sexta-feira, 30 de julho de 2010

Para quem gosta de sonhar


                                                  




Quando um sonho é grande demais, é preferível morrer com ele do que deixá-lo morrer sozinho.
 Autor desconhecido

As lágrimas que correm nos olhos são sonhos que não se realizaram.
Autor desconhecido

Eu dormia e sonhava que a vida era alegria. Acordei e verifiquei que a vida é servir. Servi e descobri que servir era alegria.
Tagore

O sonho começa, a maior parte das vezes,  com um professor que acredita em você, que o puxa e empurra e leva para o próximo planalto, as vezes até aguilhoando-o com um bastão pontiagudo chamado VERDADE.
Autor desconhecido



Se você não acalenta um grande sonho, você já morreu e não sabe.
A.C. Williams

Nunca se afaste dos seus sonhos porque se eles se forem, você continuará vivendo, mas terá deixado de existir.
Autor desconhecido

Deus tenha piedade da pessoa de um sonho só.
Robert H. Goddar

Faça um milagre, Senhor. Que pare todo o mundo, que abra bem grandes os olhos para ver em cada instante o milagre permanente: nasceu outra flor e ainda podemos sonhar!
Hermínio Otero


O ser humano não envelhece quando se lhe enruga a pele, mas quando se lhe enrugam os sonhos e as esperanças.
Num muro de rua


Cantam: Westlife e ABBA
  

sábado, 24 de julho de 2010

Dois sambas de César Costa Filho

Carioca da Vila Isabel,  cresceu num ambiente musical (seu pai era  admirador de Noel Rosa, Pixinguinha, Ismael Silva, Lamartine Babo, e outros bambas dos anos de ouro da MPB). César Costa Filho ganhou seu primeiro violão quando tinha 17 anos de idade. Procurou um professor, embora não pretendesse nada além de simplesmente executar músicas de sucesso. Aprendeu um pouco de teoria e as posições básicas e, durante uma das aulas, descobriu que era compositor. César jamais conseguia repetir as melodias que o professor determinava. Apesar de tentar, sempre surgia outra música, criada no momento. Começou então a fazer músicas com Ronaldo Monteiro de Souza. Em 1968, quando já fazia o curso de Letras na Faculdade Gama Filho, resolveu inscrever-se "por curiosidade", no I Festival Universitário de Música Popular. Conquistou o 3º lugar com "Meu Tamborim", defendida por Beth Carvalho, tendo recebido votos de louvor de Sérgio Cabral, Ziraldo e Braguinha.
Foi um dos fundadores do Movimento Artístico Universitário (MAU), ao lado de Aldir Blanc, Ivan Lins e Gonzaguinha e quando surgiu o programa Som Livre Exportação passou a ter um contato mais amplo com o público, ao mesmo tempo que continuava a destacar-se nos festivais: "Mirante", defendida por Maria Creuza, classificou-se em 3º lugar, no II Festival Universitário, enquanto outra composição sua, obtinha o 5º lugar: "De Esquina em Esquina", defendida por Clara Nunes. "Garoa de Subúrbio", "Visão Geral", "Diva" e "Medo", também foram finalistas de outros festivais.
Apesar de todo seu inquestionável valor César Costa Filho foi marginalizado, por questões políticas.  Assim, o seu trabalho não obteve o merecido reconhecimento e promoção, o que é lamentável, considerando-se que é autor de músicas que fazem  parte da história da MPB, como "Dose Pra Leão", "Ela", "Anastácio", "A Velhice da Porta Bandeira", "Samba do Estácio" e "Tambores e Clarins".
Fonte: Tablóide digital
Samba do Estácio


Dose pra leão

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O piano velho


Quando ela vem e se senta, o meu coração começa a bater mais forte.
Os seus dedos, macios de veludo, seguram-me a tampa, encostam-na, com cuidado, à parte de trás. Dois panos do pó que um dia a avó bordou, que me tapam e protegem as teclas, são atirados para cima da escrivaninha, ao meu lado, onde ela costuma sentar-se a estudar e a ler.
É então que sinto as cordas do meu coração quase a estoirar de alegria, pois que é agora que lhe posso dizer tudo o que me vai na alma!!!
Os seus deditos a medo, titubiantes, começam a arrancar os primeiros acordes. E eu a fazer todo o possível para que tudo saia bem e ela não desista e me tape outra vez. Que esforço eu faço!… Mas alguns dos meus dentes brancos já não correspondem totalmente ao acorde que ela pretende. E eu esforço-me…
Ela levanta-se, e eu penso sempre, de cada vez, que se vai embora, que já não quer mais,… mas não! São sobressaltos do vem-que-não-vem, do fica-que-não-fica,… mas a vida é isso mesmo!
Só que desta vez ela não foi. Procurou apenas a partitura de Beethoven.
Que lindo! Toda a minha sensibilidade se motiva e canaliza nesta bonita sonata. Todo eu estou ali, inteiro, a dar o meu melhor; eu e ela numa música só, em uníssono, na produção da música-vida-beleza que Beethoven nos deu.
São os meus melhores momentos…! Em que eu dou conta que sou mais que um simples móvel de quarto…; em que sinto que faço parte da vida presente-futuro dela, pois sou eu que a ajudo a criar, a ser capaz de transmitir a todo o universo o que sente, o que lhe vai na alma e que lhe sai pelas pontas dos dedos.
Quando ela acaba, e me tapa outra vez, já não me importa! Demos a nossa contribuição à vida, por hoje.
O que me entristece e me faz infeliz, isso sim, é o facto de ela deixar o amanhã para depois de amanhã. O de ela, pequenina ainda, não compreender que a vida se vive em cada minuto, que o dia que passa se não recupera mais!
Mas só lho posso dizer através dela e é ela que tem de o compreender sozinha, enquanto eu, fechado, tapado, espero o toque da sua mão.
Gabriela Carvalho
A caixinha de Memórias
Magna Design, 1999
adaptado

ilustração: internet

domingo, 11 de julho de 2010

Quando a máscara cai

Perdidos de sua identidade, jogadores se alienam em personalidades forjadas e em um sentimento de ilimitação.

É dessas fotos que ficam no imaginário coletivo: Pelé aos 17 anos, campeão do mundo, chorando no ombro do grande Gilmar, que o ampara, o consola, o anima, o conforta. Passados não mais de 52 anos, a reprodução dessa cena é quase impensável. Se o garoto Neymar tivesse sido campeão do mundo nos seus atuais 18 anos, como muitos queriam, em que ombro choraria de emoção, se é que choraria? No de Dunga, velho e bravo campeão; no de Kaká, veterano de outras copas e acostumado aos aplausos? Não, não parece a ninguém factível a repetição daquela cena protagonizada por Pelé e Gilmar nos campos da Suécia. Meninos de hoje não choram mais nos ombros de seus ancestrais, meninos de hoje não têm ancestrais. A sociedade pós-moderna pulveriza as verticalidades e não provê acolhimento das angústias nas hierarquias verticais, nos mais velhos, nos mais experientes, nos que já passaram por isso. O resultado está aí. A série que deveria ser "descoberta, sucesso, fama, dinheiro, conforto e satisfação" tem sido "descoberta, sucesso, fama, dinheiro, mulheres, drogas, violência, desastres, prisão ou ostracismo".


Podemos pensar em uma explicação paradigmática, além das particularidades de cada caso, o que o mais das vezes só anda tampando o sol com a peneira: foi o pai violento, a mãe alcoólatra, as más companhias, a péssima educação, o irmão psicopata, etc. Ocorre que a saída da pobreza e do anonimato para a riqueza e a fama, subitamente, gera uma forte crise de identidade. Ter sucesso é cair fora; na palavra "sucesso" existe a raiz "ceder, cair". Quem tem sucesso cai fora do seu grupo habitual de pertinência. Tom Jobim não tinha razão quando dizia que o brasileiro não desculpava o sucesso, pois nenhum povo desculpa, só variam as maneiras de demonstrá-lo. A máxima de Ortega y Gasset ainda é válida: "Eu sou eu e a minha circunstância". E quando a minha circunstância muda abruptamente, fica a pergunta profundamente angustiante: "Quem sou eu?", que fundamenta a crise de identidade.
Aí, com frequência, a pessoa se aliena em uma identidade forjada, aquela que fica bem na fotografia, a máscara; surge assim o mascarado. Quantos e quantos jogadores de futebol não se transformaram em mascarados diante dos nossos olhos? E a coisa não para por aí. A máscara não é suficiente para dominar a angústia causada pelo sucesso, vindo, em seguida, um sentimento terrível de ilimitação, de poder tudo. Quer alguma coisa, compra; quer um amor, toma; quer ter razão, impõe. Esse sentimento de quebra de fronteiras pede um basta que não raramente aparece da pior forma: no insulto, no acidente, na morte. Alguns têm a sorte de passar por um desastre controlável e depois conseguem se recuperar, carregando beneficamente a cicatriz de sua desventura, mas muitos e muitos vão e não voltam.
Não pensemos que a solução está no treinamento de ombros amigos, como os do passado, dado em lições risíveis de moral e cívica extraídas dos panfletos de neorreligiões televisivas, ou de jornalistas histriônicos que se querem baluartes da dignidade social. O que entendemos necessário é um trabalho com todos os grupamentos que convivem com esse fenômeno de mudança de status repentina, dos quais as equipes de futebol são um exemplo maior, um trabalho que saiba tratar do problema da perda de identidade como foi aqui referida.
No mundo de hoje, um mundo horizontal sem baluartes fixos, sem Gilmares para as pessoas se apoiarem, é necessário que possamos oferecer novos tratamentos às crises de identidade que se multiplicam. Se o tratamento não reside mais em se mirar no exemplo do ídolo da geração anterior, o que temos a fazer é implicar cada um em seu ponto de vergonha essencial, aquele que a fama não recobre e que o dinheiro não compra, um ponto de vergonha que todo ser humano carrega em si por ter nascido e não saber muito bem o que faz por aqui, por se sentir um acontecimento sem explicação. Pois bem, não deixemos ninguém se acomodar no empobrecedor e perigoso "eu sou o máximo". Fiquemos com a lição do próprio futebol, de que cada partida é uma nova partida, sem piloto automático, sem já ganhou, sem triunfalismo. Fica a recomendação para os técnicos do futuro: mais invenção com responsabilidade e menos repetição com disciplina.
Jorge Forbes é psicanalista. preside o instituto da psicanálise lacaniana e dirige a clínica de psicanálise do centro do genoma humano, da USP
Caderno Aliás – Estadão – 10/07

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ante a dor

Muitos de nós reagimos de forma bastante negativa aos sofrimentos.

Cremos em Deus, falamos de fé, esperança e gratidão ao Pai enquanto nossa vida corre tranquila.

Contudo, quando os ventos dos reveses nos atormentam, a revolta se instala e gritamos: Por que, Deus? Por que comigo?

Nesses momentos, esquecemos que Deus é o Pai de Amor e Justiça, olvidamos do poder da prece, esquecemos tantas coisas...

Analisando, no entanto, a vida de algumas criaturas verificamos que sofrem muito mais do que nós e não se mostram rebeldes, nem ingratas.

Recordamos que, mais ou menos seis anos antes de morrer, Francisco de Assis passou a sofrer de uma grave doença nos olhos, que lhe causava fortes dores.

A visão parecia coberta por um véu. Primeiro, ele começou a sentir como se os olhos estivessem se rasgando. Mais tarde, as pálpebras incharam devido à irritação e infecção.

Esfregar os olhos somente piorava. A luz o incomodava. E sua visão foi ficando sempre pior.

Acredita-se que se tratava de uma doença que grassava no clima seco e arenoso do Egito: o tracoma.

Francisco havia passado bastante tempo no acampamento dos cruzados, nas margens fétidas e úmidas do rio Nilo. Ali faltava higiene adequada e as doenças se alastravam.

No início da primavera de 1225, amigos levaram Francisco a um médico que havia imaginado um método revolucionário no tratamento das doenças dos olhos.

O médico chegou com o instrumento de ferro usado para cauterização. Acendeu o fogo e depois colocou nele o ferro.

Os amigos explicaram a Francisco o que ia fazer o médico: já vermelhos, os ferros seriam aplicados para queimar a carne dos dois lados da cabeça de Francisco, das maçãs do rosto às sobrancelhas.

As veias das têmporas seriam abertas e a esperança era que a infecção que causava a cegueira fosse drenada.

Enquanto os ferros avermelhavam, Francisco espantou a todos.

Com voz fraca e, com certeza, ansiosa, falou: Meu irmão fogo, és nobre e útil entre todas as criaturas do Altíssimo. Sê bondoso comigo nesta hora.

Durante muito tempo te amei. Rogo a nosso Criador que te fez para que tempere teu calor, a fim de que eu possa suportar.

E com um gesto, abençoou o fogo.

Os amigos, apavorados com o procedimento que seria executado, fugiram e ele ficou só com o médico.

Os ferros foram aplicados e a queimadura se estendeu das orelhas às sobrancelhas. A cabeça ficou cauterizada. As veias abertas.

Quando os companheiros retornaram à sala, o paciente estava extraordinariamente calmo e sem queixas.

Todo o procedimento foi ineficiente mas o que ressalta é a fé de Francisco, exemplificando que o verdadeiro cristão deve suportar a dor, com serenidade, atestando da sua coragem.

Redação do Momento Espírita, com base no livro 
Francisco de Assis, o santo relutante, de Donald Spoto, ed. Objetiva.
Ilustração: internet

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Homenagem ao azul


Esta postagem é uma homenagem aos blogs que, como o meu, escolheram a cor azul para identificá-los.

Azul da cor do céu, azul do mar, azul do cor do sonho de uma criança, azul da felicidade, azul da cor da Rosa Mística.




"Poema Azul "
                                             Maria Helena
Eu hoje estou azul! Nas minhas mãos nervosas
Os dedos são azuis, longos e delicados.
O perfume é azul nas pétalas de rosas
Como o sumo é azul nos frutos sazonados.

Azul sem dimensão, do polo Norte ao Sul,
Cai nas águas do mar, nas distâncias sem fim,
E eu toda me deslumbro olhando o intenso azul
- Que na curva do Céu, nunca houve um azul assim.
O mundo, em derredor, em doida convulsão,
Lateja o mesmo tom em tom mais destemido.
Até a própria noite ainda em formação
Tem
um nítido gosto a azul inconcebido.

Do mais sombrio vale à serra mais erguida,
Alagando extensões e searas e pauis,
A estrebuchar de cor, é azulada a Vida,
Porque o Tempo, do azul, faz as horas azuis.
O azul impõe-se, alastra, exorbita-se, é rei:
Trasborda cada vaga, inunda cada palma...
De tudo ser azul (tão azul!) eu nem sei
Se o meu corpo é azul ou se é azul minha alma.

Bem no fundo de mim, num azul em demência
Que
se alteia em cachões hora a hora mais loucos,

Esta saudade enorme e que é negra de ausência,
Dentro do coração vai azulando aos poucos.
Porque a cor é mais cor e subjuga de excesso,
Há pedaços de Céu desfolhados nos charcos
E nos cais pedra-azul, quando a hora é regresso,
Tem um quê de azulino a chegada dos barcos.
Azul pelos desvãos, em todas as alturas...
Não há sítio nenhum onde se não concentre.
De tudo ser azul, até as mães futuras
Sentem gestos azuis a germinar no ventre.
Vão-se tornando azuis as verdades e os sonhos
Sem pedir a ninguém licença nem conselho...
No corpo do pomar, a carne dos medronhos
Tem um sabor azul que se tornou vermelho.
Azul que se distende ao longo do jardim;
Que vive na raiz e em cor se realizou.

Um azul tão azul, que nunca terá fim,
Como, de tão azul, nunca principiou.
Azul do abismo fundo à cor dos Infinitos
Sem o deter ninguém, sem nada que o anule.
Azul os mundos e eu e os santos e os malditos,
Azul sempre maior, em turbilhões, aos gritos,
Azul o próprio Deus que fez o azul, azul.

Resposta de Maria Helena  ao Poema de
JG de Araujo Jorge  do livro
" De Mãos Dadas" 1a edição1961.
Música - Vesti Azul
Nonata Buzar - canta Wilson Simonal
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