sábado, 30 de julho de 2011

O Destino

Quando pronunciamos a palavra “destino” não há ninguém que não conceba alguma coisa de sombrio, de terrível e letal. No fundo do pensamento dos homens só há o caminho que nos conduz à morte. Destino é, na maior parte das vezes, o nome que os homens dão à morte que ainda não chegou. É a própria morte encarada no futuro, é a sombra da morte projetada sobre a vida.

“Nenhum homem escapa ao seu destino”, dizemos com o pensamento na emboscada que espera o viajante na volta do caminho. Mas se o viajante encontra a felicidade, já não falamos mais do destino, ou dele não mais falamos com o mesmo deus. E, entretanto, não poderá acontecer que quem caminha pela vida encontre uma felicidade maior que a desgraça e mais importante que a morte? Não pode acontecer que ele encontre uma felicidade, que nós não vemos, e que, se torne menos visível à medida que ele se eleve?

Se se trata de uma miserável aventura, toda a aldeia, a cidade inteira acorre; mas se se trata de um beijo, dum raio de beleza que tenha ferido nossos olhos, ou dum raio de amor que haja iluminado nosso coração, ninguém dá tento. E, no entanto, um beijo pode ser de tanto valor para a alegria como uma ferida é importante para a dor. Não somos justos; quase nunca misturamos o destino à felicidade; e se ligamos à morte é para reuni-lo a uma desgraça ainda maior que a morte.
 ilustração - internet
Maurice Maeterlinek -“A Sabedoria e o Destino”

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