quinta-feira, 9 de abril de 2009

Jesus não fraquejou na cruz


Algumas religiões ensinam que Jesus teve um momento de fraqueza na cruz ao pronunciar a frase: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”

Ocorre, que não há unanimidade entre os quatro evangelistas. Mateus, a cita no capítulo 27, 46 e Marcos no capítulo 15, 34 de seus evangelhos. Lucas e João não a mencionam em seus ensinamentos, respectivamente capítulos 23 e 19.

Respeitando o ensinamento de vários credos, que datam de séculos, a melhor interpretação para esta frase é dada pelos historiadores.

Jesus, profundo conhecedor dos costumes das leis e tradições judaicas, começava a recitar o Salmo 22 quando entregou seu espírito a Deus.


O assunto predominante nos Salmos é o louvor a Deus, seguindo-se dos sofrimentos humanos nas suas variadas formas. Daí, talvez, tenha surgido a interpretação de momento de fraqueza.


Dos 150 poemas, que compõem o livro, a metade foi escrita pelo rei David. O período em que os salmos foram compostos representa um lapso temporal de nove séculos, desde aproximadamente 1440 a.C., quando houve o êxodo dos Israelitas do Egito até o cativeiro babilônico, sendo que muitas vezes esses poemas permitem traçar um paralelo com os acontecimentos históricos.

Abaixo, transcrevemos o salmo 22, cujo início dá causa a interpretação de medo ou fraqueza deste Espírito de Escol e que, no seu corpo, já predizia a divisão das vestes e o sorteio da túnica do Mestre.

Salmo 22

1 Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu bramido?

2 Deus meu, eu clamo de dia, porém tu não me ouves; também de noite, mas não acho sossego.

3 Contudo tu és santo, entronizado sobre os louvores de Israel.

4 Em ti confiaram nossos pais; confiaram, e tu os livraste.

5 A ti clamaram, e foram salvos; em ti confiaram, e não foram confundidos.

6 Mas eu sou verme, e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo.

7 Todos os que me vêem zombam de mim, arreganham os beiços e meneiam a cabeça, dizendo:

8 Confiou no Senhor; que ele o livre; que ele o salve, pois que nele tem prazer.

9 Mas tu és o que me tiraste da madre; o que me preservaste, estando eu ainda aos seios de minha mãe.

10 Nos teus braços fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.

11 Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem acuda.

12 Muitos touros me cercam; fortes touros de Basã me rodeiam.

13 Abrem contra mim sua boca, como um leão que despedaça e que ruge.

14 Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.

15 A minha força secou-se como um caco e a língua se me pega ao paladar; tu me puseste no pó da morte.

16 Pois cães me rodeiam; um ajuntamento de malfeitores me cerca; transpassaram-me as mãos e os pés.

17 Posso contar todos os meus ossos. Eles me olham e ficam a mirar-me.

18 Repartem entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançam sortes.

19 Mas tu, Senhor, não te alongues de mim; força minha, apressa-te em socorrer-me.

20 Livra-me da espada, e a minha vida do poder do cão.

21 Salva-me da boca do leão, sim, livra-me dos chifres do boi selvagem.

22 Então anunciarei o teu nome aos meus irmãos; louvar-te-ei no meio da congregação.

23 Vós, que temeis ao Senhor, louvai-o; todos vós, filhos de Jacó, glorificai-o; temei-o todos vós, descendência de Israel.

24 Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem dele escondeu o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu.

25 De ti vem o meu louvor na grande congregação; pagarei os meus votos perante os que o temem.

26 Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao Senhor os que o buscam. Que o vosso coração viva eternamente!

27 Todos os limites da terra se lembrarão e se converterão ao Senhor, e diante dele adorarão todas as famílias das nações.

28 Porque o domínio é do Senhor, e ele reina sobre as nações.

29 Todos os grandes da terra comerão e adorarão, e todos os que descem ao pó se prostrarão perante ele, os que não podem reter a sua vida.

30 A posteridade o servirá; falar-se-á do Senhor à geração vindoura.

31 Chegarão e anunciarão a justiça dele; a um povo que há de nascer contarão o que ele fez.

2 comentários:

ICPNI disse...

Este salmo, um dos mais citados no NT, é chamado o salmo da cruz porque retrata com exatidão o cruel sofrimento de Cristo na cruz. Note pelo menos dois fatos a respeito deste salmo:
(1) É um brado de dor e aflição de um crente que continua sob provação e sofrimento. Neste sentido, todos os crentes sob sofrimento podem identificar-se com o conteúdo desta oração.
(2) As palavras do salmo descrevem um acontecimento que em muito ultrapassa os limites humanos comuns. Inspirado pelo Espírito Santo, o salmista prediz o sofrimento de Jesus Cristo durante sua crucificação, e prenuncia
sua imediata vindicação três dias depois.
Deus te abenços

Felipe disse...

Meu caro Pastor Carlos.
Grato por enriquecer a matéria.
Grande abraço

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