas pequenas frandes atitudes de otimismo!
"Não consigo" é passageiro porque, se não posso agora, um dia poderei realizar, basta que eu persevere!

Beijos, meu querido!

Obrigada pela linda reflexão!

Mary:)

Felipe disse...

Moça Bonita
O não consigo se apresenta como desculpa dos fracos.
Mesmo o "não consigo deixar de te amar" ou "não consigo te esquecer" de um amor impossível, longe de se mostrar uma coisa bela ou poética denota fraqueza, medo de enfrentar o mundo.
Grato pelo comentário que sempre enriquece as postagens.
Beijão da presidência vitálicia

Cecilia sfalsin disse...

Felipe,
Que lástima para este camarada, "o não consigo" facilita a vida de muita gente que não quer tentar, rsr, eu já enterrei ele ha anos, e nunca chorei de saudades,aprendi que ele tinha muita inveja do eu posso,do eu quero e do eu consigo,portanto o eliminei do meu quadro de amigos, rs, pois isto só depende de nós,o pessimismo e aliado do comodismo acompanhado de uma grande derrota de nunca tentar.Este é o enterro mais feliz da vida.rs

Beijosss...

Um Oficial com Espada Própria disse...

Meu grande amigo ainda bem que o eu não consigo já morreu e nem me convidaram para o velório, pois eu iria e teria na hora que recusar!
Valeu pela abordagem leve e descontraída e de leitura saborosa, que se me permites terei que fazer este destaque, destas frazes bem boladas que você escreveu em post a seguir:
"Não consigo chutar a bola de futebol além da segunda base."
"Não consigo fazer divisões longas com mais de três números."
"Não consigo fazer com que a Debbie goste de mim."

Caminhei pela sala e notei que todos estavam escrevendo o que não conseguiam fazer.

"Não consigo fazer dez flexões."
"Não consigo comer um biscoito só."

jotapeh9907 disse...

Linda esta mensagem. Já utilizei-a em um curso de formação. É fantástico a compreensão. Obrigado por compartilhar esta genialidade.
Abraços

José S. Pereira disse...

Essa professora, com certeza, fez diferença na vida de cada criança. O tal do "não consigo", junto com o "fiz o melhor que pude" ... é Felipe, esta na hora da humanidade largar suas muletas e desculpas. Não podemos mais acertarmo-nos Meninos. Esse tem que ser o Tempo dos Homens. Porque, se não for assim e já, corremos o risco de não termos mais Tempo algum.

Abraços

Felipe disse...

Cecília
Seria excelente se todos procurassem enterrar o "evelha negra" da família.
Como você bem coloca nós queremos e podemos, depende de nós.
Por que não andar de braço dado com a parte boa dessa família?
Beijão

Felipe disse...


Sem dúvida essa muleta vem travando a evolução do mundo de há tempos.
Quando não é o comodismo são os próprios poderes "mal constituídos" que lutam e fazem de tudo, por puro interesse, para manter o homem na ignorância.
É hora do basta. É hora do "com licença, eu vou a luta".
Se houver uma grande corrente nesse sentido haverá tempo.
Então, que ajam mais publicações otimistas por aqueles que têm um blog, uma vez que a imprensa sensacionalista só mostra as desgraças que ocorrem esquecendo as coisas boas pois não dão IBOPE, nem vendem jornal.
Forte abraço meu amigo.

Felipe disse...

Charles, meu Caro.
Veja como a coisa é simples. É só tirar o não da frente de cada frase que a coisa muda da água para o vinho.
Abraço

Felipe disse...

Aparecido.
Essa mensagem deveria ser mais utilizada em todos os lugares onde a motivação se faz necessária. Até nos lares.
Abraços

Beth Muniz disse...

Grande Jota,
Bela reflexão.
Sabe, as vezes confundimos o "não consigo" com o "Não desejo".
Sim, porque as vezes não conseguimos porque de fato não desejamos fazer.
E quando não há desejo, forçar a barra é praticar um ato de violência...
Claro que falo em tese. E toda tese tem lá seus antagonismos... rsrs
Bem, é apenas uma modesta reflexão.
Um forte abraço.
Fui!

Felipe disse...

Beth
Apesar de, como você própria diz, ser uma tese, endosso e assino em baixo.
Abraços

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