sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A força do exemplo

Muitas pessoas acreditam que para educar as crianças basta falar sobre boas maneiras, fazer longos discursos teóricos sobre como se deve agir na vida.

No entanto, esquecem-se da força do exemplo e negam a teoria fazendo o que desaconselham ou deixando de fazer o que ensinam.

Um dia, dois amigos brasileiros andavam por uma rua movimentada de uma cidade alemã, quando se detiveram há alguns metros da faixa de pedestres.

Como não vinha carro algum, resolveram atravessar.

Todavia, antes de chegarem ao outro lado, perceberam que uma senhora, em companhia de uma criança, lhes falava com veemência, fazendo parecer que reprovava aquela atitude.

Como não entendiam a língua alemã perguntaram à amiga que os acompanhava, que vivia naquela cidade e falava alemão, o que a senhora estava dizendo.

A amiga então esclareceu que ela os recriminava por terem atravessado a rua fora da faixa de pedestres e dado esse mau exemplo à criança.

“Como podem fazer isto diante de uma criança e depois exigir que faça o certo?”, falou a senhora.

“Como poderemos deixar um filho sair na rua e confiar que obedecerá as leis de trânsito, quando lhes damos o pior exemplo?”, acrescentou indignada.

Com certeza aquela senhora alemã agiu como cidadã que tem consciência de que a melhor pedagogia é o exemplo.

Quando os amigos nos contaram esse episódio, ficamos a imaginar se em nossas ruas alguém teria a coragem de tomar uma atitude dessas...

Por aqui, é comum se ver os próprios pais arrastando seus filhos pela mão, em correria, para chegar ao outro lado da rua, não muito longe da faixa ou da passarela...

Não é difícil perceber motoristas avançando o sinal, parando sobre a faixa de pedestres, desrespeitando a sinalização. E muitas vezes têm os filhos por testemunha.

Nós, que desejamos mudar essa triste estatística de mortes por acidente de trânsito em nosso país, precisamos agir com sabedoria.

Enquanto os adultos não se educarem para mostrar como se faz, não se pode esperar um panorama melhor no futuro, pois a base, que são as crianças, estará comprometida.

E as mortes no trânsito são apenas um dos fatores resultantes da deseducação. E causam bastante infelicidade e prejuízos.

Há também o fator corrupção, que tanta desgraça tem causado em nossas vidas.

Quando pais ou mães são abordados pelo guarda de trânsito, por terem cometido uma infração qualquer, e começam a inventar mentiras diante dos filhos, para se justificar, estão ensinando os filhos a ser desonestos.

O certo é que deveriam admitir que agiram equivocadamente, e assumir a multa.

O que se poderá esperar de um educando que recebe essas lições?

Existem tantos outros exemplos, mas não é necessário relacionar todos eles para se chegar à conclusão de que o exemplo arrasta, e que é preciso pensar nisso.

Quantas mortes no trânsito não poderiam ser evitadas se os adultos só dessem boas lições às crianças!?

Quanta desonestidade deixaria de existir se os exemplos dos educadores fossem sempre de honestidade e honradez!?

Quanta violência não seria praticada se os exemplos de violência não fossem passados para a infância!?

Se você concorda com essas argumentações, e está pensando que apenas o seu exemplo não adiantará, pense na autoridade moral que terá diante do seu filho, agindo certo.

Ainda que todas as demais pessoas dessem maus exemplos, se você agir corretamente terá o respeito do seu filho, e é isso que importa.

Pense nisso, e considere que uma criança poderá estar observando você e aprendendo com os seus exemplos, neste exato momento.

Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.
foto: DW-World.DE 
Alguns semáforos para pedestres do bairro de Ehrenfeld, em Colônia, ostentam uma figura feminina em vez do tradicional boneco parado ou em movimento. A idéia foi financiada por uma política, que pretende chamar a atenção para a equiparação dos direitos da mulher.


2 comentários:

Silvana Marmo disse...

Meu caro Felipe,
Gostaria de relatar um caso acontecido comigo e meu marido que ilustra muito bem seu texto, que é o mais verdadeiro que já li, trabalho em escola e sei o que são pais que não servem de referncial.
Bem, morei por 12 anos em Ubatuba e certa noite meu marido sugeriu que fossemos comer algo e tomar uma cerveja. Chegamos a um bar pedimos uma porção de camarão uma de batata frita para meu filho que na época tinha 12 anos e uma cerveja, tinha um som ambiente gostoso e era quase na areia da prais. Assim que chegou a cerveja e o camarão meu filho disse uma frase que jamais na minha vida vou esquecer: Se beber não dirija, estavamos a menos de 1 km de casa, mas lhe digo não conseguimos tomar a cerveja e o camarão acabou por esfriar. Ele se divertiu comeu suas batatas brincou e nos deixou muito envergonhados.
Parabéns pelo texto.
Meu carinho

Felipe disse...

Silvana
Quando menos esperamos essa garotada nos dá cada aula!
Beijão

Related Posts with Thumbnails