sábado, 7 de fevereiro de 2009

Uma declaração convincente (Grandes anedotas da história)

Nair Lacerda


Na Bahia, em cena aberta, transcorria a festa da comemoração do centenário de Castro Alves.


Rui Barbosa, já então orador consagrado, fizera o elogio do poeta. É quando surge no palco o médico Manoel Vitorino, para recitar o famoso Navio Negreiro.



Tudo vai bem, e palmas fervorosas interrompem o declamador nos trechos mais comoventes. E vem a passagem conhecidíssima:


Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra

E as promessas divinas da esperança...


Mais adiante a exortação:

Mas é infâmia demais! ... da etérea plaga

Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!

E num apelo dramático:

Andrada! Arranca este pendão dos ares!
Colombo!...

Neste momento com a platéia imersa no mais profundo silêncio, pendente dos lábios do declamador inflamado, o final da última frase, lá do alto, da galeria repleta, uma vozinha fina, humilde, de moleque baiano, responde, como se tivesse sido chamado:

- Inhô?...

- fecha a porta dos teus mares!
- Sim sinhô... - respondeu a mesma voz humilde.

E lá se foi toda a respeitabilidade da festa de comemoração, abafada pela mais monumental gargalhada coletiva que já ressoara naquela casa de espetáculos.

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