terça-feira, 15 de setembro de 2009

Uma carta apócrifa, mas linda


A carta que teria sido encontrada nos arquivos do Duque de Cesadini em Roma, e que descreve o aspecto físico de Jesus, apesar de linda, é apócrifa ( segundo a profa. Therezinha de Oliveira em seu livro Estudos Espíritas do Evangelho).

Logo a princípio a carta reflete dogmas, incabíveis para aquela época e faz de Jesus uma figura bela e romantizada, um “deus” que ninguém pode olhar fixo o seu semblante. Estudiosos de documentos históricos examinaram a carta e verificaram seus dados, concluindo: o único Públio Lêntulos da história romana, morreu no ano 63 antes de Cristo, não podendo ter escrito a carta depois de Cristo: pelas expressões idiomáticas e estrangeiras do estilo, a carta foi escrita no século XI depois de Cristo.

Abaixo a referida carta:



RETRATO DE JESUS


Em Roma, no arquivo do Duque de Cesadini, foi encontrado uma carta de Públio Lêntulus, Legado na Galileia, do Imperador Romano, Tibério César. Eis a carta que é um retrato fiel de Jesus:

“Existe nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus; ressuscita os mortos, cura os enfermos; em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade no rosto que, aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou a temê-lo.

Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura, distendido até às orelhas e das orelhas até às espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos Nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio ; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende apavora e quando ameniza faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade. Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar.

Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima, verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua Mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo jamais visto por estas partes uma donzela tão bela.

Das letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem vendo-o assim, porém, em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca foi ouvido por estas partes.

Em verdade, segundo me dizem os hebreus não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina como ensina este Jesus; muitos judeus o tem como Divino e muitos o querelam, afirmando que é contra a lei de tua Majestade.

Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele tem praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde.

Públio Lêntulus
Pesquisa: Therezinha de Oliveira - Estudos Espíritas do Evangelho
Antologia Espírita e Popular

Ilustração: internet

7 comentários:

arte-e-manhas.com disse...

Realmente é uma descrição muito bonita. Talvez Públio Lêntulus não se esteja a referir a Jesus Cristo, mas a outro Jesus, visto o nome ser comum entre os hebreus. Mas, o mais provável é que essa carta tenha sido escrita muitos anos depois da morte do suposto autor.
Parabéns, Felipe, por mais esta história linda!
Abraços
Luísa

Felipe disse...

Luísa.
O senador poderia estar se referindo a outro Jesus.
Como você ponderou, muito bem, diga-se por sinal, o nome Jesus era muito comum naquela época. Até Barrabás chamava-se Jesus.
Entretanto ele fala da mãe (uma donzela linda), levando a crer tratar-se de Maria o que confirma a tese de se tratar do Cristo.
Quanto ao texto, conforme o título do post, "uma carta apócrifa, mas linda.
Grato pelas palavras.
Abraços
Felipe

Mikasmi disse...

A descrição é belíssima, é esta a imagem que pintores e desenhistas têm usado. Contudo ela tem mais características europeias. Jesus Cristo deveria ter as mesmas características físicas dos judeus de sua época. Pele morena, barba crespa, olhos castanhos escuros e cabelo crespo e curto e segundo estudos realizados seriam estas as feições de Jesus

Felipe disse...

Emília.
Concordo com você em gênero, número e grau.
Abraços
Felipe

Anônimo disse...

Se verdade ou ficção não importa muito, o que importa é a mensagem que nos traz.

Obrigado Felipe

Paz e bem

Mauro de Souza

Anônimo disse...

Olá, bom dia. Receio que os historiadores que referem-se a um Publio Lentulus como tendo existido 63 anos antes de Cristo, não tenham conhecimento da obra "Há 2000 anos" ou a reputem fantasiosa. Eu, de minha parte, com devido respeito afirmo que se a existência de Publius Lentulus como um contemporâneo de Jesus é o referencial em que se baseiam para considera com apócrifo o texto, tenho por dever de consciência e plena convicção desconsiderar tais argumentos para considerar verdadeiro o texto. Explico. Publius Lentulus Sura, apontado como tendo existido 63 anos antes é antepassado de Publius Lentulus Cornélius, Senador Romano presente na Palestina no dia da crucificação do Mestre Divino e é, também, Nestório, o escravo nascido 50 anos após a erupção do Vesúvio de 63, catastrófica erupção que fez de Pompéia um sepulcro coletivo sendo que alguns habitantes ainda têm vestígios naquela cidade, e a TV vez por outra nos mostra. Mais tarde o mesmo Publius volta ainda como Padre Damiano tendo desencarnado em Ávila; e ainda mais tarde como o Padre Manoel de Nóbrega, religios que esteve no Brasil. Por que creio nisto? Simples: lia a obra acima citada. Li, ainda, "50 Anos depois", também li "Renúncia", esta última em 1982, o Médium Chixo Xavier cedeu gratuitamente os direitos autorais para que a Rede Bandeirantes fizesse uma novela baseada na obra estabelecendo apenas uma condição: que não fosse desvirtuado o conteúdo da mesma. a novela ficou no ar apenas uma semana e não preciso explicar por quê. A depravação que tomou conta das nossas emissoras de rádio é TV é tamanha que mesmo nos clubes elitizados quando ouvimos algumas notas musicais temos a certeza que após elas virá um amontoado de pornografia. As obras acima citadas forma todas psicografadas por Chico Xavier,indiscutivelmente o maior e mais respeitado mensageiro de Deus do século passado (tomara que não o canonizem, pois, bastou o quanto o infernizaram em vida). A obra cristã de Chico Xavier levará ainda muito tempo para ser compreendida por muitos, mas, é monumental, eu o afirmo e gostaria que quem a discutisse, pelo menos a conhecesse em parte de vez que é impossível conhecê-la na íntegra. Pois bem, não calcaria Chico Xavier sua obra, em verdade, a obra dos espíritos superiores, em mentiras ainda que minúsculas, pois, a eles só a verdade interessa, assim como ao Cristo, Espírito infinitamente superior, maior mensageiro de Deus de todos os tempos neste planeta. No livro 'Há 2000 anos", o espírito Emanuel, não por acaso o próprio Senador Públius Lentulus Cornélius relata a sua passagem pela Palestina, inclusive o seu encontro, naquele momento quase que recusado por seu orgulho, com o Mestre Divino que atendendo à fé de Lívia, esposa do Senador, curou a filha enferma de lepra sem ao menso ter ido ao lar do Senador. Na página 85, se bem lembro, consta as primeiras palavras do Mestre: "- Senador, porque me procuras? Melhor seria que me procurasse nas horas mais claras do dia" Sempre que as lembro, doce comoção toma conta de mim. Conheçam a obra e verão que antes das palavras do Mestre consta a descrição feita na carta do Duque de Cesadini pelo mesmo Publius Lentulus.
Vale fazer a leitura do que consta na Wikipedia, link que somente agora descobri. é mais completo que o meu relato. Nisto eu creio.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Emmanuel_(esp%C3%ADrito)

Paulo Aragão

Anônimo disse...

Felipe, cheguei até o blog depois de pesquisar sobre a carta, já que estava presente na última aula do curso de Aprendizes do Evangelho pela Federação Espírita do Estado de São Paulo.
Parabéns por publicar na íntegra a Carta de Públius Lentulus Cornélius refierindo-se a Jesus o Cristo, como afirma meu amigo no comentário acima.
Realmente trata-se do Senador ainda vivo até a morte de Jesus, como aprendi em aulas e no livro sitado Há Dois Mil Anos.
Muita Luz!

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