sábado, 14 de novembro de 2009

Ai meu pé!



Certa vez, a dor veio visitar a Terra. Vestiu-se de forma adequada e chegou a uma casa pobre. Havia crianças, uma mulher cansada de tantos afazeres e um homem marcado pelas horas de trabalho exaustivo.


A dor gostou do lugar e se aninhou no dedão do pé direito daquele pai de família. Naquele dia, quase noite, ele se recolheu e nem deu muita atenção para a tal da dor porque o cansaço era maior do que ela.

Mal despertou a madrugada o homem acordou, pulou da cama e começou a se preparar para sair.

Não desejando despertar as crianças e a esposa, ele se ergueu no escuro e logo bateu o dedão num brinquedo esquecido no chão.

Ai, disse ele baixinho. Ui, que dor!

Acariciou o dedo dolorido com a mão calosa e enfiou o pé no calçado.

A dor lhe deu uma espetada. Afinal, ela não estava gostando nada de ficar ali, apertada.

O homem, responsável, saiu mancando. O dedo latejava. Ele sentiu a dor diminuir um pouco quando tirou o pé do calçado, no trajeto que fez de ônibus.

Contudo, logo mais chegou ao destino. Calçou o sapato e andou.

Assim foi o dia inteiro. A dor reclamando, o homem sentindo mas dizendo: Eu preciso continuar. Não posso perder este emprego. Meus filhos dependem de mim.

E tudo acontecia. Ora o dedão topava na quina de um móvel, ora o sapato apertava mais, ora...

A noite surpreendeu o homem na labuta, suando, trabalhando. A dor já não aguentava mais.

E, quando ao ir para casa, o dedão topou numa pedra do caminho, foi o fim. A dor ficou muito zangada e disse: Vou embora. Este homem não sabe me tratar bem.

E lá se foi. Perto dali, ela encontrou uma casa muito bonita, confortável e entrou.

Um homem estava largado no sofá da sala, assistindo televisão. A dor gostou de tudo que viu e se instalou no dedão do pé.

Ai, gritou ele. Que coisa esquisita. Que dor terrível!

Já providenciou uma almofada para acomodar o pé. Ao recolher-se para dormir, enfaixou o local e no dia seguinte, fez repouso.

E no outro, e no outro.

A dor adorou aquele tratamento vip e tomou uma resolução: Não saio mais daqui.


fonte: Momento Espírita
foto: folha imagem

14 comentários:

ProfessorNelsonMS disse...

JFelipe

Aprender a lidar com a dor moral fundamental para o nosso processo de evolução.

A dor moral, assim como a dor física, está a nos indicar a necessidade de revermos nossos conceitos. Não falo como se eu conseguisse realizar tudo dessa forma, há uma enorme diferença entre saber o que tem que ser feito e o saber fazer.

A prática, as leituras e as reflexões são importantes no processo de aprendizagem. E por falar em leitura, e considerando que existe muito material bom a respeito desse assunto, eu gosto muito das abordagens de Emmanuel e do livro "O Sentido do Sofrimento".

Grato por mais essa oportunidade para refletir.

Um abraço.

Nelson

arte-e-manhas.com disse...

Até a dor gosta de mordomias! :)
Na realidade é assim. Há certas dores que se forem ignoradas, como são vaidosas, vão-se embora.

Muito bom o texto!

Beijos
Luísa

Felipe disse...

Minha Cara Luísa.
Até dor está ficando exigente ? Culpa nossa minha amiga.
Beijão

Felipe disse...

Meu Caro Nelson.
O fato de se ter consciência de que é necessário mudar alguma coisa já é um grande passo não acha?
Abraços!

Principe Encantado disse...

Sobreviver a dor moral é uma grande vitória para o homem. Parabéns pelo texto.
Abraços forte

Dan disse...

OI Felipe,

Belo texto, eu mando a dor embora, às vezes não vai.
Descobri seu blog por acaso, paasseando pela aí, o meu tem um nome parecido, vá visitá-lo, http://dan-poucodetudo.blogspot.com/, espero que goste.

Abraços

Felipe disse...

Meu Caro Príncipe.
Certas dores, quando vencidas, não representam somente uma batalha, mas a guerra.
Abraços!

Felipe disse...

Dan
Irei tomar um cafezinho no seu blog.
Grato pela visita e comentário.
Abraços!

Geraldo disse...

Olá Felipe,

Trabalhar nossas dificuldades e principalmente vencer-las é um exercicio que devemos nos dedicar com afinco. Não podemos simplesmente deixar que ela nos desanime e nos imobilize.

Abraço

Felipe disse...

Em suma meu Caro Geraldo.
Não podemos permitir que as dificuldades nos peguem pelos pés. rs
Abraços!

Shirley disse...

é como diria o fernandão (pessoa): a dor é inevitável, o sofrimento é opcional. fugi do tema? rs. bjão, e parabéns pelo excelente blog! :-D

Felipe disse...

Shirley.
Você e o Pessoa têm toda razão.
Grato pelas palavras.
Abraços!
Felipe

Fernando Christófaro Salgado disse...

Olá Felipe!

Ótimo texto! Tem um selo pra você no meu blog! Depois passe lá para pegá-lo.

Ótima semana pra ti!

Abraços,

Fernando Salgado.

Felipe disse...

Fernando
Fico honrado pela lembrança.
Abraços!
Felipe

Related Posts with Thumbnails