segunda-feira, 17 de maio de 2010

O caminho do Bezerro

Um dia, um bezerro precisou atravessar a floresta para voltar a seu pasto.

Sendo animal irracional, abriu uma trilha tortuosa, cheia de curvas, subindo e descendo colinas. No dia seguinte, um cão que passava por ali, usou essa mesma trilha torta para atravessar a floresta.

Depois foi a vez de um carneiro, líder de um rebanho, que fez seus companheiros seguirem pela trilha torta.

Mais tarde, os homens começaram a usar esse caminho: entravam e saíam, viravam à direita, à esquerda, abaixando-se, desviando-se de obstáculos, reclamando e praguejando, até com um pouco de razão, mas não faziam nada para mudar a trilha.

Depois de tanto uso, a trilha acabou virando uma estradinha onde os pobres animais se cansavam sob cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em três horas uma distância que poderia ser vencida em, no máximo, uma hora, caso o caminho não tivesse sido aberta por um bezerro.

Muitos anos se passaram e a estradinha tornou-se a rua principal de um vilarejo e, posteriormente, a avenida principal de uma cidade.

Logo, a avenida transformou-se no centro de uma grande metrópole, e por ela passaram a transitar diariamente milhares de pessoas, seguindo a mesma trilha torta feita pelo bezerro, centenas de anos antes.

Os homens têm a tendência de seguir como cegos pelas trilhas de bezerros de nossa mente, e se esforçam de sol a sol a repetir o que os outros já fizeram.

Contudo, a velha e sábia floresta ria daquelas pessoas que percorriam aquela trilha, como se fosse um caminho único . . . sem se atrever a mudá-lo.

A propósito, qual é o teu caminho ???

Desconheço o autor
ilustração: quadro de Leonid Afremov

8 comentários:

Jackie Freitas disse...

Olá meu amigo Felipe!
Encontrar o próprio caminho para muitos é uma tarefa difícil. Quantos não procuram a própria direção através das palavras ou "conselhos" sem amo menos darem-se ao prazer de fazer a descoberta! Todos esquecem da alegria de dar os primeiros passos! Quando a criança dá o seu primeiro passo ela nos olha com um ar de vitória, de felicidade por sentir livre e independente! Dar os próprios passos, com as próprias pernas.
Porém, ao crescer, o homem vai esquecendo desse prazer e começa a querer caminhar os passos dos outros!
Muito bom esse post! Parabéns!
Grande beijo,
Jackie

Leila disse...

Oi Felipe,

Sem entrar em interpretações, isso de fato acontece. Em áreas livres as pessoas fazem um caminhozinho no mato pra passar. Se mais tarde aquela área for urbanizada, receber gramados e calçamento, podem colocar o melhor urbanista do mundo ali que as pessoas vão continuar fazendo o mesmo trajeto, por cima da grama. Às vezes a gente vê isso nas praças da cidade. Fica o caminhozinho em partes do jardim.

Agora, interpretando, as pessoas se condicionam a agir e pensar dentro de certos parâmetros de sua cultura. Se um fugir à regra é logo criticado e pressionado a voltar aos antigos padrões. Por isso é difícil essa mudança.

Claudine Ribeiro G. Netto disse...

Excelente texto. Por um caminho muitos passaram, homens e animais. Se este foi o caminho que escolheram deveriam fazê-lo sorrindo e feliz em vez de praquejar. Se não estás feliz com algo, por que não mudar? a vida é muito curta para ser vivida com lamentos. Se achar um caminho longo, procure outro que o faça feliz.
Abraços.

Felipe disse...

Jackie
Grato pela visita e comentário.
Quantas vezes achamos que certas coisas são impossíveis de se conseguir entretanto, com um pouco de esforço,conseguimos muito mais.
Beijão!

Felipe disse...

Claudine,
Para muitos toda mudança choca, daí o comodismo que gera a insatisfação consigo mesmo.
Grato pela visita.
Beijão!

Felipe disse...

Leila,
"O uso do cachimbo deixa a boca torta".

Beijão!

Rosana Madjarof disse...

Felipe,

Um belíssimo texto, pois sempre procuramos os caminhos mais fáceis, mas são os caminhos mais tortuosos que nos levam mais longe.

Adorei!

Bjs.

Ro.

Felipe disse...

Rosana

Os caminhos tortuosos são as dificuldades normais de vida ou as dificuldades que nós causamos.
Grato pela visita e comentário.
Abraços

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