quarta-feira, 29 de abril de 2009

Navio no estaleiro


Fiz uma visita a um estaleiro um tempo atrás.

Algumas coisas me impressionaram, mas principalmente a necessidade que os barcos têm de limpeza em seu casco.

Uma "sujeira" que a gente não vê, mas que faz uma diferença tremenda em seu desempenho e afeta, até, sua vida útil.

"Todo barco precisa de um tempo no estaleiro" disse-me o velho marinheiro.
Logo veio à mente a minha própria vida.

Quantas coisas vão se acumulando em nosso "casco", coisas que vão nos impedindo de correr mais rápido, de alcançar objetivos sonhados, coisas que prejudicam nosso desempenho com pessoas no lar, no trabalho, com amigos, etc.

Nossa tendência natural é nos entregarmos às muitas atividades, às rotinas que não nos permitem parar.

Não dá, mesmo, para pensar!

Enquanto isso, vão se acumulando em nossos "cascos" uma quantidade enorme de "limo emocional e espiritual".

Tanto que a pessoa percebe que algo está errado.

Procura tomar remédios entregando-se a terapias superficiais.

Tenta aliviar a carga espiritual, lendo um trechos de livros de auto ajuda recomendados por amigos, mas não consegue nada duradouro porque seu problema está muito mais incrustado do que quer admitir.

Um tratamento rápido e indolor não pode obter êxito. Precisamos parar no estaleiro.
Precisamos empregar tempo sério para "limparmos o casco" e recobrarmos nossa sanidade emocional e espiritual.

Como?
Um bom começo seria:
"Roube" um tempo de seu tempo para ficar a sós, em um lugar calmo. Pegue uma folha de papel para descrever sua vida nos últimos tempos.

Qual sua impressão?

Quais são as motivações verdadeiras por detrás de suas rotinas e maneiras de pensar e sentir?

Mergulhe sem medo no seu interior e examine cada cantinho escondido.

"Examinar" traz a idéia de "virar a pedra do jardim".

O que se vê sob ela?

Vermes e fungos que habitam ali e a sujeira que estava oculta.

Tudo debaixo da aparência lisa e bem pintada da pedra.

Aliste os "vermes", "fungos" e "limo" presentes debaixo "da pedra" e que tem impedido você de navegar mais velozmente e alcançar "o mar aberto" para sua vida.

Pense em um projeto prático para cada um dos aspectos interiores não tratados.

"Projetos práticos" são atividades objetivas, com data marcada, com base no desejo sincero de "limpeza interior" (mesmo que doa) e que entrarão em sua pilha de prioridades máximas.

Lembre-se de que sua "saúde emocional e espiritual" estão em jogo!

Sua vida é muito preciosa para ser levada de qualquer jeito!

Sua vida é muito preciosa para não se desenvolver!

Sua vida é muito preciosa para não ser tratada corretamente.

Desejo que seus momentos no "estaleiro" sejam muito especiais!
texto: Desconheço o autor
foto: Antonio Manuel Pinto da Silva

terça-feira, 28 de abril de 2009

Você é pipoca ou piruá?


A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido que, sob o ponto de vista de tamanho, não pode competir com os milhos normais. Não sei como aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas que nasciam mirradas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira.

Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas! O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.

O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer. Pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: BUM!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os grãos de milho que se recusam a estourar. São os chamados piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Existem piruás entre os homens?

É claro que sim. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém.

E você o que é: pipoca ou piruá?



Compilado de artigo de Rubem de Souza: Pipoca ou piruá?
Ilustração: internet

domingo, 26 de abril de 2009

Desculpe, foi engano!


Você já fez, algum dia, uma ligação telefônica para um número que não era o desejado?

Certamente, sim, pois isso é muito comum.

E o que você costuma dizer numa situação dessas? Provavelmente pede desculpas pelo engano, ou desliga o telefone assim que ouve a voz que lhe atende.

Mas também é muito provável que você já tenha atendido uma ligação em que alguém, do outro lado da linha, tenha dito: Desculpe, foi engano. E o que você diz, nesses casos?

Infelizmente, há muita falta de tolerância para com esse tipo de equívoco, cometido por um número expressivo de criaturas.

O comum é se ouvir o telefone batendo com violência, ou reprimendas e palavrões ditos por aqueles que atendem a um telefonema indesejado do senhor engano.

E isso acontece porque a pessoa que assim age conta com o anonimato, pois se alguém lhe bate à porta da casa, por engano, provavelmente não age dessa forma.

No entanto, há casos belíssimos de telefonemas feitos aparentemente por engano, e que tiveram um desfecho inesperado.

É o caso de um jovem rapaz que, há algum tempo, foi acordado pela campainha do telefone, por volta das quatro horas da madrugada.

Ele atendeu e percebeu que a moça que falava do outro lado da linha, tinha a voz entrecortada pelas lágrimas e estava visivelmente transtornada.

Ouviu, por alguns instantes, e notou que era engano, pois a jovem nem o deixou falar e já começou a fazer considerações como se estivesse falando com outra pessoa.

Avisava-o que, por causa do seu comportamento, por tê-la abandonado quando soube da gravidez indesejada, havia tomado uma super dose de comprimidos, com a intenção de se suicidar.

O moço procurou informá-la, com muito jeito, de que ela não estava falando com a pessoa que desejava, mas talvez tivesse ligado para a pessoa certa.

A voz da moça estava cada vez mais fraca, suas forças estavam se esvaindo, mas o rapaz procurou manter o diálogo até saber o seu nome e endereço.

Assim que desligou o telefone, providenciou o socorro, indicando aos médicos o endereço e também o que havia ocorrido.

Algum tempo depois, estava o jovem rapaz pregando em seu templo religioso, quando percebeu uma moça chegar timidamente e sentar-se ao fundo da sala.

Ao terminar a palestra, alguém lhe apresentou a jovem dizendo que ela estava à sua procura.

Ela se apresentou e disse que era a moça do telefonema por engano, daquela madrugada amarga.

Falou-lhe que o socorro chegou a tempo de salvá-la e que estava ali para lhe agradecer...

Para lhe agradecer por não ter desligado o telefone quando percebeu que era engano, mesmo tendo seu sono perturbado em plena madrugada...

Por ter ouvido seus xingamentos iniciais com tolerância e ainda lhe oferecer palavras de esperança, naquele momento de desespero...

Por ter-lhe dito que o suicídio, além de não pôr fim à vida, ainda agrava os problemas.

E, finalmente, agradecer-lhe por estar viva naquele momento, ela e seu filho por nascer, e poder ouvir novamente suas palavras de consolo e esclarecimento, acerca das leis que regem a vida.



Momento Espírita

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Maravilhosa comparação!


O mundo está em nossas mãos.
Estamos fazendo nossa parte?



terça-feira, 21 de abril de 2009

Lembrando Agostinho dos Santos

Estivesse entre nós, Agostinho dos Santos, cantor e compositor, nascido em São Paulo, em 25/4/1932, estaria completando 77 anos.
Criado no bairro da Bela Vista – “Bexiga” –, começou a carreira como crooner da orquestra de Osmar Milani. Participou de programas de calouros e, em 1951, foi contratado pela Rádio América de São Paulo. Gravou o primeiro disco em 1953. Intérprete de sambas-canções, valsas e boleros, Agostinho também se destacou como cantor de bossa nova após uma rápida incursão pelo rock. Gravou músicas de vários compositores, dentre eles: Tom Jobim e seus parceiros Newton Mendonça e Vinicius de Moraes; Dolores Duran; Dalton Vogeler e Esdras da Silva; Antonio Maria e Luiz Bonfá e Johnny Alf.
As duas vozes masculinas mais bonitas da MPB surgidas nos anos 50 foram as de Cauby Peixoto e Agostinho dos Santos. Se o primeiro ainda é lembrado até hoje. Agostinho não teve a mesma sorte, pois veio a falecer num acidente de avião, em 1973, aos 41 anos de idade.


Gravou 13 LPs., tendo como grandes sucessos as seguintes músicas: A felicidade; Se todos fossem iguais a você; Estrada do sol; Manhã de carnaval; Samba do Orfeu; O nosso amor; O amor está no ar; Foi a noite; Céu e mar; Fim de caso; A noite do meu bem; Dindi; Balada Triste; Chora tua tristeza; Amor em paz; Minha oração (My prayer); Céu e mar e uma série de outras.


Segundo Rodrigo Fauor Agostinho dos Santos é uma voz para se ouvir à noite, só ou a dois. ou mesmo como pano de fundo, ao receber amigos em casa.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Boas Maneiras


A cansada ex-professora se aproximou do balcão do supermercado.


Sua perna esquerda doía e ela esperava ter tomado todos os comprimidos do dia: para pressão alta, tonteira e um grande número de outras enfermidades.

“Graças a Deus eu me aposentei há vários anos” – ela pensou. “Não tenho energia para ensinar hoje em dia.”

Imediatamente, antes de formar a fila para o balcão, ela viu um rapaz com quatro crianças e a esposa ou namorada, grávida. A professora não pôde deixar de notar a tatuagem em seu pescoço.

“Ele esteve preso” – pensou.

Continuou a observá-lo. Sua camiseta branca, cabelo raspado e calças largas levaram-na a conjecturar:

“Ele é membro de uma gangue.”

A professora tentou deixar o homem passar na sua frente.

- Você pode ir primeiro – ofereceu.

- Não, a senhora primeiro – ele insistiu.

- Não, você está com mais gente – disse a professora.

- Devemos respeitar os mais velhos – defendeu-se o homem.

E, com isto, fez um gesto largo, indicando o caminho para a mulher.

Um breve sorriso adejou em seus lábios enquanto ela mancou na frente dele. A professora que existia dentro dela não pôde desperdiçar o momento e virando-se para ele, perguntou:

- Quem lhe ensinou boas maneiras?

- A senhora, Sra. Simpson, na terceira série.



Paul Karrer

Extraído do livro: Histórias para Aquecer o Coração – vol. 1
ilustração: internet

domingo, 19 de abril de 2009

O sentimento de Maysa

Maysa em gravação de 1975, canta a música que Noel Rosa dedicou a Ceci, seu amor fracassado.

Noel pediu ao parceiro "Vadico" que entregasse a letra à "dama do cabaré"’. Segundo ela, a letra da música foi recebida junto com a notícia da morte de Noel Rosa em 1937, conforme narrou o jornalista, crítico e historiador Ary Vasconcelos.

João Máximo e Carlos Didier contam que, ao entregar a letra, "Vadico" comentou: "Acho que ele te castiga um pouco neste samba, Ceci."

É provável que Ceci tenha-se sentido castigada, mas Noel contribuiu, sem dúvida, para mais uma obra-prima da música popular brasileira.

sábado, 11 de abril de 2009

Dois sonetos



Destinos

Raul Machado


Invejo o teu destino de alegria,
Pássaro amigo:
encher, com a tua música, de festa
a floresta
sombria...
glorificar a madrugada...
ou, pequenino e loiro,
emplumado de luz,
brilhar, como uma gota de oiro,
na ampla taça emborcada
de céus de porcelana, muito azuis.


Lamento o teu destino de tristeza,
ó fonte amiga, eternamente presa
à amargura de um pranto, que não finda;
de tal sorte que tu, nas tuas águas,
rolando, dentre as árvores e as fráguas,
quando queres cantar, choras ainda...


Compreendo, entanto, essa alegria inquieta
de ave que canta, oculta, no arvoredo...
e essa tristeza calma
de fonte que soluça entre os escolhos,
porque... todo poeta
tem um pássaro em festa dentro d’alma
e uma furtiva lágrima nos olhos...




Mal Secreto

Raimundo Correia


Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;


Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!


Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!


Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Jesus não fraquejou na cruz


Algumas religiões ensinam que Jesus teve um momento de fraqueza na cruz ao pronunciar a frase: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”

Ocorre, que não há unanimidade entre os quatro evangelistas. Mateus, a cita no capítulo 27, 46 e Marcos no capítulo 15, 34 de seus evangelhos. Lucas e João não a mencionam em seus ensinamentos, respectivamente capítulos 23 e 19.

Respeitando o ensinamento de vários credos, que datam de séculos, a melhor interpretação para esta frase é dada pelos historiadores.

Jesus, profundo conhecedor dos costumes das leis e tradições judaicas, começava a recitar o Salmo 22 quando entregou seu espírito a Deus.


O assunto predominante nos Salmos é o louvor a Deus, seguindo-se dos sofrimentos humanos nas suas variadas formas. Daí, talvez, tenha surgido a interpretação de momento de fraqueza.


Dos 150 poemas, que compõem o livro, a metade foi escrita pelo rei David. O período em que os salmos foram compostos representa um lapso temporal de nove séculos, desde aproximadamente 1440 a.C., quando houve o êxodo dos Israelitas do Egito até o cativeiro babilônico, sendo que muitas vezes esses poemas permitem traçar um paralelo com os acontecimentos históricos.

Abaixo, transcrevemos o salmo 22, cujo início dá causa a interpretação de medo ou fraqueza deste Espírito de Escol e que, no seu corpo, já predizia a divisão das vestes e o sorteio da túnica do Mestre.

Salmo 22

1 Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu bramido?

2 Deus meu, eu clamo de dia, porém tu não me ouves; também de noite, mas não acho sossego.

3 Contudo tu és santo, entronizado sobre os louvores de Israel.

4 Em ti confiaram nossos pais; confiaram, e tu os livraste.

5 A ti clamaram, e foram salvos; em ti confiaram, e não foram confundidos.

6 Mas eu sou verme, e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo.

7 Todos os que me vêem zombam de mim, arreganham os beiços e meneiam a cabeça, dizendo:

8 Confiou no Senhor; que ele o livre; que ele o salve, pois que nele tem prazer.

9 Mas tu és o que me tiraste da madre; o que me preservaste, estando eu ainda aos seios de minha mãe.

10 Nos teus braços fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.

11 Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem acuda.

12 Muitos touros me cercam; fortes touros de Basã me rodeiam.

13 Abrem contra mim sua boca, como um leão que despedaça e que ruge.

14 Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.

15 A minha força secou-se como um caco e a língua se me pega ao paladar; tu me puseste no pó da morte.

16 Pois cães me rodeiam; um ajuntamento de malfeitores me cerca; transpassaram-me as mãos e os pés.

17 Posso contar todos os meus ossos. Eles me olham e ficam a mirar-me.

18 Repartem entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançam sortes.

19 Mas tu, Senhor, não te alongues de mim; força minha, apressa-te em socorrer-me.

20 Livra-me da espada, e a minha vida do poder do cão.

21 Salva-me da boca do leão, sim, livra-me dos chifres do boi selvagem.

22 Então anunciarei o teu nome aos meus irmãos; louvar-te-ei no meio da congregação.

23 Vós, que temeis ao Senhor, louvai-o; todos vós, filhos de Jacó, glorificai-o; temei-o todos vós, descendência de Israel.

24 Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem dele escondeu o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu.

25 De ti vem o meu louvor na grande congregação; pagarei os meus votos perante os que o temem.

26 Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao Senhor os que o buscam. Que o vosso coração viva eternamente!

27 Todos os limites da terra se lembrarão e se converterão ao Senhor, e diante dele adorarão todas as famílias das nações.

28 Porque o domínio é do Senhor, e ele reina sobre as nações.

29 Todos os grandes da terra comerão e adorarão, e todos os que descem ao pó se prostrarão perante ele, os que não podem reter a sua vida.

30 A posteridade o servirá; falar-se-á do Senhor à geração vindoura.

31 Chegarão e anunciarão a justiça dele; a um povo que há de nascer contarão o que ele fez.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Oração do Matuto







Ói Deus,

nóis tá sempre pedindo as coisas pro Sinhô.



Nóis pede dinhero

nóis pede trabaio

nóis pede pra chovê

e se chove demais

nóis pede pra pará

mode a coiêta num afetá.



Nóis pede amô

nóis pede pra casá

pede casa pra morá

nóis pede saúde

nóis pede proteção

nóis pede paiz

nóis pede pra dislindá os nó

quano as coisa comprica,

mode a vida corrê mió.



Quano a coisa aperta nóis reza

pedindo tudo que farta

é uma pedição sem fim

e se as coisa dá certo

nóis vai na igreja mais perto

e no pé de argum santo

que seja de devoção

nóis dexa sempre uns merréis

e lá nos cofre da frente

nóis coloca mais uns tostão.



Mais hoje Meu Sinhô

bateu uma coisa isquisita

e eu me puis a matutá

nóis pede pede e pede

mas nóis nunca pergunta

comé que o Sinhô está

se tá triste ou contente

se precisa darguma coisa

que a gente possa ajudá

e por esse esquecimento

o Sinhô há de nos descurpá.



Ói Deus, nóis sempre pensa

que o Sinhô não precisa de nada

mais tarvêz não seja assim

tarvêz o Sinhô precisa de mim

sim ... o Sinhô precisa, sim

precisa da minha bondade

pecisa da minha alegria

precisa da minha caridade

no trato com meus irmão.



Nóis somo o seu espêio

nóis somo a sua Criação

nóis num pode fazê feio

nem ficá fazendo rodeio

nem desapontá o Sinhô

nem amargá o seu sonho

que foi um sonho de amô

quando essa terra todinha criô.



Ói Deus, eu prometo

vo rezá dotro jeito

vo pará com a pedição

e trocá milagre por tostão

tarvez inté peça uma graça

mas antes eu vo vê direitinho

o que é que andei fazendo de bão

e se nada de bão encontrá

muito vo me envergonhá

e ainda vo pedí perdão.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Rancho das flores - Vinícius de Moraes

A Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, quando Distrito Federal, gravou o disco "Estas Também São de Rancho", que alcançou o primeiro lugar em vendas de discos, com a famosa adaptação da composição de J. S. Bach, "Jesus Alegria dos Homens" com versos de Vinícius de Moraes, com o título de "Ranchos das Flores".



Entre as prendas com que a natureza
Alegrou este mundo onde há tanta tristeza
A beleza das flores realça em primeiro lugar
É um milagre de aroma florido
Mais lindo que todas as graças do céu
E até mesmo do mar
Olhem bem para a rosa
Não há mais formosa
É flor dos amantes
É a rosa-mulher
Que em perfume e em nobreza
Vem antes do cravo
E do lírio e da Hortência
E da dália e do bom crisântemo
E até mesmo do puro e gentil malmequer
E reparem no cravo o escravo da rosa
Que flor mais cheirosa
De enfeite sutil
E no lírio que causa o delírio da rosa
O martírio da alma da rosa
Que é a flor mais vaidosa e mais prosa
Entre as flores do nosso Brasil
Abram alas pra dália garbosa
Da cor mais vistosa
Do grande jardim da existência das flores
Tão cheios de cores gentis
E também para a Hortência inocente
A flor mais contente
No azul do seu corpo macio e feliz
Satisfeita da vida
Vem a margarida
Que é a flor preferida dos que tem paixão
E agora é a vez da papoula vermelha
A que dá tanto mel pras abelhas
E alegra este mundo tão triste
No amor que é o meu coração
E agora que temos o bom crisântemo
Seu nome cantemos em verso e em prosa
Porém que não tem a beleza da rosa
Que uma rosa não é só uma flor
Uma rosa é uma rosa, é uma rosa
É a mulher rescendendo de amor
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