sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Empresta-me teu corpo - síndrome de personalidade múltipla


A Síndrome de Personalidade Múltipla (SPM) ou Transtorno Dissociativo de Identidade é considerada por alguns estudiosos no assunto, mais comum que se imagina, principalmente em adolescentes do sexo feminino. A ciência descreve a SPM como a existência de duas ou mais personalidades distintas e separadas numa mesma pessoa, sendo que, cada uma delas determinando comportamento, atitude e sentimento próprio.

Na realidade, desde o século 18, existe muita controvérsia no meio cientifico, envolvendo o diagnóstico e tratamento da SPM.  

Neste artigo vamos nos concentrar em divulgar os estudos e pesquisas do conceituado escritor espírita, Hermínio C. Miranda, autor do livro Condomínio Espiritual. Ele reuniu nesta obra, algumas raridades bibliográficas escritas por médicos que participaram diretamente da terapia e pesquisa com seu paciente. Também tem outros casos, mais recentes, e também dramáticos, que de tão espetacular, suas histórias foram publicadas em livros, lançados nos EUA, sendo que, um destes casos virou filme intitulado As três faces de Eve.

Um dos casos mais famosos é o da garota Sybil, sua história foi escrita por Flora Rheta Schreiber, publicado em 1973, se tornou best-seller, já vendeu seis milhões de exemplares. Flora descreve as 16 entidades que se encontravam ao lado de Sybil, sendo 14 femininas e duas masculinas. Destas entidades, uma de nome Victoria Antoinette Scharleau, apelido Vicky, se destacava por ter controle sobre as outras personalidades, ou seja, ela controlava quem iria e por quanto tempo se manifestar no corpo de Sybil. A doutora Cornélia B. Wilbur, que cuidou do tratamento de Sybil, foi magnífica ao introduzir na terapia a convivência pacífica entre as entidades, desenvolvendo assim, excelente relacionamento com todas as personalidades. A tarefa foi difícil, Dra. Wilbur, cuidou do caso por onze anos. Além destes problemas, Sybil, submeteu desde a infância até a adolescência, sob o controle severo e cruel de sua mãe que a deixou mutilada pelo resto da vida nos órgãos sexuais.

Outro relato é o de Henry Hawksworth que ficou sob os cuidados do Dr. Ralph B. Allison, que também orientou sua terapia. As personalidades tomaram conta por completo do corpo de Hawksworth quando ele tinha apenas três anos de idade. Ele só voltou a ter controle da situação, ou seja, do seu corpo e consciência, aos 43 anos. Durante 40 anos ele ficou sob o domínio, rotativamente, por cinco personalidades. Também com Hawksworth, havia uma entidade líder, Dana, que dominava a situação quando esta ficava fora de controle. Henry Hawksworth teve uma infância traumática e atormentada pelo seu sádico pai.

O caso de Billy Milligan é complexo e contém muitas informações. Havia 24 personalidades, mas apenas 10 se tornaram conhecidas pelos psiquiatras, advogados, policiais e mídia. Eram controladas pela personalidade do severo, culto e inteligente, Arthur. Havia outras personalidades também marcantes que quando, sob o domínio do corpo de Milligan, praticaram assaltos, estupros e seqüestros. O interessante é que para cada ato destes, uma entidade se manifestava, conforme sua condição moral. Por exemplo, quando era uma ação criminosa, emergia a personalidade de Ragen, para estupros, se manifestava, Adalana, uma entidade feminina e lésbica. Milligan foi preso, considerado o autor destes crimes. Também, igualmente a Sybil e Hawksworth, sua infância foi violenta. Sofreu tortura e abuso sexual de seu padrasto.                 

Em todos os casos havia uma personalidade dominante, porém todas eram consideradas secundárias. As personalidades secundárias poderiam ser crianças, mulheres, homens, com todo tipo de cultura, desequilíbrio, credo e raça. Entre a substituição de uma entidade para outra, o hospedeiro tem a sensação de uma amnésia, é o fenômeno da alteração de personalidade.

Outro caso muito interessante foi o de Mary Holf, em 1878, se apossou do corpo de Lurancy Vennum, por cento e dez dias. Inclusive, indo morar com a sua família, deixando a família de Lurancy. Na época, os pais de Rancy, como era conhecida, sofreram muito. Doutor Stevens acompanhou o caso e registrou todos os acontecimentos.  No prazo estipulado por Mary, devolveu o corpo a Lurancy. Vale ressaltar que outras personalidades se manifestaram. Uma delas, Katrina Hogan, era uma entidade agressiva que juntamente com outros seres invisíveis aguardavam, de plantão, o momento exato de apossar do corpo de Lurancy, sempre sob a vigilância de Mary Holf que era a entidade líder. Na idade adulta, dr. Richard Hodgon, entrevistou Rancy, considerando seu caso na categoria “espiritista”.

A opinião de Hermínio Miranda é que “entra em cena a mediunidade nesta discussão, devo dizer-lhe que, a ser legítima a proposta de que são autônomas as personalidades que integram o quadro da chamada grande histeria (SPM), é de pressupor-se no paciente faculdades mediúnicas mais ou menos indisciplinadas, mas atuantes, que permitem não apenas o acoplamento de outras individualidades ao seu psiquismo, como a manifestação de tais entidades através de seu sistema psicossomático (...) a SPM não seria psicose nem neurose, mas faculdade mediúnica em exercício descontrolado”.

A personalidade em posse do corpo do individuo não pode fazer com que ele pratique o suicídio, mas por meio de suas indisciplinas, acabe levando seu hospedeiro à morte, por exemplo, através de um acidente de carro. Outra violência no corpo do outro são os crimes praticados enquanto as personalidades fazem o “rodízio” em seu corpo, praticavam crimes com a intenção de criarem dificuldades a sua vítima, além de gozarem dos prazeres físicos (chegou a ocorrer em alguns casos, praticado sob o domínio da personalidade, a gravidez do hospedeiro).

A falta de estudo do médium, aliada ao seu despreparo, deixa-o condicionado às entidades de todo tipo, principalmente as desarmonizadas e desajustadas. Somente por meio de instrução, estudo e preparação, o médium poderá controlar estas passividades, deixando a comunicação com estas entidades para momento apropriado, como nos trabalhos de desobsessão do Centro.

O médium deve fazer uma reforma íntima e moral, participar das reuniões públicas, receber aplicação de passes, fazer o tratamento da desobsessão; o culto evangelho no lar é muito importante, além de ouvir músicas tranqüilas e ter o hábito de leituras edificantes. A caridade é a principal forma de podermos ajudar ao próximo como a nós mesmos, criando uma atmosfera favorável ao redor, deixando ao nosso lado entidades de luz que realmente querem nos auxiliar em prol do bem.

Marco Tulio Michalick
Texto original publicado na Revista Internacional de Espiritismo, edição nº 07, ano 2006.
ilustração: internet           

Um comentário:

Sissym disse...

Felipe, eu aprecio ler sobre comportamento, psicologia, espiritismo, etc... por isso mesmo eu já havia lido sobre Sybil e achei incrível! Eu só sabia de Sybil, fiquei até comovida sobre outros relatos. Imagine só o sofrimento de pessoas como Sybil e a falta de compreensao de quem vive/u ao lado dela!

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