sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O sumiço do botão



Um conto meio sem graça para Maria.

Minha graciosa amiga lá dos pampas.



Qualquer semelhança com pessoa viva ou fatos acontecidos não é mera casualidade


Era dia de eleição no condomínio.
Desde as primeiras horas o movimento era intenso, pois aquele não era um condomínio comum, uma vez que mais de trinta mil pessoas tinham ali seus escritórios. Uns bem sofisticados outros nem tanto e ainda havia aqueles bem simples, mas acolhedores.
A única exigência para instalar um escritório, naquela quase cidade, era ser gente boa, o que era conseguido em 99,9% das vezes (sempre alguém escapa).
A votação não era obrigatória, mas a grande maioria fazia questão de participar. Era de bom tom.
O local era dividido, face ao seu tamanho, em várias alas e em cada uma delas estava instalado um painel (novo por sinal), com um botão que acionado, após ser lida a plataforma do condômino-candidato e caso as suas colocações fossem interessantes, recebia um voto e um comentário sobre sua plataforma.
Havia plataformas das mais diversas. Políticas, poéticas, humorísticas e até de tirinhas.
A eleição transcorria calmamente até que foi dado o alerta: em uma das alas o botão de votação sumira e com isso os condôminos não podiam votar, embora pudessem ler as plataformas de todos os candidatos.
O jornaleiro da ala resolveu dar um pulinho na redação do JornalEco do Condomínio, não que fosse um “jornaleco”, mas o nome chamava a atenção.
Pretendia levar a infausta noticia à sua amiga Maria (uma gaúcha guapa, gremista até a morte, conhecida e querida naquela ala), uma das editoras do jornal.
Entretanto, Maria já estava a par do ocorrido e ambos resolveram esperar as medidas a serem tomadas.
Passados alguns minutos entraram na redação Lovebird e Juliana, uma linda loira que tinha seu escritório naquela ala, com a mesma reclamação.
Como o tempo passava, Maria resolveu soltar uma EDIÇÃO EXTRA do jornal com o título: “QUEREMOS VOTAR... QUEREMOS VOTAR !!!”, para que todos soubessem do ocorrido.
Choveram telefonemas na redação. Uns informando que haviam notado a ausência do (nesta altura) “precioso botão”, outros lamentando o tal sumiço e ainda outros com sugestões para que se votasse sem o botão, o que era meio difícil, mas podia ser feito até que Suzana, uma psicóloga tarimbada, informou à redação que sem botão, ora conseguia votar, ora não.
Como o tempo corria, foi fundada a - AOSB - “Associação Ordeira dos Sem Botão”, para auxiliar Maria, que, a esta altura, não dava conta de atender os telefonemas e também para acompanhar a volta do “precioso botão”, que num determinado momento apareceu, mas em segundos sumiu novamente.
O jornaleiro chegou a aventar a possibilidade de a “bruxa vermelha” estar por trás do sumiço, com o que Maria até concordou, mas o Sydney (sempre gozador), achou que a culpa era do pessoal de Brasília.
O tempo passava e os telefonemas eram atendidos dentro da mais perfeita ordem, sem protestos excessivos, pois não era o perfil do condomínio, nem da associação dos “Sem Botão”.
Toca novamente o telefone. Era o Nogueira (bom amigo do pessoal daquela ala), lembrando que havia um velho painel que poderia ser usado, um pouco distante do novo, mas quebrava o galho e alguns condôminos passaram a utilizá-lo, mas queriam o botão do novo painel.
Lá pelas tantas, chega o Pablo (administrador do condomínio), esbaforido, pois tomara conhecimento do sumiço do “precioso botão” há pouco e estava fazendo de tudo para encontrá-lo.
O tempo passava, Pablo suava na procura do danado, e nada.
Foi Juliana (aquela loira linda) quem deu o alerta:
- Voltouuuuuuuuuuu. Está tudo normal. Valeu a Edição Extra Maria! Obrigada Pablo!
O pessoal da ala dos “Sem Botão”, já podia votar e uma coisa ficou comprovada.
Nada como uma manifestação paciente, ordeira e bem humorada, para auxiliar a resolver um grande problema: O sumiço de um pequeno e “precioso botão”.

9 comentários:

Maria Souza disse...

De novo não existe TECLA NESSE MALDITO COMPUTADOR (acho que é colorado!) para dizer-te, Felipão, o quanto AMEI ESSE CONTO!!

Barbaridade ... tal felicidade só se iguala a ter o Brasil vencedor para Copa 2016! rsrsr

Ah, mas tu és demais Felipe!!!

Que admirável Conto.
Vou, obviamente, indicar até pra minha mãe essa maravilha que tu escrevestes.

Um beijão cheio de alegria por seres tão especial assim.

E ASSIM CAMINHA À HUMANIDADE...
REPLETA DE PESSOAS JUSTAS E GENEROSAS.

Que glória!

Maria Souza - Guria Guapa
Porto Alegre - RS

Felipe disse...

Maria foi escrito com carinho para uma grande amiga.
Beijão guria guapa.

Nogueira disse...

Este nosso condomínio é maravilhoso amigo Felipe! Sinto um orgulho danado de fazer parte dele, a ponto de espalhar aos quatro ventos que aqui se encontram pessoas inteligentes e criativas, como você, que estampou em uma crônica os gritos de alerta de nossa amiga Maria do sul!
Parabéns!

Sissym disse...

Olá Jornaleiro do Jornaleco! Eu reparei o sumiço temporário do tal botão! poimmmmm

Teve post reclamando?!?!

Olha só, vou ensinar:

"São Longuinho, São Longuinho, ajude aparecer o botãozinho, se o botãozinho aparecer eu darei 03 pulinhos".

Quando o negócio é meio arriscado a gente pode colocar o pescoço a Grêmio, digo, prêmio, de outra pessoa para passar o vexame de pular e poder cair nas Ti-Rinhas e levar 100 pontos só pelo bom humor!

Ahhhhhhhhhh

Felipe disse...

Nogueira.
Também adoro este cantinho e as pessoas que, como o grande amigo, tem seus "escritórios" perto do nosso. rs
Baitabraço

Felipe disse...

Syssim moleca. rs
Beijão

eu disse...

ótimo artigo,valeu

Rosana Madjarof disse...

Mariaaaaaaa.....

Como não acredito em casualidades e enm em coincidências, devo te dar os parabéns amiga...

O teu botão "Queremos Votar", rendeu até um conto... hehehehe

Muito bom amiga!

Beijos,

Rosana Madjarof.

Felipe disse...

Grato pela visita.
Abraços

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