domingo, 28 de junho de 2009

A estrela

Havia milhões de estrelas no céu. Estrelas de todas as cores: brancas, prateadas, verdes, douradas, vermelhas e azuis.

Um dia elas procuraram Deus e Lhe disseram:

- Senhor Deus, gostaríamos de viver na Terra entre os homens.

- Assim será feito, respondeu o Senhor. Conservarei vocês pequeninas como são vistas e podem descer para a Terra.

Conta-se que, naquela noite, houve uma linda chuva de estrelas. Algumas se aninharam nas torres das igrejas, outras foram brincar de correr com os vaga-lumes nos campos; outras misturaram-se aos brinquedos das crianças e a Terra ficou maravilhosamente iluminada.

Porém, passado algum tempo, as estrelas resolveram abandonar os homens e voltar para o céu, deixando a Terra escura e triste.

- Por que voltaram? Perguntou Deus, a medida que elas iam chegando ao céu.

- Senhor, não nos foi possível permanecer na Terra. Lá existe muita miséria e violência, muita maldade, muita injustiça....

E o Senhor lhes disse:

- Claro! A Terra é o lugar do transitório, daquilo que passa, daquele que cai, daquele que erra, daquele que morre, nada é perfeito. O lugar de vocês é aqui no céu. O céu é o lugar da perfeição, do imutável, do eterno, onde nada perece.

Depois que chegaram todas as estrelas e conferindo o seu número, Deus perguntou a um de seus anjos:

- Voltaram todas?
- Não Senhor, respondeu o anjo.

- Uma estrela resolveu ficar entre os homens. Ela descobriu que seu lugar é exatamente onde existe a imperfeição, onde há limite, onde as coisas não vão bem, onde há luta e dor.

E Deus perguntou:

- Mas, que estrela é esta?

É a Esperança Senhor. A estrela Verde. Aliás, a única estrela desta cor.

E quando olharam para a Terra, a estrela não estava só. A Terra estava novamente iluminada porque havia uma estrela verde no coração de cada pessoa. Porque o único sentimento que o homem tem e Deus não tem é a Esperança, pois Deus já conhece o futuro, e a Esperança é própria da pessoa humana, própria daquele que erra, daquele que não é perfeito, daquele que não sabe como será o amanhã.

Autoria ignorada
foto:AP

sábado, 27 de junho de 2009

Simplesmente lindo!!!

Agostinho dos Santos era considerado por Johnny Mathis como o melhor cantor do mundo.
Os dois juntos deu nisso.
Simplesmente lindo!


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Entre as rosas

Era final de inverno...

Mais um ano havia passado e não se chegara a nenhuma conclusão.

Os partidários das diversas facções, dia após dia, perdiam-se em longas e intermináveis discussões sobre esta ou aquela candidata, sem chegarem a um consenso.

Decantava-se a beleza da papoula, as qualidades das alfazemas, o perfume dos cravos, as virtudes de pureza e humildade de lírios e violetas.

Tudo em vão...

Num canto despretensioso do mundo, onde as espécies vegetais cresciam silenciosamente, um pequeno arbusto travava sua luta diária pela sobrevivência, alheio a toda sorte de discussões.

Conformada com sua forma tosca, retorcida, prenhe de espinhos pontiagudos e consciente de que nunca alcançaria a beleza de um dente-de-leão, acostumara-se a ser desprezado e humilhado, sem, no entanto, deixar de prestar atenção nas pequenas criaturas que dependiam de sua existência para sobreviver.

A elas dedicava a sua vida, emprestando a segurança de seu tronco e ramos para abrigar insetos das chuvas e ventanias.

Era feliz, pois, se não tinha a beleza, tinha a utilidade, e isso lhe bastava.

Naquela manhã fria de final de invernia, ainda não totalmente desperta da noite, a plantinha rude viu despregar do céu uma linda estrela cor de prata.

Sorrindo, acompanhou-lhe a trajetória em arco perfeito pelo céu escuro, descendo, descendo... Em direção à floresta ainda adormecida.

Era tão suave e linda aquela forma, que, instintivamente, todos na floresta, árvores, arbustos, pássaros e flores, acordados pela luz repentina, curvavam-se para vê-la passar.

A estrela flutuou entre sorrisos, agradecendo a simpatia da floresta, até chegar perto do arbusto cheio de espinhos.

Aproximou-se lentamente da plantinha e falou-lhe docemente.

Não te inscrevestes na eleição da rainha das flores, por isso vim pessoalmente buscar-te...

Mas, senhora... gagejou a planta, ...eu?? Como posso aspirar a ser rainha de qualquer coisa... não vês o quanto sou feia!!

O Senhor da vida ordenou-me que viesse buscá-la...

Se este é o seu desejo...aqui me tens, senhora...

E partiram em um rastro de luz, na direção do conselho das flores.

As demais candidatas riram-se da pretenciosa intenção daquele feio arbusto.

A platéia silenciou quando entrou no ambiente a primavera, anunciada pelo som de mil clarins.

O arbusto, espantado, reconheceu a estrela que a trouxera até ali.

Então, senhores conselheiros - questionou a primavera- o Senhor da vida deseja saber se já encontraram a legítima representante de Seu Reino?

Não, senhora. Estávamos para decidir-nos, quando fomos interrompidos pela vaidade dessa planta sem qualidades que aí está. Veja! Quanta ousadia...

A primavera voltou-se para a plantinha que chorava de vergonha e humilhação e perguntou:

O que mais desejas nesta vida? E a planta respondeu entre lágrimas...

Amar e ser amada...

A primavera, então, tocou os galhos espinhosos e, logo, botões surgiram dos galhos semi-nus, abrindo-se em mil pétalas sedosas, de perfume inesquecível...

Qual é o teu nome? Perguntaram todos.

Eu sou a rosa...
Quando o amor tocar os espinheiros do mundo, as rosas brotarão em cada alma.

fonte: Momento Espírita
foto: Roselândia

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A Corda ( Conto Reflexivo)

Era uma vez dois países, cortados por um rio, rápido, largo, perigoso, no qual muitos se afogavam ao tentar atravessá-lo.Em um desses países fluía o leite e o mel - era o país da felicidade..O outro, estremecido por brigas e devastado pela preocupação, era o país da infelicidade.

Um dia um homem observa aquele rio e, por Amor, resolve fazer alguma coisa: - Vou esticar uma corda de uma margem à outra, mesmo que eu morra ao enfrentar os perigos do rio, não importa. No futuro, outros poderão apanhar a corda, atravessar o rio com segurança e atingir o país da felicidade.

Eis que um dia esse homem executa o seu projeto.Apanha uma corda, amarra uma das extremidades em uma árvore, agarra a outra ponta e mergulha na correnteza, lutando contra as ondas. No meio da espuma e dos rodamoinhos, caçadores confundem-no com um animal e atiram nele, ferindo-o mortalmente.

Mesmo ferido, num derradeiro esforço, o herói consegue alcançar a outra margem e amarrar firmemente a corda da salvação.

A partir desse dia, tal homem de coragem foi reverenciado por todos, que diziam:

- Ele morreu para nos salvar; é digno do nosso amor.

Na verdade, rendiam-lhe homenagens, todos o faziam.Mas poucos seguiam o seu exemplo. Diziam:- Se segurarmos a corda, não corremos o risco de nos afogar... mas a água está tão fria e o rio é tão largo...!O perigo da travessia continua grande!

E assim, com o correr dos anos, a corda foi esquecida.Coberta de algas e de galhos, não era mais visível. Porém, o culto ao herói sobreviveu: o povo construiu monumentos em sua memória, cantou hinos em sua honra e continuou evocando o seu nome pelo grande amor que aquele ser lhes havia dedicado.

Sucederam-se as gerações: a segunda, a terceira, a quarta...Oradores, cientistas e letrados falavam das virtudes do herói, e narravam a maneira como, morrendo, ele salvara os homens.

Mas nunca mais se falou da corda jogada por cima do rio. Tinha sido completamente esquecida.Os argumentos, os discursos e os ensinamentos dos chamados "sábios" acabaram criando uma grande confusão.

Superstições proliferaram e raros foram os que conseguiram distinguir a Verdade.

Oradores declaravam:

Por que esta disputa?

A única coisa necessária é adorar o herói como um Deus e acreditar que ele morreu para a salvação de todos.

E eis que, quando nós morrermos, entraremos sem dificuldades no país da felicidade.

Se o nosso corpo nos proíbe, por enquanto, a travessia do rio, após a morte a nossa alma voará para o outro lado.

O amor, a potência e a coragem do herói eram tão grandes que tudo o que pedirmos ao seu espírito ele nos concederá se lhe demonstrarmos bastante amor.

Quando o povo ouviu isto, sentiu uma alegria imensa e cobriu de honrarias os oradores, falando: Grande é a sua sabedoria, pois nos mostram um caminho fácil.

É simples: adorar, rezar e solicitar ao nosso herói a salvação na hora da nossa morte.

Portanto, agora, comamos, bebamos, sejamos alegres e aproveitemos da melhor maneira a nossa estada no meio onde estamos.

Nesse meio tempo, o espírito do herói contemplava os seus irmãos com tristeza, escutando as suas orações e súplicas.

Eles haviam esquecido a corda que ligava o país da infelicidade ao da felicidade e que havia custado a vida do herói, para deixar a todos o exemplo de coragem e o caminho da paz, que passa pela educação do coração e pela vontade de amar a todas as criaturas.

Aquele povo perdera a chave que lhes permitiria ler as palavras daquele herói e de outros que existiram antes dele.

Liam com os olhos da carne, em vez de lerem com os olhos da alma.

Ainda surdos para ouvir, não conseguiam escutar o herói que ainda hoje continua a clamar:

- Acorda!

- A corda!!

- ACORDA !!!
Autoria Ignorada
fotos: internet

domingo, 21 de junho de 2009

"Homens-livros"


O Universo é uma imensa livraria.

A Terra é apenas uma de suas estantes.

Somos os livros colocados nela.

Da mesma maneira que as pessoas compram livros, apenas pela beleza da capa, sem pesquisarem o índice e conteúdo do mesmo, muitas pessoas avaliam os outros pela aparência externa, pela capa física, sem considerarem a parte interna.

Outras procuram livros com títulos bombásticos, sensacionalistas, histórias de terror ou romances profundos.

Também é assim com as pessoas: há aquelas que buscam sensacionalismos baratos, dramas alheios ou apenas um romance profundo ou rasteiro.

Somos homens-livros lendo uns aos outros.

Podemos ficar só na capa ou aprofundarmos nossa leitura até as páginas vivas do coração.

A capa pode ser interessante, mas é no conteúdo que brilha a essência do texto.

O corpo pode ter uma bela plástica, mas é o espírito que dá brilho aos olhos.

Também podemos ler nas páginas experientes da vida muitos textos de sabedoria.

Depende do que estamos buscando na estante.

Podemos ver em cada homem-livro um texto-espírito impresso nas linhas do corpo.

Deus colocou sua assinatura divina ali, nas páginas do coração, mas só quem lê o interior descobre isso.

Só quem vence a ilusão da capa e mergulha nas páginas da vida íntima de alguém, descobre seu real valor, humano e espiritual.

Que todos nós possamos ser bons leitores conscientes.

Que nas páginas de nossos corações, possamos ler uma história de amor profundo.

Que em nossos espíritos possamos ler uma história imortal.

E que, sendo homens-livros, nós possamos ser leitura interessante e criativa nas várias estantes da livraria-universo, pois somos homens-livros forever!

A capa amassa e as folhas podem rasgar. Mas, ninguém amassa ou rasga as idéias e sentimentos de uma consciência imortal.

O que não foi bem escrito em uma vida, poderá ser bem escrito mais a frente, em uma próxima existência ou além...

Mas, com toda certeza, será publicado pela editora da vida, na estante terrestre ou em qualquer outra estante por aí...


PS: Há homens-livros de várias capas e cores, mas Deus é o editor de todos eles.

(Este texto é dedicado aqueles homens-livros que sabem ler nas entrelinhas do brilho dos olhos e na luz de um sorriso a graça da vida em todas as dimensões).


Autoria ignorada

foto: internet

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Duas pérolas de Tagore

Eu andava por um caminho atapetado da relva, e de repente ouvi uma voz atrás de mim: “Olha para ver se me reconheces!”

Voltei-me, olhei para ela, e disse: “Não consigo me lembrar do teu nome!”

Ela continuou: “Eu sou a primeira grande Dor que tiveste quando jovem”.

Os olhos dela pareciam a manhã em que o orvalho ainda paira no ar.

Fiquei em silêncio algum tempo, e depois lhe perguntei: “Perdeste aquele imenso fardo de lágrimas?”

Ela sorriu, sem responder, e eu compreendi que as suas lágrimas haviam tido Tempo de aprender a linguagem do sorriso. Depois, suspirando, acrescentou:

“Certa vez disseste que irias acariciar a tua tristeza para sempre...”

Corando, eu respondi: “Sim, mas passaram-se anos e acabei esquecendo”.

Então eu tomei as mãos dela nas minhas, e lhe disse: “Mas também tu mudaste muito”.

Ela respondeu: “O que antes era sofrimento, agora se transformou em paz”


O pássaro domesticado vivia na gaiola, e o pássaro livre na floresta. Mas, o destino deles era se encontrarem e a hora finalmente havia chegado.

O pássaro livre cantou: “Meu amor, voemos para o bosque”.

O pássaro preso sussurrou: “Vem cá, e vivamos juntos nesta gaiola”.

O pássaro livre respondeu: “Entre as grades não há espaço para abrir as asas”.

“Ah”, lamentou o pássaro engaiolado - “no céu não saberia onde pousar”.

O pássaro livre cantou: “Amor querido, canta as canções do campo”.

O pássaro preso respondeu: “Fica junto comigo, e eu te ensinarei as palavras dos sábios”.

O pássaro da floresta retrucou: “Não, não! As canções não podem ser ensinadas!”

E o pássaro engaiolado gemeu: “Ai de mim! Eu não conheço as canções do campo”.

Entre eles o amor era sem limites, mas eles não podiam voar asa com asa.

Olhavam-se através das grades da gaiola, mas em vão desejavam se conhecer.

Batiam as asas ansiosamente, e cantavam:

“Chega mais perto, meu amor!”

Mas o pássaro livre dizia: “Não posso! Tenho medo da tua gaiola com portas fechadas”.

E o pássaro engaiolado sussurrava: “Ai de mim! As minhas asas ficaram fracas e morreram”.

ilustração e foto: internet

domingo, 14 de junho de 2009

O mundo ainda é belo

Caminha placidamente entre o ruído e a pressa, e lembra-te de quanta paz pode haver no silêncio. Tanto quanto possível, sem te renderes, fica em bons termos com todas as pessoas. Fala a tua verdade, tranquila e claramente, mas com brandura, e ouve a dos outros, mesmo a dos enfadonhos e ignorantes: também eles têm a sua história. Evita pessoas clamorosas e agressivas, pois trazem constrangimento para o espírito.

Se te comparares com os outros, podes tornar-te vaidoso e amargo, pois sempre haverá pessoas maiores ou menores do que tu. Goza tuas realizações tanto quanto teus planos.

Mantém teu interesse em tua própria carreira, por humilde que ela seja: é uma posse real que tens, nas ocasiões em que o tempo faça modificarem-se os destinos. Sê cauteloso em teus negócios, porque o mundo está cheio de trapaças. Mas que isso não te faça cego para a virtude existente: muitas pessoas lutam por altos ideais, e em toda a parte a vida está repleta de heroísmos.

Sê tu mesmo. Especialmente, não simules afeição. Não sejas cínico em relação ao amor, porque, em face de toda a aridez e de todo desencantamento, ele é perene, como a relva.

Aceita com tolerância o conselho dos anos, e abre mão, graciosamente, das coisas da juventude. Nutre teu espírito de força, para que te ampare em algum inesperado infortúnio. Mas não te angusties com simples imaginação. Muitos receios nascem da fadiga e da solidão. Para além de uma saudável disciplina, sê gentil para contigo.

És um filho do universo, não menos do que as estrelas e as árvores. Tens o direito de estar aqui. E seja ou não seja clara essa idéia para o teu entendimento, não duvides de que o velho Universo esteja desenvolvendo como se deve.

Portanto, fica em paz com Deus, seja como for que o concebas, e, sejam quais forem teus trabalhos e tuas aspirações, mantém, na ruidosa confusão da vida a paz com a tua alma.

Lembra sempre que com toda a sua felicidade, seus penosos trabalhos, e seus sonhos desfeitos, este mundo ainda é belo. Tem cuidado. Luta pela tua felicidade.

Texto datado de 1692 - encontrado na Igreja de São Paulo – Baltimore – EUA.

ilustração: internet

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O oleiro e o poeta


Há muito tempo, na cidade de Zahlé, ocorreu uma rixa entre um jovem poeta, de nome Fauzi, e um oleiro, chamado Nagib.

Para evitar que o tumulto se agravasse, eles foram levados à presença do juiz do lugarejo.

O juiz, homem íntegro e bondoso, interrogou primeiramente o oleiro, que parecia muito exaltado.

- Disseram-me que você foi agredido? Isso é verdade?

- Sim, senhor juiz. – confirmou o oleiro – fui agredido em minha própria casa por este poeta. Eu estava, como de costume, trabalhando em minha oficina, quando ouvi um ruído e a seguir um baque.

- Quando fui à janela pude constatar que o poeta Fauzi havia atirado com violência uma pedra, que partiu um dos vasos que estava a secar perto da porta.

- Exijo uma indenização! – gritava o oleiro.

O juiz voltou-se para o poeta e perguntou-lhe serenamente:

- Como justifica o seu estranho proceder?

- Senhor juiz, o caso é simples. – disse o poeta.

- Há três dias eu passava pela frente da casa do oleiro Nagib, quando percebi que ele declamava um dos meus poemas. Notei com tristeza que os versos estavam errados. Meus poemas eram mutilados pelo oleiro.

- Aproximei-me dele e ensinei-lhe a declamá-los da forma certa, o que ele fez sem grande dificuldade.

- No dia seguinte, passei pelo mesmo lugar e ouvi novamente o oleiro a repetir os mesmos versos de forma errada.

- Cheio de paciência tornei a ensinar-lhe a maneira correta e pedi-lhe que não tornasse a deturpá-los.
- Hoje, finalmente, eu regressava do trabalho quando, ao passar diante da casa do oleiro, percebi que ele declamava minha poesia estropiando as rimas e mutilando vergonhosamente os versos.

- Não me contive.

- Apanhei uma pedra e parti com ela um de seus vasos.

- Como vê, meu comportamento nada mais é do que uma represália pela conduta do oleiro.

Ao ouvir as alegações do poeta, o juiz dirigiu-se ao oleiro e declarou:

- Que esse caso, Nagib, sirva de lição para o futuro. Procure respeitar as obras alheias a fim de que os outros artistas respeitem as suas.

- Se você equivocadamente julgava-se no direito de quebrar o verso do poeta, achou-se também o poeta egoisticamente no direito de quebrar o seu vaso.

E a sentença foi a seguinte:

- Determino que o oleiro Nagib fabrique um novo vaso de linhas perfeitas e cores harmoniosas, no qual o poeta Fauzi escreverá um de seus lindos versos. Esse vaso será vendido em leilão e a importância obtida pela venda deverá ser dividida em partes iguais entre ambos.

A notícia sobre a forma inesperada como o sábio juiz resolveu a disputa espalhou-se rapidamente.

Foram vendidos muitos vasos feitos por Nagib adornados com os versos do poeta. Em pouco tempo Nagib e Fauzi prosperaram muito. Tornaram-se amigos e cada qual passou a respeitar e a admirar o trabalho do outro.

O oleiro mostrava-se arrebatado ao ouvir os versos do poeta, enquanto o poeta encantava-se com os vasos admiráveis do oleiro.


Desconheço o autor

foto: museu nacional da ufrj

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Uma família bem afinada



Os sucessos musicais de uma família através do tempo.
Eles apareceram antes da "jovem guarda" e até hoje são lembrados.

O primeiro Trio Esperança



O Segundo Trio Esperança



Um show de Marizinha



Golden Boys e Trio Esperança


sexta-feira, 5 de junho de 2009

Balada para um louco

Sempre há um pouco de loucura no amor. Mas sempre há também um pouco de razão na loucura.

Nietzsche

O amor é uma loucura, salvo quando se ama com loucura.

Autor Desconhecido


Loucura de amor é pleonsmo, o amor já é uma loucura.
Autor Desconhecido


Podem me chamar de louco, mas adoro esta música.
O primeiro sucesso de Astor Piazzolla no Brasil. Versão: Moacyr Franco.







Num dia desses ou, numa noite dessas
você sai pela sua rua ou, pela sua cidade ou,
ou, sei lá, pela sua vida, quando de repente,
por detrás de uma árvore, apareço eu!!!

Mescla rara de penúltimo mendigo
e primeiro astronauta a pôr os pés em vênus.
Meia melancia na cabeça, uma grossa meia sola em cada pé,
as flores da camisa desenhadas na própria pele
e uma bandeirinha de táxi livre em cada mão.

Ah! ah! ah! Você ri... você ri porque só agora você me viu.
Mas eu flerto com os manequins,
o semáforo da esquina me abre três luzes celestes.
E as rosas da florista estão apaixonadas por mim, juro,
vem, vem, vamos passear. E assim meio dançando, quase voando eu
te ofereço uma bandeirinha e te digo:

Já sei que já não sou, passei, passou.
A lua nos espera nessa rua é só tentar.
E um coro de astronautas, de anjos e crianças
bailando ao meu redor, te chama:
vem voar.


Já sei que já não sou, passei, passou.
Eu venho das calçadas que o tempo não guardou.
E vendo-te tão triste, pergunto: O que te falta?
...talvez chegar ao sol, pois eu te levarei.

Ah! Ah! Ah! Ah!
Louco, louco, louco! Foi o que me disseram
quando disse que te amei.
Mas naveguei as águas puras dos teus olhos
e com versos tão antigos, eu quebrei teu coração.
Ah! Ah! Ah! Ah!
Louco, louco, louco, louco, louco!

Como um acrobata demente saltarei
dentro do abismo do teu beijo até sentir
que enlouqueci teu coração, e de tão livre, chorarei.
Vem voar comigo querida minha,
entra na minha ilusão super-esporte,
vamos correr pelos telhados com uma andorinha no motor.

Ah! Ah! Ah!

Do Vietnã nos aplaudem:
Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
E um anjo, o soldado e uma criança repetem a ciranda
que eu já esqueci...
Vem, eu te ofereço a multidão, rostos brilhando, sorrisos brincando.
Que sou eu? sei lá,
um... um tonto, um santo, ou um canto a meia voz.

Já sei que já não sou, nem sei quem sou.
Abraça essa ternura de louco que há em mim.
Derrete com teu beijo a pena de viver.
Angústias, nunca mais!!! Voar, enfim, voaaaarrr!!!

Ama-me como eu sou, passei, passou.
Sepulta os teus amores vamos fugir, buscar,
numa corrida louca o instante que passou,
em busca do que foi, voar, enfim, voaaaarrr!!!
Ah! Ah! Ah! Ah!...

Viva! viva os loucos!!! Viva! viva os loucos que inventaram o amor!
Viva! viva! viva!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

De existir a viver



Penso, logo EXISTO...


Existo, logo SOU...


Sou, logo QUERO...


Quero, logo PROCURO...


Procuro, logo ENCONTRO...


Encontro, logo DESEJO...


Desejo, logo AMO...


Amo, logo VIVO.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A Fábrica de Problemas


Há gente que adora criar confusão. Na vida dessas pessoas, a Fábrica de Problemas funciona sem parar. Todos os dias chegam os caminhões para descarregar a matéria-prima: mau humor, irritação, impaciência, intolerância, implicância, provocação.

Não basta enfrentar os problemas inevitáveis? Será que é necessário “botar lenha na fogueira” ou “cutucar onça com vara curta”? De onde vem essa certeza de que “quanto pior melhor”?

Parece incrível, mas tem gente que se aproveita disso! E não é só essa de “quanto pior para os outros melhor para mim”. Também existe o “quanto pior para mim melhor estarei”. Melhor como? “Protegida de um mal ainda maior”, diz a pessoa que trabalha na Fábrica de Problemas. De que jeito?

Assim: lá no fundo a pessoa se convenceu (sabe-se lá como) de que algo terrível e catastrófico vai acontecer se ficar de bem com a vida. Às vezes, isso surge do medo da inveja e do mau olhado. Ficar “numa boa” é um perigo. Então, a Fábrica de Problemas passa a funcionar a todo o vapor: a pessoa se estressa, vive apertada com mil afazeres, sai de uma briga e entra em outra. Vive com o intestino preso, a boca amarga, acidez no estômago, fígado destrambelhado, mas, mesmo assim, fuma um cigarro atrás do outro, bebe café o dia inteiro e se alimenta mal. Resultado: maus tratos e problemas que não acabam mais.

Para que a Fábrica de Problemas passe a ser uma Fábrica de Soluções, só há uma saída: acreditar que é possível se proteger de forma não destrutiva e que, para neutralizar a inveja, não é preciso fazer mal a si mesmo nem aos outros. Assim, o circuito negativo que faz mal a tanta gente começa a ser revertido.

Maria Tereza Maldonado
Histórias da Vida Inteira
foto: internet

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Deus dos deuses

© Letícia Thompson



Nem todos acreditam em Deus da mesma maneira.

O Deus que eu conheço e amo é Aquele de todas as possibilidades.

As pessoas não obtêm de Deus o melhor para si porque elas mesmas limitam Sua ação nas suas vidas, seja pelas descrenças, seja pelas más crenças ou pela indiferença.

Ele existe para muitos seja quando recebem algo extraordinário, da ordem dos milagres, seja quando algo muito ruim acontece e precisam de alguém para carregar a culpa.

Os porquês multiplicam-se cada vez que uma catástrofe acontece ou quando assistimos as misérias em certas partes do mundo, onde os homens agem e não assumem as conseqüências dos próprios atos. Sim... nessas horas Deus existe para muitas pessoas!!!

Existe também para aquelas que se perguntam por que suas orações não são ouvidas quando recebem um "não" e persistem em não entender, esquecendo-se que a Deus não impomos nossas vontades, mas nossos desejos.

E Ele torna-se invisível quando o homem supera-se, O vê apenas como um ser a mais e não o Senhor de todos os senhores e Deus de todos os deuses. As pessoas que crêem demais em si, crêem de menos n’Aquele que as criou.

Em Deus não cremos por conveniência, porque Ele responde positivamente ao que desejamos ou não, mas porque cremos. E essa maneira de vê-Lo influencia muito no nosso relacionamento com Ele e no nosso dia-a-dia.

Crer em Deus verdadeiramente é crer e amar acima de qualquer fato ou circunstância, de qualquer conveniência, acima de todos os porquês e acima de qualquer qualidade ou possibilidade humana.

O Deus que eu amo me diz "não" de vez em quando e eu choro, fico triste e desanimada por instantes, mas comigo mesma, pois em relação a Ele meu amor não muda, continuo a amá-lo da mesma forma e sei que é assim que me ama também nas vezes que entristeço Seu coração.

Ele ama minha alma independente dos meus atos e esse amor me emociona, me dirige e fortalece, direciona minha vida.

Se as pessoas não colhem os frutos que esperam é porque talvez estejam amando da maneira errada ou têm uma visão distorcida do Deus que tudo pode.

Não basta crer, é preciso viver da crença, é preciso entregar-se ao Grande Amor como as criancinhas abandonam-se inteiramente nos braços da mãe em quem tanto confiam ou a noite que se entrega ao amanhecer sem se perguntar por que? e onde foram parar as estrelas.

Quem crê, sabe.
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