sábado, 14 de fevereiro de 2009

Os pequenos grandes gestos


No dia 31 de Janeiro p.p., meu amigo Geraldo, do blog Pharisfaces http://www.pharisfaces.blogspot.com, postou matéria assinada por Plínio Delphino, do Diário de São Paulo, mostrando que o psicólogo social Fernando Braga da Costa trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo.

Ganhando R$400,00 por mês (salário que não recebia), o professor teve a maior lição de sua vida, ao constatar que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome” e em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada, sentindo, o mestrando, na pele, o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.

Lembrei, então, do livro “Viver é bem simples, nós é que complicamos”, de Alkíndar de Oliveira que narra o depoimento de JoAnn C. Jones extraído do livro “Coração no Trabalho”, Ediouro, e que diz:

“No segundo ano da faculdade de enfermagem, nosso professor deu uma prova de surpresa. Eu era uma aluna aplicada e havia respondido às perguntas, até que li a última: “Qual o nome da faxineira responsável pela limpeza das salas?”

Devia ser uma piada. Eu já tinha visto a faxineira várias vezes. Era alta, de cabelos escuros, cinquenta e poucos anos, mas como ia saber o nome dela? Entreguei a prova, deixando a última questão em branco.

Antes do final da aula, um aluno perguntou se a última questão contava ponto. “Claro”, disse o professor. “Vocês conhecerão muita gente ao longo de suas carreiras. Todas são importantes. Todas merecem sua atenção, mesmo que você apenas lhes sorria e as cumprimente”.

Nunca mais esqueci essa lição. Aprendi, também, que o nome dela era Dorothy”.

E finaliza Alkíndar de Oliveira:

Aquela pessoa humilde que executa a mais simples função em nosso trabalho é igualzinha a cada um de nós. Assim como eu e você, quando ela morrer, não levará nada de material que tenha amealhado. Assim como eu e você, ela é constituída de corpo físico, sentimento, mente e espírito. Assim como eu e você, ela tem família, tem pais, tem irmãos, tem filhos, tem problemas. Assim como eu e você, tem seus momentos alegres e seus momentos tristes. Assim como eu e você, ela precisa do trabalho e do dinheiro. Assim como eu e você, ela precisa de amor, de atenção e carinho. Assim como eu e você, ela precisa sentir-se reconhecida e valorizada.

Aprendamos a sorrir para elas.

Habituemo-nos a cumprimentá-las carinhosamente.

Perguntemos sobre sua vida, sua família.

Coloquemo-nas em nossos corações, conscientes de que elas merecem a mesma atenção que damos ao nosso chefe ou aquele importante cliente.

Estes pequenos gestos, tão importantes para quem os recebe, inunda-nos de paz; colocam-nos como integrantes da grande e universal família de Deus; fazem-nos compreender que somos todos irmãos, todos filhos de um só Pai.




Foto:www.imescos.net/~lku/fotos/cat-ciduni.html

2 comentários:

Antonio Regly disse...

Caro amigo, seu post fez-me lembrar de uma pessoa que trabalhou comigo durante anos. Quando ainda jovem, ela entregava, na Zona Sul da cidade (RJ), as roupas que sua mãe lavava e passava. Numa dessa idas, ela escorregou na rampa de saída da estação ferroviária, caiu de mal jeito e não conseguiu levantar-se. As pessoas olharam-na caída, sentada, com semblante de dor, mas não moviam as mãos para levantá-la. Depois de assim permanecer por um bom tempo, um mendigo que por ali dormia, aproximou-se desconfiado, e em seguida a levantou, perguntando se estava bem.
Creio que cada um de nós tem uma história bonita para contar. Bonita no sentido de superação. Deus nos dá as oportunidades. Se soubermos aproveitá-las, venceremos como este professor. Identifiquei-me com o seu post, pois meu pai foi gari por muitos anos. Não galgou posições na vida, mas nos deu muita dignidade e maravilhosos ensinamentos.
Parabéns!
Abraço do amigo,
Regly

Sandra Geise Bortolato disse...

Oi José Felipe!

Esse texto vem de encontro a um comportamento que sempre tentei manter não só no trabalho, como no meu dia a dia.
Só acho um pouco triste, que ainda tenhamos que lembrar que o outro é um ser humano como nós, independente da classe social.
Mil beijos e muita paz.

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