sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O coelho e o cachorro






Eram dois vizinhos...
O primeiro vizinho comprou um coelho para os filhos.
Os filhos do outro vizinho pediram um bicho para o pai.
O doido comprou um pastor alemão. Papo de vizinho:
- Mas ele vai comer o meu coelho.
- De jeito nenhum. Imagina. O meu pastor é filhote.
Vão crescer juntos, pegar amizade. Entendo de bicho.Problema nenhum.
E parece que o dono do cachorro tinha razão.
Juntos cresceram e amigos ficaram.
Era normal ver o coelho no quintal do cachorro e vice-versa. As crianças, felizes.
Eis que o dono do coelho foi passar o final de semana na praia com a família.
Isso na sexta-feira.
No domingo, de tardinha, o dono do cachorro e a família tomavam um lanche, quando entra o pastor alemão na cozinha. Pasmo.
Trazia o coelho entre os dentes, todo imundo, arrebentado, sujo de terra e, é claro, morto.
Quase mataram o cachorro.
- O vizinho estava certo. E agora, meu Deus?
- E agora?
A primeira providência foi bater no cachorro, escorraçar o animal, para ver se ele aprendia um mínimo de civilidade e boa vizinhança.
Claro, só podia dar nisso.
Mais algumas horas e os vizinhos iriam chegar.
E agora? Todos se olhavam.
O cachorro rosnando lá fora, lambendo as tantas pancadas que ainda lhe doíam.
- Já pensaram como vão ficar as crianças? (perguntou a mulher)
- Cala a boca!!!!
Não se sabe exatamente de quem foi a idéia, mas era infalível.
- Vamos dar um banho no coelho, deixar ele bem límpido, depois a gente seca com o secador da sua mãe e coloca na casinha dele no quintal.
Como o coelho não estava muito estraçalhado, assim fizeram.
Até perfume colocaram no falecido.
Ficou lindo, parecia vivo, diziam as crianças.
E lá foi colocado, com as patinhas cruzadas, como convém a um coelho cardíaco.
Umas três horas depois eles ouvem a vizinhança chegar.
Notam o alarido e os gritos das crianças. Descobriram!
Não deram cinco minutos e o dono do coelho veio bater a porta.
Branco, lívido, assustado. Parecia que tinha visto um fantasma.
O que foi? Que cara é essa?
O coelho... O coelho...
O que tem o coelho?
- Morreu!
Todos:
- Morreu? Ainda hoje de tarde parecia tão bem...
- Morreu na sexta-feira!
Na sexta?
- Foi. Antes de a gente viajar as crianças enterraram ele no fundo do quintal!
A historia termina aqui. O que aconteceu depois não interessa. E ninguém sabe.
Mas o personagem que mais cativa nesta historia toda, o protagonista, é o cachorro.
Imagine o pobre do cachorro que, desde sexta-feira, procurava em vão pelo amigo de infância, o coelhinho.
Depois de muito farejar descobre o corpo. Morto. Enterrado.
O que faz ele? Provavelmente com o coração partido, desenterra o pobrezinho e vai mostrar para os seus donos.
Talvez estivesse ate chorando, quando começou a levar pancada de tudo quanto é lado.
O cachorro é o herói.
O bandido é o dono do cachorro. O ser humano.
Sim nós mesmos, que não pensamos duas vezes.
Para nós o cachorro é o irracional, o assassino confesso.
E o homem continua achando que um banho, um secador de cabelos e um perfume disfarçam a hipocrisia, animal desconfiado que temos dentro de nós.
Julgamos os outros pela aparência, mesmo que tenhamos que deixar esta aparência como melhor nos convier. Maquiada.
Coitado do cachorro.
Coitado do dono do cachorro.
Coitados de nós, animais racionais
Mensagem e foto: Internet

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