terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Natal todo dia

A todos os meus amigos e a todos aqueles que passaram por aqui.



Desejo um Feliz Aniversário para o Cristo que existe em cada um de vocês. Que possamos semear paz, alegria e esperança mostrando ao mundo que todo dia pode ser Natal.






Um pouco de tudo o que é bom para cada um de vocês.


Natal Todo Dia



(Mauricio Gaetani Tapajós)
Um clima de sonho se espalha no ar,
Pessoas se olham com brilho no olhar,
A gente já sente chegando o Natal,
É tempo de amor, todo mundo é igual.


 Os velhos amigos irão se abraçar,
Os desconhecidos irão se falar,
E quem for criança vai olhar pro céu
Fazendo pedido pro velho Noel

Se a gente é capaz de espalhar alegria,
Se a gente é capaz de toda essa magia,
Eu tenho certeza que a gente podia
Fazer com que fosse Natal todo dia!

Um jeito mais manso de ser e falar,
Mais calma, mais tempo pra gente se dar.
Me diz porque só no Natal é assim?
Que bom se ele nunca tivesse mais fim!

Que o Natal comece no seu coração,
Que seja pra todos, sem ter distinção.
Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for,
O melhor presente é sempre o amor.


Edição: Lorena Lisboa

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Canção da maçaneta


Não há mais bela música que o ruído da maçaneta da porta quando meu filho volta para casa.

Volta da rua, da vasta noite, da madrugada de estranhas vozes, o ruído da maçaneta e o gemer do trinco o bater da porta que novamente se fecha, o tilintar inconfundível do molho das chaves são um doce acalanto, uma suave cantiga de ninar. Só assim fecho os olhos, e posso dormir e descansar.

Oh! A longa espera, a sentida ausência, as histórias de acidentes e assaltos que só a noite, como ninguém, sabe contar.

Oh! Os pressentimentos e os pesadelos , o eco dos passos nas calçadas, a voz daqueles que se excederam na bebida, o longo apito do guarda medindo a noite e os cães, uivando na distância e o grito lancinante da ambulância!...

E o coração descompassado a pressentir e a martelar na arritmia do relógio do meu quarto observandodo a noite e seus mistérios.

Nisso, na sala que se cala, estala a gargalhada jovem da maçaneta que canta a festiva cantiga de retorno, e a sua voz engole a noite imensa com todos os ruídos secundários.

Oh! Os címbalos do trinco e os clarins da porta que se escancara e os guizos das muitas chaves que se abraçam e o festival dos passos que ganham a escada!

Nem as vozes da orquestra e o tilintar dos copos e a mansa canção da chuva no telhado podem sequer se comparar ao som da maçaneta que sorri quando meu filho volta.

Que ele retorne sempre são e salvo qual marinheiro depois da tempestade a sorrir e a cantar.

E que na porta da maçaneta cante a festiva canção do seu retorno que soa para mim como suave cantiga de ninar.

Só assim, meu coração se aquieta e posso afinal dormir e descansar.

Gióia Junior
ilustração: internet

sábado, 19 de dezembro de 2009

O que é o Natal?


Eu, menino, sentado na calçada, sob um sol escaldante, observava a movimentação das pessoas em volta, e tentava compreender o que estava acontecendo.
Que é o Natal? - perguntava-me, em silêncio.

Eu, menino, ouvira falar que aquele era o dia em que Papai Noel, em seu trenó puxado por renas, cruzava os céus distribuindo brinquedos a todas as crianças.

E por que então, eu, que passo a madrugada ao relento nunca vi o trenó voador? Onde estão os meus presentes? Perguntava-me.

E eu, menino, imaginava que o Natal não deveria ser isso.

Talvez fosse um dia especial, em que as pessoas abraçassem seus familiares e fossem mais amigas umas das outras.

Ou talvez fosse o dia da fraternidade e do perdão.

Mas então por que eu, sentado no meio-fio, não recebo sequer um sorriso? - perguntava-me, com tristeza - E por que a polícia trabalha no Natal?

E eu, menino, entendia que não devia ser assim...

Imaginava que talvez o Natal fosse um dia mágico porque as pessoas enchem as igrejas em busca de Deus.

Mas por que, então, não saem de lá melhores do que entraram?

Debatia-me, na ânsia de compreender essa ocasião diferente.

Via risos, mas eram gargalhadas que escondiam tanta tristeza e ódio, tanta amargura e sofrimento...

E eu, menino, mergulhado em tão profundas reflexões, vi aproximar-se um homem...

Era um belo homem...

Não era gordo nem magro, nem alto nem baixo, nem branco, nem preto, nem pardo, nem amarelo ou vermelho.

Era apenas um homem com olhos cor de ternura e um sorriso em forma de carinho que, numa voz em tom de afago, saudou-me:

Olá, menino!

Oi!... Respondi, meio tímido.

E, com grande admiração, vi-o acomodar-se ao meu lado, na calçada, sob o sol escaldante.

Eu, menino, aceitei-o como amigo, num olhar. E atirei-lhe a pergunta que me inquietava e entristecia:

Que é o Natal?

Ele, sorrindo ainda mais, respondeu-me, sereno:

Meu aniversário.

Como assim? - perguntei, percebendo que ele estava sozinho.

Por que você não está em casa? Onde estão os seus familiares?

E ele me disse: Essa é a minha família, apontando para aquelas pessoas que andavam apressadas.

E eu, menino, não compreendi.

Você também faz parte da minha família... Acrescentou, aumentando a confusão na minha cabeça de menino.

Não te conheço! - eu disse.

É porque nunca lhe falaram de mim. Mas eu o conheço. E o amo...

Tremi de emoção com aquelas palavras, na minha fragilidade de menino.

Você deve estar triste, comentei. Porque está sozinho, justo no dia do próprio aniversário...

Neste momento, estou com você. - respondeu-me, com um sorriso.

E conversamos...uma conversa de poucas palavras, muito silêncio, muitos olhares e um grande sentimento, naquela prece que fazia arder o coração e a própria alma.

A noite chegou... E as primeiras estrelas surgiram no céu.

E conversamos... Eu, menino, e ele.

E ele me falava, e eu o entendia. E eu o sentia. E eu o amava...

Eu, menino: sou as cordas. Ele: o artista. E entre nós dois se fez a melodia!...

E eu, menino, sorri...

Quando a madrugada chegou e, enquanto piscavam as luzes que iluminavam as casas, ele se ergueu e eu adivinhei que era a despedida. E eu suspirava, de alma renovada.

Abracei-o pela cintura, e lhe disse: Feliz aniversário!

Ele ergueu-me no ar, com seus braços fortes, tão fortes quanto a paz, e disse-me:

Presenteie-me compartilhando este abraço com a minha família, que também é sua... Ame-os com respeito. Respeite-os com ternura, com carinho e amizade. E tenha um Feliz Natal!

E porque eu não queria vê-lo ir-se embora, saí correndo em disparada pela rua. Abandonei-o, levando-o para sempre no mais íntimo do coração...

E saí em busca de braços que aceitassem os meus...

E eu, menino, nunca mais o vi. Mas fiquei com a certeza de que ele sempre está comigo, e não apenas nas noites de Natal...

E eu, menino, sorri... Pois agora eu sei que Ele é Jesus... E é por causa Dele que existe o Natal.

Momento Espírita, com base em texto de
Fábio Azamore - livro Momento Espírita v. 4.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Abba entra no hall da fama do rock

Há vezes em que a qualidade e o trabalho de alguém, ou de algumas pessoas, demora muito a ser reconhecido.

O grupo sueco ABBA criado em 1972 e que foi grande sucesso mundial nas décadas de 70 e 80, dominando as paradas musicais de todo o mundo, só agora vai entrar para o hall da fama do rock  juntamente com Genesis, Jimmy Cliff, The Hollies e The Stooges.

O ABBA já havia sido indicado anteriormente, mas só agora teve a inclusão aprovada.

A lista com os artistas que serão incluídos no hall em 2010 foi divulgada na terça-feira (15/12).

O ABBA e demais artistas foram escolhidos por um painel de 500 votantes que fazem parte da fundação do hall da fama do rock and roll. Um artista pode ser incluído 25 anos após o lançamento de sua primeira gravação.

O quarteto ABBA foi responsável por colocar a Suécia no mapa da música pop. Entre os sucessos do grupo podem se destacados os clássicos "Dancing Queen", "Mamma Mia", "The Winner Takes it All", “I have a Dream”, “Tank you for de Music”, “Fernando” e muitos outros.

O nome do quarteto é um acrónimo formado pelas primeiras letras do nome de cada um dos integrantes: Björn Ulvaeus e Benny Andersson, e as vocalistas Agnetha Fältskog e Anni-Frid Lyngstad (a Frida).

A partir de 1976, o primeiro B no logo da banda passou a ser escrito invertido em todos os discos e materias promocionais.


O ABBA se tornou a banda POP que mais discos vendeu na indústria fonográfica, mesmo estando inativa desde 1983 vendem mais de 3 milhões de discos por ano.

Abaixo, alguns sucessos do ABBA.


Dancing Queen





Fernando






Thank you for the Music



I have a dream




pesquisa: Wikipédia e Uol

domingo, 13 de dezembro de 2009

A tolerância

Muitas de nossas aflições e preocupações são frutos de nossa própria intolerância. Criamos, diariamente, uma série de problemas por não termos a acuidade necessária em tolerar faltas insignificantes na ordem das coisas; palpites sobre religiões, política, futebol etc..., e o resultado são querelas, disputas e inimizades quando o desfecho não é pior.

 
Bem escreveu Bini que “a humana sabedoria consiste em tolerar”, e Gould, que “a tolerância é a mãe da paz”. Já La Fontaine, autor de famosas fábulas, definiu bem o valor da tolerância quando disse: “Quando um não quer, dois não brigam”.
 
O famoso Voltaire, que foi o mais renitente lutador contra a intolerância, concluiu com este magnífico trecho o seu célebre “Tratado da Tolerância”: “A ti, Deus de todas as criaturas, de todos os mundos, de todas as épocas, dirijo esta petição. Não nos deste coração para que nos odiemos uns aos outros; nem mãos para nos exterminarmos reciprocamente.

“Faze com que as diferenças insignificantes nas roupas com que protegemos o corpo frágil, nas línguas impróprias que falamos, nos nossos usos absurdos, nas nossas leis imperfeitas, nas nossas convicções vãs, que todas essas distinções sem importância, que se afiguram tão importantes e são despidas de significação aos teus olhos, não se tornem penhores de ódio e perseguição. Faze com que os homens aprendam a abominar e a proscrever a tirania sobre as almas, como abominam e reputam fora da lei o furto e a violência. E se não puder evitar a guerra, faze, pelo menos que não nos detestemos e laceremos uns aos outros em plena paz, mas que possamos empregar a existência, em mil idiomas e um único a sentir, de Sião à Califórnia, em louvor a tua bondade que nos outorgam o momento efêmero a que chamamos vida”.


Extraído de Antologia Popular Espírita
foto: Catedral 2005


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A lição do fogo

Um membro de um determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso deixou de participar de suas atividades.

Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.

Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando. O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada. No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha, que ardiam.

Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado.

Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel. O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto.

Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez. Em pouco tempo o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada.

Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos.

O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.

Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:

- Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo. Deus te abençoe!

Autor desconhecido
foto: internet

sábado, 28 de novembro de 2009

A Caridade


Humberto de Campos

Há um apólogo em que o diabo compra a alma de um boêmio, cuja carteira enche diariamente de cédulas, para que ele as gaste até a última. No dia em que ficar uma cédula sem ser consumida, está concluída a transação e a alma tem que ser entregue ao comprador. O boêmio gasta, cada dia, centenas de contos com o luxo, com o amor, com o jogo, com as bebidas, com as várias formas de dissipação. Até que uma noite resolve capitular. Não tem em que empregue o dinheiro do diabo. E vai entregar-lhe a alma.



- Aqui me tens – diz. – Não encontrei mais em que despender dinheiro na Terra.

O diabo sorri, toma-lhe a alma, e depois diz; - Há, no entanto, no mundo alguma coisa em que um homem pode consumir, diariamente, e até ao final dos séculos, todo dinheiro que tenha nas mãos. E olhando o homem nos olhos: - Nunca ouviste falar na Caridade?

ilustração: internet

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Enquanto os ventos sopram


Alguns anos atrás, um fazendeiro possuía terras ao longo do litoral do Atlântico. Ele constantemente anunciava estar precisando de empregados.


A maioria de pessoas estava pouco disposta a trabalhar em fazendas ao longo do Atlântico. Temiam as horrorosas tempestades que varriam aquela região, fazendo estragos nas construções e nas plantações.

Procurando por novos empregados, ele recebeu muitas recusas.

Finalmente, um homem baixo e magro, de meia-idade, se aproximou do fazendeiro.

- Você é um bom lavrador? Perguntou o fazendeiro.

- Bem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram - respondeu o pequeno homem.

Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, o empregou. O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer até o anoitecer e o fazendeiro estava satisfeito com o trabalho do homem.

Então, uma noite, o vento uivou ruidosamente. O fazendeiro pulou da cama, agarrou um lampião e correu até o alojamento dos empregados. Sacudiu o pequeno homem e gritou, - Levanta! Uma tempestade está chegando! Amarre as coisas antes que sejam arrastadas!

O pequeno homem virou-se na cama e disse firmemente, - Não senhor. Eu lhe falei, eu posso dormir enquanto os ventos sopram.

Enfurecido pela resposta, o fazendeiro estava tentado a despedi-lo imediatamente. Em vez disso, ele se apressou a sair e preparar o terreno para a tempestade. Do empregado, trataria depois.

Mas, para seu assombro, ele descobriu que todos os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo. As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos nos viveiros, e todas as portas muito bem travadas. As janelas bem fechadas e seguras. Tudo foi amarrado. Nada poderia ser arrastado. O fazendeiro então entendeu o que seu empregado quis dizer, e retornou para sua cama para também dormir enquanto o vento soprava.

O que eu quero dizer com esta história, é que quando se está preparado - espiritual, mental e fisicamente - não tem nada a temer.
Eu lhe pergunto: você pode dormir enquanto os ventos sopram em sua vida?
Espero que você durma bem.

Autoria ignorada
foto:DW-World-DE


sábado, 14 de novembro de 2009

Ai meu pé!



Certa vez, a dor veio visitar a Terra. Vestiu-se de forma adequada e chegou a uma casa pobre. Havia crianças, uma mulher cansada de tantos afazeres e um homem marcado pelas horas de trabalho exaustivo.


A dor gostou do lugar e se aninhou no dedão do pé direito daquele pai de família. Naquele dia, quase noite, ele se recolheu e nem deu muita atenção para a tal da dor porque o cansaço era maior do que ela.

Mal despertou a madrugada o homem acordou, pulou da cama e começou a se preparar para sair.

Não desejando despertar as crianças e a esposa, ele se ergueu no escuro e logo bateu o dedão num brinquedo esquecido no chão.

Ai, disse ele baixinho. Ui, que dor!

Acariciou o dedo dolorido com a mão calosa e enfiou o pé no calçado.

A dor lhe deu uma espetada. Afinal, ela não estava gostando nada de ficar ali, apertada.

O homem, responsável, saiu mancando. O dedo latejava. Ele sentiu a dor diminuir um pouco quando tirou o pé do calçado, no trajeto que fez de ônibus.

Contudo, logo mais chegou ao destino. Calçou o sapato e andou.

Assim foi o dia inteiro. A dor reclamando, o homem sentindo mas dizendo: Eu preciso continuar. Não posso perder este emprego. Meus filhos dependem de mim.

E tudo acontecia. Ora o dedão topava na quina de um móvel, ora o sapato apertava mais, ora...

A noite surpreendeu o homem na labuta, suando, trabalhando. A dor já não aguentava mais.

E, quando ao ir para casa, o dedão topou numa pedra do caminho, foi o fim. A dor ficou muito zangada e disse: Vou embora. Este homem não sabe me tratar bem.

E lá se foi. Perto dali, ela encontrou uma casa muito bonita, confortável e entrou.

Um homem estava largado no sofá da sala, assistindo televisão. A dor gostou de tudo que viu e se instalou no dedão do pé.

Ai, gritou ele. Que coisa esquisita. Que dor terrível!

Já providenciou uma almofada para acomodar o pé. Ao recolher-se para dormir, enfaixou o local e no dia seguinte, fez repouso.

E no outro, e no outro.

A dor adorou aquele tratamento vip e tomou uma resolução: Não saio mais daqui.


fonte: Momento Espírita
foto: folha imagem

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Duas águias, dois destinos



Um bravo índio encontrou um ovo de uma águia. Sabendo que não haveria a mínima possibilidade de devolver o ovo ao ninho da águia, a melhor coisa a fazer foi colocá-lo no ninho de uma galinha. O resultado era previsível. A ave chocou esse ovo de águia, juntamente com os seus próprios ovos, sem nada perceber, pois sabemos que muitos animais, domésticos ou não, não têm capacidade para pensar como seres humanos. Pouco a pouco, a pequena águia foi sendo chocada juntamente com os pintinhos.




Durante toda a sua vida a águia, pensando ser uma galinha, fez o que uma galinha faz. Ela ciscava o pó em busca de sementes e insetos para comer. Cacarejava e grasnava. E voava com um bater de asas tímido, agitando suas penas a poucos metros do chão. Afinal de contas, era assim que as galinhas voavam.



Os anos se passaram. E a águia foi ficando bastante velha. Um dia, ela viu um magnífico pássaro bem lá no alto, voando no lindo céu azul sem nuvens. Pairando com graciosa majestade nas poderosas correntes de vento, ele voava com a mínima batida de suas fortes asas douradas.



- Que belo pássaro!", disse a águia à sua vizinha. O que é ele?



- É uma águia. a mais imponente, poderosa e magnífica das aves, cacarejou a vizinha.



- Mas não fique imaginando coisas. Você jamais poderia ser como ela. Você é como todas nós aqui, e nós somos galinhas.



Assim, prisioneira dessa crença, a águia não pensou mais naquilo. E morreu pensando ser uma simples galinha.

Do livro: As Estações do Coração


********

Um camponês criou um filhotinho de águia junto com suas galinhas. Tratando--a da mesma maneira que tratava as galinhas, de modo que ela pensasse que também era uma galinha. Dando a mesma comida jogada no chão, a mesma água num bebedouro rente ao solo, e fazendo-a ciscar para complementar a alimentação, como se fosse uma galinha. E a águia passou a se portar como se galinha fosse.




Certo dia, passou por sua casa um naturalista, que vendo a águia ciscando no chão, foi falar com o camponês: - Isto não é uma galinha, é uma águia!



O camponês retrucou: - Agora ela não é mais uma águia, agora ela é uma galinha!



O naturalista disse: - Não, uma águia é sempre uma águia, vamos ver uma coisa..



Levou-a para cima da casa do camponês e elevou-a nos braços e disse: - Voa, você é uma águia, assuma sua natureza!



- Mas a águia não voou, e o camponês disse: - Eu não falei que ela agora era uma galinha !



O naturalista disse: - Amanhã, veremos...



No dia seguinte, logo de manhã, eles subiram até o alto de uma montanha.



O naturalista levantou a águia e disse: - Águia, veja este horizonte, veja o sol lá em cima, e os campos verdes lá em baixo, veja, todas estas nuvens podem ser suas.



Desperte para sua natureza, e voe como águia que és...



A águia começou a ver tudo aquilo, e foi ficando maravilhada com a beleza das coisas que nunca tinha visto, ficou um pouco confusa no inicio, sem entender o porquê tinha ficado tanto tempo alienada. Então ela sentiu seu sangue de águia correr nas veias, perfilou, de vagar, suas asas e partiu num vôo lindo, até que desapareceu no horizonte azul.



Criam as pessoas como se galinhas fossem, porém, elas são águias. Por isso, todos podemos voar, se quisermos.



Voe cada vez mais alto, não se contente com os grãos que lhe jogam para ciscar.



Nós somos águias, não temos que agir como galinhas, como querem que a gente seja. Pois com uma mentalidade de galinha fica mais fácil controlar as pessoas, elas abaixam a cabeça para tudo, com medo.



Conduza sua vida de cabeça erguida, respeitando os outros, sim, mas com medo, nunca!

Autor: James Aggrey
Esta história pode ser vista no livro de Leonardo Boff, com o mesmo título: A águia e a galinha.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pequenas joias da poesia





Alba

Não faz mal que amanheça devagar.
as flores não têm pressa nem os frutos;
sabem que a vagareza dos minutos
adoça mais o outono por chegar.
Portanto não faz mal que devagar
o dia vença a noite em seus redutos
de leste - o que nos cabe é ter enxutos
os olhos e a intenção de madrugar.

Geir Campos


Ditirambo


Meu amor me ensinou a ser simples
Como um largo de igreja
Onde não há nem um sino
Nem um lápis
Nem uma sensualidade

                        
Oswald de Andrade



O poema


Um poema como um gole d'água bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequena moeda de prata perdida
para sempre na floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa
condição de poema

Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza


Mário Quintana


Monólogo


Estar atento diante do ignorado,
Reconhecer-se no desconhecido,
Olhar o mundo, o espaço iluminado,
E compreender o que não tem sentido.
Guardar o que não pode ser guardado,
Perder o que não pode ser perdido,
- É preciso ser puro, mas cuidado!
É preciso ser livre, mas sentido!
É preciso paciência, e que impaciência!
É preciso pensar ou esquecer,
E conter a violência, com prudência.
Qual desamada vítima ao querer
Vingar-se, sim, Vingar-se da existência,
E, misteriosamente não poder.

Dante Milano


Ilhas Idílicas

E
estando
me

 faltas
               
Neide Archanjo


ilustração: internet

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Solidão

Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solidão é, na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem.


A necessidade de relacionamento humano, como mecanismo de afirmação pessoal, tem gerado vários distúrbios de comportamento, nas pessoas tímidas, nos indivíduos sensíveis e em todos quantos enfrentam problemas para um intercâmbio de idéias, uma abertura emocional, uma convivência saudável.


Enxameiam, por isso mesmo, na sociedade, os solitários por livre opção e aqueloutros que se consideram marginalizados ou são deixados à distância pelas conveniências dos grupos.


A sociedade competitiva dispõe de pouco tempo para a cordialidade desinteressada, para deter-se em labores a benefício de outrem.


O atropelamento pela oportunidade do triunfo impede que o indivíduo, como unidade essencial do grupo, receba consideração e respeito ou conceda ao próximo este apoio que gostaria de fruir.


A mídia exalta os triunfadores de agora, fazendo o panegírico dos grupos vitoriosos e esquecendo com facilidade os heróis de ontem, ao mesmo tempo que sepulta os valores do idealismo, sob a retumbante cobertura da insensatez e do oportunismo.


O homem, no entanto, sem ideal, mumifica-se. O ideal é-lhe de vital importância, como o ar que respira.


O sucesso social não exige, necessariamente, os valores intelecto-morais, nem o vitalismo das idéias superiores, antes cobra os louros das circunstâncias favoráveis e se apóia na bem urdida promoção de mercado, para vender imagens e ilusões breves, continuamente substituídas, graças à rapidez com que devora as suas estrelas.


Quem, portanto, não se vê projetado no caleidoscópio mágico do mundo fantástico, considera-se fracassado e recua para a solidão, em atitude de fuga de uma realidade mentirosa, trabalhada em estúdios artificiais.


Parece muito importante, no comportamento social, receber e ser recebido, como forma de triunfo, e o medo de não ser lembrado nas rodas bem sucedidas, leva o homem a estados de amarga solidão, de desprezo por si mesmo.


O homem faz questão de ser visto, de estar cercado de bulha, de sorrisos embora sem profundidade afetiva, sem o calor sincero das amizades, nessas áreas, sempre superficiais e interesseiras. O medo de ser deixado em plano secundário, de não ter para onde ir, com quem conversar, significaria ser desconsiderado, atirado à solidão.


Há uma terrível preocupação para ser visto, fotografado, comentando, vendendo saúde, felicidade, mesmo que fictícia.


A conquista desse triunfo e a falta dele produzem solidão.


O irreal, que esconde o caráter legítimo e as lídimas aspirações do ser, conduz à psiconeurose de autodestruição.


A ausência do aplauso amargura, face ao conceito falso em torno do que se considera, habitualmente como triunfo.


Há terrível ânsia para ser-se amado, não para conquistar o amor e amar, porém para ser objeto de prazer, mascarado de afetividade.


Dessa forma, no entanto, a pessoa se desama, não se torna amável nem amada realmente.


Campeia, assim, o “medo da solidão”, numa demonstração caótica de instabilidade emocional do homem, que parece haver perdido o rumo, o equilíbrio.


O silêncio, o isolamento espontâneo são muito saudáveis para o indivíduo, podendo permitir-lhe reflexão, estudo, auto-aprimoramento, revisão de conceitos perante a vida e a paz interior.


O sucesso, decantado como forma de felicidade, é, talvez, um dos maiores responsáveis pela solidão profunda.


Os campeões de bilheteria nos shows, nas rádios, televisões e cinemas, os astros invejados, os reis dos esportes, dos negócios cercam-se de fanáticos e apaixonados, sem que se vejam livres da solidão.


Suicídios espetaculares, quedas escabrosas nos porões dos vícios e dos tóxicos comprovam quanto eles são tristes e solitários. Eles sabem que o amor, com que os cercam, traz, apenas, apelos de promoção pessoal dos mesmos que os envolvem, e receiam os novos competidores que lhes ameaçam os tronos, impondo-lhes terríveis ansiedades e inseguranças, que procuram esconder no álcool, nos estimulantes e nos derivativos que os mantêm sorridentes, quando gostariam de chorar, quão inatingidos, quanto se sentem fracos e humanos.


A neurose da solidão é doença contemporânea, que ameaça o homem distraído pela conquista dos valores de pequena monta, porque transitórios.


Resolvendo-se por afeiçoar-se aos ideais de engrandecimento humano, por contribuir com a hora vazia em favor dos enfermos e idosos, das crianças em abandono e dos animais, sua vida adquiriria cor e utilidade, enriquecendo-se de um companheirismo digno, em cujo interesse alargar-se-ia a esfera dos objetivos que motivam as experiências vivenciais e inoculam coragem para enfrentar-se, aceitando os desafios naturais.


O homem solitário, todo aquele que se diz em solidão, exceto nos casos patológicos, é alguém que se receia encontrar, que evita descobrir-se, conhecer-se, assim ocultando a sua identidade na aparência de infeliz, de incompreendido e abandonado.


A velha conceituação de que todo aquele que tem amigos não passa necessidades, constitui uma forma desonesta de estimar, ocultando o utilitarismo sub-reptício, quando o prazer da afeição em si mesma deve ser a meta a alcançar-se no inter-relacionamento humano, com vista à satisfação de amar.


O medo da solidão, portanto, deve ceder lugar, à confiança nos próprios valores, mesmo que de pequenos conteúdos, porém significativos para quem os possui.


O “amor a Deus” como a mais importante conquista do homem, conclama-o a amar-se, a valorizar-se, a conhecer-se de modo a plenificar-se com o que é e tem, multiplicando esses recursos em implementos de vida eterna, em saudável companheirismo, sem a preocupação de receber resposta equivalente.


O homem solidário, jamais se encontra solitário.


O egoísta, em contrapartida, nunca está solícito, por isto, sempre atormentado.



Extraído de: O homem integral

Joanna de Angelis/Divaldo P. Franco
Ilustração: internet

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Duas éticas

O tipo de mundo em que vivemos é governado em grande medida por sua ética consensual.


No momento, há duas éticas competindo pela primazia da sociedade. Temos a ética tradicional, humana, pró-vida, que considera toda vida humana preciosa por si. Aceita amorosamente e importa-se com todos os seres humanos, sem distinção de tamanho, forma, cor da pele, religião ou auto-suficiência. Supõe que toda vida vale a pena ser vivida.


Segundo essa ética, todos os que vêm a este mundo vêm como parte de nossa família humana. Todos vêm com uma dádiva única e irrepetível. Há, neste mundo, pessoas como Helen Keller, surda e muda, incapaz de se comunicar até “Annie” Sullivan aparecer. Anne Sullivan, só vai atingir a estatura de um ser humano fantástico porque há o desafio de Helen Keller para despertar sua grandeza. Você escala a montanha porque ela está ali. Neste mundo também existem pessoas retardadas e deformadas. Teremos escolas para “crianças excepcionais” e “Jogos Olímpicos Especiais”.

Os velhos senis são tratados com simpatia e compaixão, pois também fazem parte de nossa família e nos motivam a ser amorosos e humanos. A mensagem que os idosos nos deixam é um pedido, um convite e um desafio à nossa capacidade de amar e à nossa tolerância. Quando vencemos este desafio, como músculos que se desenvolvem com o exercício, nossa capacidade societária de amar e interesse mútuo também crescem. Ficamos cada vez mais humanos uns com os outros. O mundo que vive com a ética pró-vida pode não ser tão organizado e limpo, tão livre de sofrimentos quanto o mundo governado pela ética da qualidade de vida, mas é muito mais humano e compassivo, é um mundo mais amoroso.

Texto de The Silent Holocaus
Pesquisa Wikipédia
ilustração: internet



Nesta semana, mais precisamente no dia 20, lembramos a morte de Anne Sullivan em 1936, deficiente física que havia sido quase cega, mas depois de duas operações, recuperou alguns graus da visão.


Tornou-se conhecida no mundo todo por ter sido a professora de Helen Keller, uma adolescente surda-cega a quem ensinou a língua de sinais através do tato.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Você aprende



Você Aprende


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.

E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam.

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas somos responsáveis por nós mesmos.

Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida !

Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

William Shakespeare

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