quinta-feira, 2 de julho de 2009

Mensagem a Garcia

Condensado do original, de Elbert Hubbard 22/2/1899

"Quando irrompeu, no século 19, a Guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava era comunicar-se, rapidamente, com o chefe dos revolucionários, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza do interior do sertão cubano. Mas sem que se pudesse precisar exatamente onde, era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou telégrafo. No entanto, o presidente dos Estados Unidos tinha que assegurar-se da sua colaboração o quanto antes. O que fazer? Alguém lembrou ao presidente: - Há um homem chamado Rowan, e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan. Foi-lhe então, confiada esta incumbência. Rowan, de imediato, tomou a carta presidencial, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito e, após quatro dias, saltou de um barco sem coberta, alta noite, nas costas litorâneas de Cuba, embrenhou-se no sertão para, depois de três semanas surgir do outro lado da ilha, atravessando a pé o país hostil e entregando a carta a Garcia.

O que se quer frisar é isto: o presidente deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia. Rowan pegou-a e nem sequer perguntou: Onde é que ele está? Eis aí um homem cuja estátua devia ser colocada em cada escola do mundo. Não é só de ensinamentos dos livros que a juventude precisa. Precisa, sim, de muita persistência para poder mostrar-se altiva no exercício de um cargo, para atuar com responsabilidade e diligência, para dar conta de uma obrigação. Para, em suma, "levar uma mensagem a Garcia".

O General Garcia não é mais deste mundo, mas há outros "Garcias" no mundo de hoje, em todo lugar. Praticamente todos os homens que se empenhem em levar avante uma empresa, uma instituição, vêem-se envolvidos em momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade e falta de responsabilidade no cumprimento de suas tarefas (para os quais são pagos), de grande número de homens e mulheres, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada tarefa e fazê-la bem feito. A regra geral que se observa em todos os lugares é desatenção, indiferença irritante, trabalhos mal feitos ou deixados por terminar, não cumprimento dos prazos e horários, etc. Triste realidade!

Você mesmo pode observar a realidade dessas palavras. Experimente dar uma ordem a um seu subordinado, ou pedir um favor a um amigo, sem entrar em detalhes. Raramente encontrará alguém que o olhe calmamente, diga-lhe "Sim, senhor" e execute o que lhe pediu.

Nada disso acontecerá! Sabe o que geralmente acontece? O subordinado ficará perplexo, e fará a você uma ou mais das seguintes perguntas: O que é isto? Onde posso encontrar elementos para executar a tarefa? Fui acaso contratado para fazer isto? E se o Senhor pedisse a fulano para fazer? Precisa disso com urgência? Para que o Senhor quer isto? E mesmo que você responda a todas as perguntas, esse seu subordinado ou amigo irá pedir a um companheiro para que o ajude a "encontrar Garcia" e, depois, voltará para lhe dizer que tal homem não existe ou não foi encontrado...

Esta incapacidade de atuar independentemente, esta invalidez de vontade, esta atrofia de disposição e de iniciativa, para se por em campo e agir, são as coisas que retardam a evolução do homem e da sociedade em que vivemos. Se os homens não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando os resultados de seu esforço redundar em benefício de todos?

Por enquanto, parece que os seres humanos ainda precisam ser dirigidos. O que mantém muito empregado em seu posto e o faz trabalhar é o medo de, se não o fizer, ser despedido no fim do mês.

Ultimamente se tem ouvido muita expressão sentimental, externando simpatia para com os trabalhadores que realizam atividades de sol a sol e muita palavra dura para com os homens ou mulheres que estão na direção de instituições. Entretanto, se é válida a nossa compaixão para com aqueles menos aptos, vale também uma lágrima para aqueles que se esforçam por levar avante uma instituição, empresas privadas ou públicas, cujas horas de trabalho não estão limitadas ao estabelecido no Contrato de Trabalho ou ao som ou apito de encerramento do turno de trabalho, e envelhecem prematuramente, na incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença daqueles que, sem o seu espírito empreendedor, andariam neste mundo sem trabalho e sem salário.

O que é importante exaltar, é o homem que trabalha, seja lá de que lado ele esteja (empregado ou dirigente), rico ou pobre, culto ou inculto. Quem promove o desenvolvimento, quem ajuda as instituições a realizarem bem sua missão, quem moraliza a sociedade é o homem que, ao lhe ser confiada uma "Carta a Garcia", tranqüilamente toma a missiva, sem fazer perguntas tolas e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta ou lata de lixo que encontrar. Este homem nunca fica sem trabalho.

A civilização humana busca ansiosa, insistentemente, homens e mulheres nestas condições, que encarem com seriedade o papel que lhes cabe na vida ou lhes foi confiado, que atinjam o objetivo que lhes foi traçado.

Precisa-se de homens e mulheres assim em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório ou fábrica, em cada grupo de trabalho, assumindo plenamente o seu papel.

Precisa-se urgentemente de pessoas que levem "uma mensagem a Garcia".
foto: Kadu M. de Oliveira

4 comentários:

Mikasmi disse...

Que grande verdade.
Criou-se a ideia que patrão, ou superior é prepotente e autoritário.
Tudo o que se pede ou se critica construtivamente é mal entendido. Para tudo tem que se dar mil justificações e, por vezes mesmo assim, é feito de mau grado. Na nossa sociedade, falo em Portugal ser patrão é bem mais dificil do que se imagina, é aquele que não faz nada e só explora.

DESCARGA PEDAGÓGICA disse...

Vim conhecer seu espaço e divulgar o nosso. O descarga pedagógica é um blog recém-nascido e que pretende, de forma inteligente e divertida, mostrar o lado da educação que só nós, educadores, conhecemos.
Espero sua visita!

Sissym disse...

Eu não me importo com o que é preciso fazer e como chegar lá, mas quem tem boca vai a roma, ou quem não se comunica se trumbica. Sendo assim, algumas perguntas ajudam a chegar a algum lugar.

Felipe disse...

Sissym

Fazer uma pergunta para aprender é uma coisa.
Fazer perguntas sabendo a resposta simplesmente para protelar um afazer é outra, totalmente diferente
Bjs. "Molequinha"

Related Posts with Thumbnails