domingo, 7 de fevereiro de 2010

O homem que não se irritava

Em uma cidade interiorana havia um homem que não se irritava e não discutia com ninguém.

Sempre encontrava saída cordial, não feria a ninguém, nem se aborrecia com as pessoas.

Morava em modesta pensão, onde era admirado e querido.

Para testá-lo, um dia seus companheiros combinaram levá-lo à irritação e à discussão   numa noite em que o levariam a um jantar.

Trataram todos os detalhes com a garçonete que seria a responsável por atender a mesa reservada para a ocasião.

Assim que iniciou o jantar, como entrada foi servida uma saborosa sopa, que o homem gostava muito.

A garçonete chegou próximo a ele, pela esquerda, e ele, prontamente, levou seu prato para aquele lado, a fim de facilitar a tarefa.

Mas ela serviu todos os demais e, quando chegou a vez dele, foi embora para outra mesa.

Ele esperou calmamente e em silêncio, que ela voltasse.

Quando ela se aproximou outra vez, agora pela direita, para recolher o prato, ele levou outra vez seu prato na direção da jovem, que novamente se distanciou, ignorando-o.

Após servir todos os demais, passou rente a ele, acintosamente, com a sopeira fumegante, exalando saboroso aroma, como quem havia concluído a tarefa e retornou à cozinha.

Naquele momento não se ouvia qualquer ruído.

Todos observavam discretamente, para ver sua reação.

Educadamente ele chamou a garçonete, que se voltou, fingindo impaciência e lhe disse:

- O que o senhor deseja?

Ao que ele respondeu, naturalmente:

- A senhora não me serviu a sopa.

Novamente ela retrucou, para provocá-lo, desmentindo-o:

- Servi, sim senhor!

Ele olhou para ela, olhou para o prato vazio e limpo e ficou pensativo por alguns segundos...

Todos pensaram que ele iria brigar... Suspense e silêncio total.

Mas o homem surpreendeu a todos, ponderando tranqüilamente:

- A senhorita serviu sim, mas eu aceito um pouco mais!

Os amigos, frustrados por não conseguir fazê-lo discutir e se irritar com a moça, terminaram o jantar, vencidos de que nada mais faria com que aquele homem perdesse a compostura.



Bom seria se todas as pessoas agissem sempre com discernimento em vez de reagir com irritação e impensadamente, procurando resolver o problema e não arrumando outro. 


Autor desconhecido
ilustração IMC

10 comentários:

Lilian disse...

Olá querido amigo JFelipe,

Parabéns pelo post.

Texto maravilhoso. Gostei muito.

Essa seria a conduta ideal para todo ser humano aprender e aplicar no dia a dia, a fim de ter uma vida com melhor qualidade.

Costumo não me irritar com nada, mas será que numa situação como essa, tramada de tal forma para o objetivo ser atingido, a gente conseguiria não questionar nenhum pouquinho? Difícil, não amigo? Dá o que pensar.

Carinhoso e fraterno abraço,
Lilian

Felipe disse...

Lilian.
Ao contrário do seu comportamento sempre tive pavio curto. Com o tempo fui melhorando, mas as vezes me pego em flagrante delito.
Num caso como o narrado seria difícil me conter e na vida, por incrível que pareça, há casos reais como este, não na brincadeira, mas buscando prejudicar o colega de trabalho, o companheiro de grupo ou um familiar.
Beijão

Sissym disse...

Felipe, todo mundo deveria ser assim, será mesmo?! Quando calmos podemos avaliar melhor as situações diversas, mas noutras, se somos indiferentes, como se nada houvesse acontecido, será que temos sentimentos?! Eu queria sim ser mais razão do que emoção, mas o que me rasga a honra me corrói. Eu costumo defender até os outros quando percebo algo errado que está ferindo o direito deste e este é alguém mais simples e/ou mais velho.

arte-e-manhas-arte disse...

Felipe,

Adorei a história. Esse comportamento é atípico, por isso só pode ser conotado com alguém muito sábio!

Beijos
Luísa

Francisco Castro disse...

Olá, JFelipe!

Muito interessante essa linda postagem. Ela pode servir de exemplo e de experiência para o cotidiano de cada pessoa. Devemos seguir os bons exemplos e renunciar os péssimos.

Abraços

Francisco Castro

Gernain disse...

Olá Felipe,
Texto sensacional, faz a gente ter vontade de relaxar mais um pouco, de repensar algumas posturas e de levar a vida com mais calma.
Quase tão bom como as palavras de Saint Exupery que mantém no seu blog.
Que coisa boa!

Um abraço,
Gernain.

Felipe disse...

Syssim.
Muitas vezes o silêncio ganha uma batalha e a calma vence a guerra.
Beijão

Felipe disse...

Luísa.
Um dia nós chegaremos lá.
Beijão

Felipe disse...

Francisco.
Grato pela visita e comentário.
Abraços!

Felipe disse...

Gernain
Há de chegar o dia em que deixaremos, somente de modo positivo, nossa passagem pela vida dos outros e vice versa.
Abraços!

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