sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A ratoeira

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua mulher abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:

“- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!”.

A galinha, disse:

“- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda”.

O rato foi até o porco e lhe disse:

“- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!”.

“- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas orações”.

O rato dirigiu-se então à vaca.

Ela lhe disse:

“- O que Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo?”

“Acho que não!”

Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro.

Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia na ratoeira. No escuro, ela não viu que a ratoeira pegara a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...

O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente foi ao o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

Moral da história. Muitas vezes estamos tão presos às nossas próprias coisas, às nossas próprias necessidades que não estamos nem um pouco preocupados com o bem estar de outrem. Esquecemos que quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.

Autor Desconhido
ilustração: internet

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A lenda de Anahí

Para minha amiga Anaí

Há muito tempo, uma tribo guarani habitava as margens do rio Paraná.
O cacique da tribo era venerado e respeitado por todos os índios, e tinha uma filha cuja beleza cativava quem a visse.*

Seu nome era Anahí, que em guarani significa “aquela de doce voz”.

A princesa índia entoava nostálgicas e misteriosas canções espalhando harmonia ao seu redor.

Certo dia, a paz daquelas tranquilas terras foi quebrada, devido a invasão do homem branco.

Índios e espanhóis entraram em luta e o grande cacique foi morto por um capitão inimigo.

Anahí, cega de dor, jurou vingar a morte de seu pai.

Numa noite sem lua, entrou no acampamento e matou o capitão espanhol, entretanto foi presa sendo condenada a morrer na fogueira.

Amarrada ao poste do suplício, Anahí não soltou um grito sequer, apenas ouviu-se de seus lábios uma melancólica canção de despedida.

Quando só restavam cinzas daquela cruenta fogueira, os soldados, assustados, não podiam acreditar no que seus olhos viam. No mesmo lugar do sacrifício se erguia um tronco milagroso, estendo seus braços transbordantes de flores vermelhas como o sangue.

Desde então, a flor da corticeira adorna e bendiz as agrestes ribeiras e o rio embala esta lenda da frágil indiazinha.

tradução: JFelipe* Há traduções que dizem que Anahí não era bonita, mas tinha uma voz maravilhosa. Isso talvez se deva ao fato da árvore da corticeira  ser feia, ao contrário de sua flor.
A flor da corticeira é a flor nacional da Argentina e Uruguai.

fonte: http://www.flickr.com/

  Anahí...


As harpas lastimosas hoje choram arpejos que são para ti
Anahí...
recordam o caso de tua imensa bravura reina guarani.
Anahí
Indiazinha feia da voz tão doce como o Aguaí.
Anahí, Anahí,
tua raça não morreu, perduram tuas forças na flor rubi.

Defendendo altiva tua indômita tribo foste prisioneira
Condenada à morte, já estava teu corpo envolvido na fogueira
e enquanto as chamas o estavam queimando,
em vermelha corola foi se transformando...
A noite piedosa cobriu tua dor e Alba assombrada
viu teu martírio feito ceibo em flor.
Anahí
Indiazinha feia da voz tão doce como o Aguaí.
Anahí, Anahí,
tua raça não morreu, perduram tuas forças na flor rubi.
Anahí, Anahí...

foto: internet

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A paz que trago em mim...



A paz que trago hoje em meu peito é diferente da paz que eu sonhei um dia...
Quando se é jovem ou imaturo, imagina-se que ter paz é poder fazer o que se quer, repousar, ficar em silêncio e jamais enfrentar uma contradição ou uma decepção.
Todavia, o tempo vai nos mostrando que a paz é resultado do entendimento de algumas lições importantes que a vida nos oferece.
A paz está no dinâmica da vida, no trabalho, na esperança, na confiança, na fé.
Ter paz é ter a consciência tranqüila, é ter certeza de que se fez o melhor ou, pelo menos, tentou...
Ter paz é assumir responsabilidades e cumpri-las, é ter serenidade nos momentos mais difíceis da vida.
Ter paz é ter ouvidos que ouvem, olhos que vêem e boca que diz palavras que constroem.
Ter paz é ter um coração que ama...
Ter paz é brincar com as crianças, voar com os passarinhos, ouvir o riacho que desliza sobre as pedras e embala os ramos verdes que em suas água se espreguiçam...
Ter paz é não querer que os outros se modifiquem para nos agradar, é respeitar as opiniões contrárias, é esquecer as ofensas.
Ter paz é aprender com os próprios erros, é dizer não quando é não que se quer dizer...
Ter paz é ter coragem de chorar ou de sorrir quando se tem vontade...
É ter forças para voltar atrás, pedir perdão, refazer o caminho,  agradecer...
Ter paz é admitir a própria imperfeição e reconhecer os medos, as fraquezas, as carências...
A paz que hoje trago em meu peito é a tranqüilidade de aceitar os outros  como são, e a disposição para mudar as próprias imperfeições.
É a humildade para reconhecer que não sei tudo e aprender até com os insetos...
É a vontade de dividir o pouco que tenho e não me aprisionar ao que não possuo.
É melhorar o que está ao meu alcance, aceitar o que não pode ser mudado e ter lucidez para distinguir uma coisa da outra.
É admitir que nem sempre tenho razão e, mesmo que tenha, não brigar por ela.
Momento Espírita/1995
Foto: Floresta Negra - Alemanha

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Catendê

Hoje no final da tarde, sentado numa lanchonete esperando a chuva passar, lembrei dessa joia musical  da autoria de Ildasio Tavares, Antonio Carlos e Jocafi na voz maviosa de Maria Creusa acompanhada de Toquinho e Vinicius, que há muito não ouvia e faço questão de partilhar com meus amigos.

Catendê





Meu catendê ... de lá de China


Luante, meu catendê


Meu catendê ... de lá de China


Luante, meu catendê


Varre a voz o vendaval


Perdido no céu de espanto


Meu barco fere a distância


No disparo da inconstância


Me encontrei sem me esperar


Quanto mais o tempo avança


Mais me perco neste mar


E no rumo do segredo


Caminhei todo o caminho


Ei lá


Maré brava maré mansa


Ei lá


Vou na trilha da esperança


Ei lá


Vou no passo da alvorada


Ei lá


Mar amor enamorada


De segredo e de procura


Fiz do medo o meu amigo


E de força sempre pura


O meu canto se encontrou


E no fim da jornada


Vi meu canto crescer


Há tanto escuro na estrada


Esperando o sol nascer


Vou cantar pela vida


O meu canto de amor


Há tanta dor escondida


Tanto canto sem cantor


Ei lá


Maré brava maré mansa


Ei lá


Vou na trilha da esperança


Ei lá


Vou no passo da alvorada


Ei lá

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Moleca



No último dia do ano, recebi de minha amiga Syssim um  carinhoso mimo,  postado no  blog Idéias da Fada sem Fim  http://www.dihitt.com.br/barra/chamando-a-moleca.

Não poderia deixar de retribuir a gentileza e nesta primeira postagem do ano o faço. 




Moleca

Menina sapeca,
Levada da breca.
Que faz poesia
Com muita ousadia.


E sai para a luta,
Enfrenta, refuta
Pois a todo custo
Só quer o que é justo.


Apanha da vida,
Parece vencida.
Fraqueja? Qual nada!
É forte a danada.


Seu verso é uma arma,
Os fracos desarma,
Mas muitos conquista
Esta alma de artista.


Verdadeira moleca,
As lágrimas seca
Fazendo escarcéu
Com lápis, papel.
                                                                                                                     Jan/2010
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