sexta-feira, 25 de junho de 2010

A vidraça

Um casal, recém casados, mudou-se para um bairro muito tranquilo.
Na primeira manhã que passavam na casa,  a mulher reparou através de uma enorme vidraça que tinham na sala, que uma vizinha pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:
- Que lençóis sujos ela está pendurando no varal!
Provavelmente está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!
O marido observou calado.
Alguns dias depois, novamente,  a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido:
- Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!
E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal.
Passado um mês a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis brancos, alvissimamente brancos, sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:
- Veja ! A vizinha aprendeu a lavar as roupas. Talvez  a outra vizinha a ensinou porque, não fui eu quem fez isso.
O marido calmamente respondeu:
- Não, é que hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa vidraça!
Com que tipo de vidraça, você tem procurado observar o mundo?

Desconheço o autor
ilustração: tela de Leonid Afremov

terça-feira, 22 de junho de 2010

Pintando o barco

Um homem foi chamado à praia para pintar um barco. Trouxe com ele tinta e pincéis, e começou a pintar o barco de um vermelho brilhante, como fora contratado para fazer.

Enquanto pintava, percebeu que a tinta estava passando pelo fundo do barco.

Notou que havia um vazamento, e decidiu consertá-lo. Quando terminou a pintura, recebeu seu dinheiro e se foi.

No dia seguinte, o proprietário do barco procurou o pintor e presenteou-o com um belo cheque. O pintor ficou surpreso:

- O senhor já me pagou pela pintura do barco, disse ele.

Mas isto não é pelo trabalho de pintura. É por ter consertado o vazamento do barco.

- Foi um serviço tão pequeno que não quis cobrar. Certamente, não está me pagando uma quantia tão alta por algo tão insignificante!

- Meu caro amigo, você não compreendeu. Deixe-me contar- lhe o que aconteceu. Quando pedi a você que pintasse o barco, esqueci de mencionar o vazamento. Quando o barco secou a tinta, meus filhos o pegaram e saíram para uma pescaria. Eu não estava em casa naquele momento. Quando voltei e notei que haviam saído com o barco, fiquei desesperado, pois lembrei-me que o barco tinha um furo. Imagine meu alívio e alegria quando os vi retornando sãos e salvos. Então, examinei o barco e constatei que você o havia consertado!

Percebe, agora, o que fez? Salvou a vida de meus filhos! Não tenho dinheiro suficiente para pagar-lhe pela sua "pequena" boa ação...

Não importa para quem, quando, de que maneira. Sempre que for possível, sempre que depender de você, e principalmente, dentro de suas possibilidades, vá além... este poderá ser o seu diferencial!

Todo trabalho é um auto-retrato de quem o realizou. Autografe sua obra com excelência!

Desconheço o autor
ilustração: internet 

domingo, 13 de junho de 2010

Domingo é dia de poesia - Guilherme de Almeida


A hóspede
Guilherme de Almeida


Não precisa bater, quando chegares.
Toma a chave de ferro que encontrares
Sobre o pilar, ao lado da cancela,
E abre com ela
A porta baixa, antiga e silenciosa.
Entra. Aí tens a poltrona, o livro, a rosa,
O cântaro de barro e o pão de trigo.
O cão amigo
Pousará nos teus joelhos a cabeça.
Deixa que a noite, vagarosa, desça.
Cheiram a relva e sol, na arca e nos quartos,
Os linhos fartos,
E cheira a lar o azeite da candeia.
Dorme. Sonha. Desperta. Da colmeia
Nasce a manhã de mel contra a janela.
Fecha a cancela
E vai. Há sol nos frutos dos pomares.
Não olhes para trás quando tomares
O caminho sonâmbulo que desce.
Caminha – e esquece.


Segunda canção do peregrino

Guilherme de Almeida
Vencido, exausto, quase morto,
Cortei um galho do teu horto
E dele fiz o meu bordão.

Foi minha vista e foi meu tacto:
Constantemente foi o pacto
Que fez comigo a escuridão.

Pois nem fantasmas, nem torrentes,
Nem salteadores, nem serpentes
Prevaleceram no meu chão.

Somente os homens, que me viam
Passar sozinho, riam, riam,
Riam, não sei por que razão.

Mas, certa vez, parei um pouco,
E ouvi gritar: – “Aí vem o louco
Que leva uma árvore na mão!”

E, erguendo o olhar, vi folhas, flores,
Pássaros, frutos, luzes, cores...
– Tinha florido o meu bordão.

fotos: 1 - internet
         2 - DW - World.DE

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Quisera

             O namoro é suave encantamento em que duas  almas se   
  envolvem na busca de alguém para compartilhar seus sonhos.

Quisera ser uma flor a envolver seus cabelos em suave perfume, alegrando suas horas.

Quisera ser a brisa leve da manhã, para tocar o seu rosto com leveza e carinho...

Quisera possuir o canto delicado de um pássaro, para embalar os seus dias com suave canção...

Quisera possuir o encanto das águas cristalinas de uma fonte, para dessedentar sua sede e refrescar o calor.

Quisera ser os raios luminosos do sol, para clarear sua estrada e espantar o frio rigoroso do inverno.

Quisera ser a relva verde e macia, para atapetar o caminho por onde andam seus pés...

Quisera possuir o brilho prateado da lua e lhe recitar mil poemas, até o sono chegar...

Quisera ser frondosa árvore, para oferecer sombra generosa na hora de repousar...

Quisera... Quisera...

Mas, neste dia especial, quero fazer-me especial e dizer que se não posso ser uma flor para lhe ofertar meu perfume, posso ser uma presença constante, envolvendo você no mais puro afeto...

Se não posso ser a brisa suave das manhãs, desejo ser a inspiração para seus sonhos de amor...

E, se não possuo o canto delicado de um pássaro, quero cantar pra você a suave melodia da ternura, dedilhada nas cordas mais sutis do coração.

Se não sou a água cristalina da fonte, posso lhe ofertar um copo de água fresca nos dias de secura e dor.

E como não sou um raio de sol, desejo ser pequena chama de esperança nas horas de indecisão...

Se não sou a relva verde para atapetar seu caminho desejo seguir seus passos, lado a lado, ofertando meu abraço, por toda eternidade...

Quisera ser tanto... e tão pouco sou...

Não possuo o brilho prateado do luar, mas posso deslizar meus dedos por entre seus cabelos até o amanhecer...

Aceite meu amor para que, juntos, possamos realizar o mais belo sonho de felicidade...

Eu estarei sempre ao seu lado para segurar sua mão nas noites sem estrelas ou em dias de plena ventura...

Serei o braço amigo no qual poderá apoiar a cabeça nas horas de enfermidade ou cansaço.

Quero lhe desejar boa noite ou saudar o amanhecer com beijos salpicados de carinho e afeto...

Eu serei a mão que mostra o caminho quando tudo for escuridão...

Ou serei, quem sabe, a mão que, unida a sua, aponta a direção que juntos resolvemos seguir.

Ah!.. Eu queria ser tanto... e tão pouco sou.

Mas o que sou lhe ofereço para poder continuar sendo sempre... o seu verdadeiro amor.

fonte: Momento Espírita
foto: internet

domingo, 6 de junho de 2010

Domingo é dia de poesia - Dois sonetos


Anoitecer
Raimundo Correa 

Esbraseia o Ocidente na agonia
O Sol... Aves em bandos destacados,
Por céus de oiro e de púrpura raiados,
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...

Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia...

Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua...

A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.



Mal Secreto
Raimundo Correa

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!


ilustrações: internet

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Roberto Carlos lembra "Você"



Com Você


Composição: Roberto Carlos

Com você
Conheci a grandeza do amor
Com você
Vi que o sol tem mais luz e mais cor

Com você
Aprendi a sorrir e viver
Porque tudo o que eu sempre quis ter
Muito mais eu encontro em você


Com você
É que a vida pra mim tem valor
Com você
Não existe a tristeza e a dor

Com você
Vou além dos limites de um ser
À procura do que possa ter
De mais lindo pra te oferecer
Você é muito mais que a minha própria vida
É o sol e as estrelas do meu universo
Você é a canção mais bonita que eu canto
É a frase de amor mais linda do meu verso
Você, você é meu amor
Você, você é meu amor

Com você
Vou além dos limites de um ser
À procura do que possa ter
De mais lindo pra te oferecer

Você é muito mais que a minha própria vida
É o sol e as estrelas do meu universo
Você é a canção mais bonita que eu canto
É a frase de amor mais linda do meu verso
Você, você é meu amor
Você, você é meu amor







Você



Composição: Roberto e Erasmo Carlos


Você que tanto tempo faz
Você que eu não conheço mais
Você que um dia eu amei,demais

Você que ontem me sufocou
De amor e de felicidade
Hoje me sufoca de saudade

Você que ja não diz pra mim
As coisas que eu preciso ouvir
Você que até hoje eu não esqueci

Você que eu tento me enganar
Dizendo que tudo passou
Na realidade aqui em mim, você ficou

Você que eu não encontro mais
Os beijos que ja não lhe dou
Fui tanto pra você
E hoje nada sou



Voltei Ao Passado

Composição: Mauro Motta / Eduardo Ribeiro

Eu voltei ao passado
E lembrei de você
Revivi tantos sonhos
Que você também viveu...

Pois é!
Faz tempo que eu não sei
Da sua vida
Mas hoje uma saudade
Escondida
Me diz que eu preciso
Só te ver...

Quem sabe!
Talvez você também
Lembrou de mim
E quer saber também
A onde estou
Porque nos dividimos
Sem querer assim...

Eu voltei ao passado
E lembrei de você
Eu vivi tantos sonhos
Que você também viveu...

Eu sei!
O quanto foi difícil
Me afastar
Mas hoje com mais tempo
Prá pensar
Eu acho, foi melhor
Para nós dois...

Quem sabe!
Talvez não fosse bom
Eu te encontrar
Prá não ver tristeza
Em seu olhar
E eu tivesse até vontade
De chorar...

Eu voltei ao passado
E lembrei de você
Revivi tantos sonhos
Em que você também viveu...

Eu voltei ao passado
E lembrei de você
Eu vivi tantos sonhos
Em que você também viveu...
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