
Destinos
Raul Machado
Invejo o teu destino de alegria,
Pássaro amigo:
encher, com a tua música, de festa
a floresta
sombria...
glorificar a madrugada...
ou, pequenino e loiro,
emplumado de luz,
brilhar, como uma gota de oiro,
na ampla taça emborcada
de céus de porcelana, muito azuis.
Lamento o teu destino de tristeza,
ó fonte amiga, eternamente presa
à amargura de um pranto, que não finda;
de tal sorte que tu, nas tuas águas,
rolando, dentre as árvores e as fráguas,
quando queres cantar, choras ainda...
Compreendo, entanto, essa alegria inquieta
de ave que canta, oculta, no arvoredo...
e essa tristeza calma
de fonte que soluça entre os escolhos,
porque... todo poeta
tem um pássaro em festa dentro d’alma
e uma furtiva lágrima nos olhos...
Mal Secreto
Raimundo Correia
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
Raul Machado
Invejo o teu destino de alegria,
Pássaro amigo:
encher, com a tua música, de festa
a floresta
sombria...
glorificar a madrugada...
ou, pequenino e loiro,
emplumado de luz,
brilhar, como uma gota de oiro,
na ampla taça emborcada
de céus de porcelana, muito azuis.
Lamento o teu destino de tristeza,
ó fonte amiga, eternamente presa
à amargura de um pranto, que não finda;
de tal sorte que tu, nas tuas águas,
rolando, dentre as árvores e as fráguas,
quando queres cantar, choras ainda...
Compreendo, entanto, essa alegria inquieta
de ave que canta, oculta, no arvoredo...
e essa tristeza calma
de fonte que soluça entre os escolhos,
porque... todo poeta
tem um pássaro em festa dentro d’alma
e uma furtiva lágrima nos olhos...
Mal Secreto
Raimundo Correia
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!



2 comentários:
Gostei muito... Parabéns!
E aproveito para desejar a você uma Páscoa abençoada e feliz repleta dos recomeços que você espera...
um beijo de luz
mirna
Felipe, parabéns por nos trazer estas duas maravilhas.
Abraços
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