domingo, 25 de setembro de 2011

João e Maria: Além da ficção na música de Chico Buarque

 Raul Franzolin Neto

João e Maria viviam num mundo muito difícil, cheio de conflitos.
Era o planeta Sibis SK8, localizado numa galáxia muito distante da Terra e próximo a uma imensa estrela que iluminava o planeta.
A população era pequena e se caracterizava por ser um local de baixa evolução espiritual.
Guerras eram inevitáveis nas disputas de poder. João era uma pessoa boa e aparentemente feia.
Trabalhava incessantemente na esperança de dias melhores. Muito sofrimento.
Risos e deboches à parte, ele lutava contra preconceitos, passando pela humilhação e a dor.
Enfrentava pessoas grotescas, servindo-as com dedicação e sorrisos.
Imaginava o belo planeta com as pessoas vivendo alegres em ambiente de amizade.
Mas, alguns diziam que João era um fracassado, um visionário que não servia para nada.
A bondade imperava em seu coração e a todos dedicava a sua vida com amor e sacrifício. A prática da caridade era constante e um prazer pessoal.
João não admitia o uso de arma alguma e vivia com amor, alegria e simplicidade.
Gostava de poesia, música e amava a natureza.
Lentamente, o mundo foi se transformando. As pessoas passaram a admirá-lo e a depender de seu trabalho no conforto e amparo ao sofrimento.
Maria tinha uma vida bem diferente. Era bonita e boa pessoa. Sua vida, porém, era cheia de aventuras, ambições, momentos alegres e esbanjava conforto material.
Vivia rodeada por muita gente, festas e sorrisos, mas sentia também o peso da solidão.
Faltavam-lhe amizades verdadeiras.Sonhava com dias melhores e ansiava viver feliz com um homem amado.
João conheceu Maria, porém os seus olhares se dispersaram no tempo, pois as diferenças entre eles eram visíveis. Mas, aquele olhar carente e belo de Maria tocou profundamente o coração de João.
João se tornou um exemplo de vida. Um vencedor na humildade e no caminho do bem. Contribuiu decisivamente para a melhoria do mundo da inferioridade e
transformou-se num herói.
Depois de longo e longo tempo, os conflitos acabaram.
O tempo passava...

“Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões
Guadava o meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês...”

João e Maria morreram como era o destino de todos no planeta iluminado pela luz da estrela mãe. Porém, o espírito não morre; é eterno e os dois seguiram a vida por caminhos diferentes.
Ele havia evoluído muito com os méritos do trabalho dedicado no caminho do bem comum.
Continuava distribuindo amor e bondade gerando ambientes de amizades, alegres e felizes onde quer que estivesse. Entretanto, seu coração estava solitário embora convivesse com tanta gente.
A imagem de Maria não saia de sua mente. Desejava sentir o amor explodindo em paixão com Maria.
Sempre pedia aos céus uma nova oportunidade de convivência com Maria.
Queria ajudá-la, amá-la e sentia que poderia ser amado como desejava.
Após muito tempo, a sonhada oportunidade chegou.
João foi chamado a uma nova reencarnação para uma missão de coordenar um mundo mais evoluído e implantar a felicidade geral no planeta.
Uma missão onde todos deveriam trabalhar no bem comum; onde os mais adiantados se dedicariam aos mais necessitados.
João ficou feliz, ainda mais ao saber que seu desejo seria atendido e conviveria com Maria.
Ergueu os braços para o alto, agradeceu profundamente, chorou de emoção e alegria, fechou os olhos e nasceu de novo...
João e Maria reencarnaram no planeta Sibis SK1001 onde seus habitantes tinham passado por muito sofrimento. Mas agora já era um planeta mais evoluído, mais feliz.
Maria vivia bem num mundo lindo e organizado. Já havia passado por muito e
muito sofrimento até ali chegar. Tudo estava em harmonia e ela trabalhava com dedicação em sua missão. Precisava praticar a caridade e vivia como uma pessoa simples, sem vaidade e sem nada a oferecer de bens materiais.
Certo dia caminhava admirando a natureza e de repente ouviu uma voz suave: - Que bela paisagem! Era a voz do governador geral do planeta. Seus olhares se entrelaçaram como se fossem um só. Era João.

“Agora eu era o rei,
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei a gente era obrigada a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país...”

Agora João estava muito feliz tendo a amada ao seu lado e a cada dia o seu amor crescia.
Mas estava agoniado e sentia um frio melancólico: medo de perder Maria.
Não conseguia entender o porquê e a amava com todas as suas forças.
Os dois se dedicavam ao trabalho com amor para manter o equilíbrio e o bem estar de todos.
João não se importava com as dificuldades e apenas queria viver ao lado de Maria.
Maria, por sua vez, continuava trabalhando bastante acompanhando e ajudando João, compartilhando com a sua bondade e sabedoria.
Ela, porém, não era tão feliz como desejava.As diferenças espirituais ainda persistiam entre os dois.
Embora se esforçasse ela sentia necessidade de evoluir mais rápido para ficar mais próxima de João. Sempre pedia aos céus uma nova chance de galgar grandes avanços para compartilhar o verdadeiro amor de João.

“Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião, o seu bicho preferido
Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido...”

O tempo passava e, Deus em sua bondade infinita, concedeu uma nova oportunidade à Maria. A hora finalmente chegou.
Maria foi chamada e embora estivesse muito triste diante de uma nova separação temporária e indefinida de João, aos prantos ergueu os braços para o alto e uma corrente de luz a iluminou.
- Quero também construir a vida no universo da mesma forma que meu amado João. Passarei também por outros árduos caminhos, mas vencerei, assim é meu desejo.
E assim se fez.
E o céu agradeceu.
E João e Maria prosseguiram suas vidas em busca da felicidade eterna, tal como definida na Lei de Divina.

“Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim
Para lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim...”
fonte: Boletim Geae nº 5 3 7 - 20 0 9

5 comentários:

Mary Miranda disse...

Nem preciso dizer que muito me emocionou o psot, não é, meu Canceriano Favorito?

O amor, o maior dos troféus que um ser, humano ou não pode ter, é ainda capaz de vitórias e segredos impensáveis...
Nunca tinha imaginado uma ideia além do que mostrara Chico Buarque com sua canção; em tom espírita ou musical, a mensagem é linda!
Parece-me sempre, meu presidente, que todas as histórias fictícias são baseadas em "fatos reias"!
Sinto cada passagem dos versos magistrais com se estivessem se descortinando a minha frente, numa interpretação em placo único!

Obrigada pelo comaprtilhamento que, como sempre, me ganha!!!!

Beijos!!!!

Mary:)

Felipe disse...

Moça Bonita.
Também nunca havia analisado pelo prisma abordado pelo conto.
A junção dos três ( o youtube ajudou bastante), ficou de uma beleza ímpar.
É uma das músicas que mais gosto com o Quarteto em Cy.
Beijão.

Raul Franzolin Neto disse...

Caros amigos Felipe e Mary,
Fico feliz pelo texto ter sido útil a vocês.
Ouvi várias vezes a música João e Maria do nosso grande Chico Buarque. Diante de poesia tão bela, fui influenciado pelo plano espiritual a ampliar essa visão numa ficção com o uso da liberdade da imaginação. Creio que numa outra possibilidade maior da vida iremos nos surpreender com tanta mediunidade dispersa neste planeta transmitindo realidades com o apoio das artes e dos artistas.
Abraços e felicidades...

Raul Franzolin Neto

Felipe disse...

Prezado Raul
Um conto digno de aplausos. Sem dúvida, aproveitamos pouco do muito que o plano espiritual nos oferece, mas não podemos esquecer que cada um tem seu momento de encontrar Deus numa música, numa pintura ou até mesmo numa pequena flor que nasce num canto de calçada.
Parabéns pelos seus artigos.
Abraço!
Felipe

Mary Miranda disse...

Raul, boa tarde!

Creio que a espiritualidade nos oferece - e ainda há de oferecer - , muito mais do que sonham nossas filosofias caminhantes de evolução...
Fiquei sinceramente emocionada com a forma como você conduziu seu artigo, nos mostrando outras formas de enxergar através das letras algo imperceptível aos olhos físicos!(Só a alma consegue vislumbrar).
Sua visão me conduziu a outra forma de pensar, no que só agradeço por ter-nos permitido isso!

Mais uma vez, obrigada, e continue nos agraciando com outros textos triunfais quais esse!

Um abraço,
Mary:)

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