quarta-feira, 15 de maio de 2013

Como evitar golpes no namoro pela Internet


Como evitar abrir o coração e a carteira para um príncipe (ou princesa) encantador demais para ser verdade? Comece levando em conta as seguintes precauções:

Não alimente uma relação a distância pela Internet com um estranho. “Preferir quem mora perto reduz drasticamente a probabilidade de cair num golpe, pois a maioria dos golpistas procura vítimas fora de sua região para evitar ser pego ou processado”, observa a jornalista canadense Risha Gotlieb.

Nunca revele dados pessoais antes de se encontrar com o pretendente e desenvolver certo nível de confiança no outro. Embora seja tentador dividir todos os detalhes da vida com alguém por quem acreditamos ter nos apaixonado, os vigaristas contam exatamente com isso.

Use sites de busca para verificar os pretendentes. Quando Elizabeth Bernstein, do Wall Street Journal, conheceu na Internet alguém que parecia bom demais para ser verdade, ela copiou e colou no Google um dose-mails dele. O resultado? Aquele e-mail aparecia em vários sites que denunciam golpes na Internet.

Mande a foto de um pretendente para um site de busca reversa de imagem, como o tineye.com ou o Google Imagens (basta clicar na máquina fotográfica ao lado co campo de buscas). De acordo com Elizabeth, isso lhe permitirá ver os outros lugares onde a foto apareceu na Internet. Muitos trapaceiros usam fotos furtadas de perfis no Facebook.

Prefira sites de relacionamento pagos. O fato de ter de pagar para se inscrever pode intimidar quem não tem intenções sérias de encontrar um parceiro usando o serviço oferecido na Internet, segundo Natacha Amendt, gerente de marketing do be2 no Brasil. Mas não pense que não há predadores nesses sites. Talvez sejam apenas em menor número.

Desconfie de quem quiser se comunicar de imediato por bate-papo on-line ou por e-mail: talvez o objetivo seja obter acesso ao seu computador para furtar informações.

Desconfie também de quem não diz muito sobre si. Os perfis de golpistas em sites de relacionamento não são muito detalhados, pois assim eles não têm de se lembrar de todas as invenções. A maioria deles prefere evitar os detalhes de onde mora e diz que viaja bastante.

Não abra anexos de estranhos.Se você abrir uma foto, por exemplo, pode permitir, mesmo sem intenção, que um vírus contamine seu computador.

Não seja vítima de histórias tristes. Jody Buell, orientadora do site romancescams.org, diz que muitos golpistas afirmam ter perdido a mulher, um filho ou os pais num acidente, ou ainda alegam ter um parente com alguma doença grave, só para causar comoção.

Telefone para o pretendente assim que possível. De acordo com Elizabeth, quem soa plausível na Internet pode ser uma fraude óbvia ao telefone.

Verifique sites como romancescams.org, pigbusters.net e forascammer.blogspot.com. Se já enganou alguém, o pretendente pode estar por lá.

Nunca, jamais transfira dinheiro para um estranho

fonte Seleções
ilustração:internet

terça-feira, 7 de maio de 2013

Redução da maioridade penal


Se olharmos nossas leis penais, veremos que elas nunca dão um valor certo de pena. Elas estabelecem um mínimo e um máximo. No caso do homicídio, por exemplo, varia entre 6 e 20 anos. 

Digamos que a maioridade penal seja reduzida. E digamos que o menor cometa um homicídio e que o magistrado aplique uma pena base de 13 anos.


O Código Penal diz, também, que depois de estabelecida a base, o magistrado deve diminuí-la se houver atenuantes. E uma das atenuantes previstas na lei é a pessoa ter cometido o delito quando tinha menos de 21 anos. Como o adolescente estará necessariamente nessa categoria, a pena será diminuída. Digamos em três anos, o que também é comum. Ou seja, o menor receberá uma pena de 10 anos.


Dez anos de reclusão é menor do que três de internação, certo?


Em direito, não necessariamente. Isso porque há a progressão de regime. E, para ter direito a ela, a pessoa precisa ter cumprido um sexto da pena restante (ou dois quintos se for crime hediondo).


Um sexto de 10 anos são 20 meses. Ou seja, ele ficaria em regime fechado durante um ano e oito meses antes de ter direito ao regime semiaberto, no qual seria transferido para uma colônia agrícola ou industrial. Mas – especialmente em SP e RJ – faltam vagas em tais colônias. Como o preso não pode ser prejudicado pela incompetência do Estado em prover vagas, ele passa a ter direito ao regime mais benéfico depois do regime semiaberto: o regime aberto, no qual passa o dia fora e volta para dormir na casa de albergados.


Só que, novamente, não há casas de albergados na maior parte das comarcas brasileiras. Solução? Conceder a liberdade condicional, na qual ele sequer volta para dormir.


Enfim, ele estará em liberdade depois de passar pouco mais da metade do tempo que ficaria na Fundação Casa. O cenário só mudaria para penas acima de 18 anos (cujo um sexto são três anos). No caso do homicídio, ele teria de receber a pena máxima ou muito próxima da pena máxima possível (20 anos), porque o magistrado teria ainda que levar em conta a atenuante de ter cometido o crime com menos de 21 anos.


E não podemos nos esquecer que a maior parte dos menores infratores não comete homicídios, ou seja, estaria sujeita a penas máximas muito menores que 18 anos.


Então quem é a favor da redução da maioridade penal como mecanismo de manter o menor preso está errado em apoiar a redução da maioridade penal?


Não necessariamente.


Temos que levar mais duas coisas em conta:


Na prática, como falta de espaço apropriado para internação entre os 18 e 21, ao completar 18 anos o menor sai dos centros de nternação.


Logo, ele só passa efetivamente 3 anos internado se foi internado aos 15 anos. Se tiver cometido o delito depois disso, dificilmente ficará internado por mais de três anos. Ou seja, ‘a melhor idade’ para cometer um delito é entre 15 e 18 anos porque não se pode ser condenado como um adulto, mas também não se pode mantê-lo internado junto com os menores depois de ter deixado de ser menor. Na prática, ele acaba solto.


Simplesmente aumentar o tempo de internação de 3 para 6 anos - sem construir locais adequados para ele ficar internado entre os 18 e 21 anos - significaria que o menor, para ficar internado por 6 anos, precisaria cometer o ato infracional aos 12 anos.


Para manter o menor de 16 anos internado por 6 anos, teríamos que resolver o gargalo logísticos para mantê-los internados depois dos 18 anos, em locais diferentes dos menores de idade com quem coabitavam até completarem os 18 anos, e diferentes dos adultos (já que estão internados e não condenados). E isso tem custos financeiros enormes (vide a falta de colônias e casas de albergados mencionadas acima).


Por fim, não podemos nos esquecer que a maior parte dos atos infracionais cometidos por menores que acabam na mídia não são homicídios simples. São homicídios qualificados, cujas penas variam entre 12 e 30 anos e nos quais os magistrados tendem a começar com uma pena base por volta de 21 anos. Ou seja, depois de subtraído alguns anos pela atenuante, os dois quintos necessários para a progressão de regime (porque agora é crime hediondo) serão maiores que os 3 anos de internação nos centros de reeducação.


Mas homicídio qualificado (12 a 30 anos) e latrocínio (20 a 30 anos) seriam os únicos dois crimes que seguramente teriam um tempo de pena maior do que de internação. Os demais, dependeriam da pena aplicada pelo magistrado e da existência de vagas em colônias, casas de albergados ou centros de internação.


Embora seja confortável restringir o debate à modificação - ou continuação - da lei atual, o debate é inútil sem abordarmos outros problemas conexos, como os dos locais de cumprimento da pena ou de internação, a progressão de regime, as atenuantes, a reincidência e o tamanho das penas possíveis.

fonte e ilustração: Folha de São Paulo 06/5/2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A liçao do jardineiro

Um dia, o executivo de uma grande empresa contratou, pelo telefone, um jardineiro autônomo para fazer a manutenção do seu jardim.
Chegando em casa, o executivo viu que estava contratando um garoto de apenas 15 ou 16 anos de idade. Contudo, como já estava contratado, ele pediu para que o garoto executasse o serviço.
Quando terminou, o garoto solicitou ao dono da casa permissão para utilizar o telefone e o executivo não pôde deixar de ouvir a conversa.
O garoto ligou para uma mulher e perguntou: "A senhora está precisando de um jardineiro?"
"Não. Eu já tenho um", foi a resposta.
"Mas, além de aparar a grama, frisou o garoto, eu também tiro o lixo.”
"Nada demais, retrucou a senhora, do outro lado da linha. O meu jardineiro também faz isso."
O garoto insistiu: "eu limpo e lubrifico todas as ferramentas no final do serviço."
"O meu jardineiro também, tornou a falar a senhora."
"Eu faço a programação de atendimento, o mais rápido possível."
"Bom, o meu jardineiro também me atende prontamente. Nunca me deixa esperando. Nunca se atrasa."
Numa última tentativa, o menino arriscou: "o meu preço é um dos melhores.”
 "Não", disse firme a voz ao telefone. "Muito obrigada! O preço do meu jardineiro também é muito bom."
Desligado o telefone, o executivo disse ao jardineiro: "Meu rapaz, você perdeu um cliente."
"Claro que não", respondeu rápido. "Eu sou o jardineiro dela.
Fiz isto apenas para medir o quanto ela estava satisfeita comigo."
Em se falando do jardim das afeições, quantos de nós teríamos
a coragem de fazer a pesquisa deste jardineiro?
E, se fizéssemos, qual seria o resultado? Será que alcançaríamos o grau de satisfação da cliente do pequeno jardineiro?
Será que temos, sempre em tempo oportuno e preciso, aparado as arestas dos azedumes e dos pequenos mal-entendidos?
Estamos permitindo que se acumule o lixo das mágoas e da indiferença nos canteiros onde deveriam se concentrar as flores da afeição mais pura?
Temos lubrificado, diariamente, as ferramentas da gentileza, da simpatia entre os nossos amores, atendendo as suas necessidades e carências, com presteza?
E, por fim, qual tem sido o nosso preço? Temos usado chantagem ou, como o jardineiro sábio, cuidamos das mudinhas das afeições com carinho e as deixamos florescer, sem sufocá-las?
fonte: Momento Espírita
ilustração: roselândia

terça-feira, 30 de abril de 2013

Bengaladas



Longe de mim estimular a violência no País, mas pensei o seguinte: deveria haver uma lei que permitisse a cada cidadão, ao chegar a determinada idade - digamos 70 anos - usar sua bengala contra quem quisesse, sem o risco de retaliação, reprimenda ou processo. É claro que haveria uma regulamentação. 

O cidadão não poderia simplesmente sair a dar bengaladas indiscriminadas.

Teria uma cota anual de bengaladas livres que, se ultrapassada, aí sim lhe traria conseqüências legais. Dentro da sua cota ele poderia bater em quem quisesse sem ser responsabilizado e sem ter nem que explicar por que batia. Mas se excedesse a cota permitida teria sua bengala confiscada.

Os critérios para bater seriam subjetivos: velhos desafetos e implicâncias, indignações passageiras, diferenças artísticas, políticas ou monetárias, ou a convicção que mesmo sem uma razão definível algumas pessoas pedem bengaladas, é ou não é? Os cidadãos poderiam negociar suas cotas: quem já tivesse esgotado as suas mas ainda precisasse dar algumas boas bengaladas compraria cotas de outro, menos ativo. Teria que ser encontrada uma maneira de evitar bengaladas em bando, vários cidadãos irados se reunindo para bater num só. E casos de reincidência doméstica: velhos casais gastando suas cotas dando bengaladas um no outro o ano inteiro, só variando para acertar, por exemplo, um cunhado.

Acabaria o problema do que dar para pessoas de 70 anos no seu aniversário ou no Natal, além de meias e caixinhas de remédio. Bengalas! Com uma licença oficial para usá-las à vontade, dentro das regras estabelecidas e do bom senso, e com um habeas-corpus preventivo para o caso de algum excesso de iniciante. Alguém às vésperas de fazer 70 anos mal poderia esperar para, finalmente, pôr as mãos numa bengala e numa licença para bater. Muitos já teriam uma lista de prioridades pronta para quando começassem a dar bengaladas - e treinado bengaladas certeiras em segredo, para não perder tempo quando começassem. É difícil que a minha idéia pegue, mas, por via das dúvidas, leitor, faça desde já a sua lista: em quem você bateria se tivesse a sua bengala e a certeza da impunidade? Na minha lista já tem 17.

Luíz Fernando Veríssimo
O Estado 08/12/2005
ilustração: freepik

domingo, 28 de abril de 2013

Ataques e vazamentos de informações por redes sociais


É fato: a maioria das pessoas que têm perfil em uma rede social sofre de “síndrome de celebridade”. Não amigo, você não é uma celebridade, e quantidade não é sinônimo de qualidade. A verdade é que, para as grandes corporações do ramo, o que importa é a quantidade. Você não é um usuário que utiliza os seus serviços, você é o produto destas empresas e está em uma prateleira. E se você é um produto, existe um grandemercado para as suas informações.

O maior propósito das redes sociais (enquanto empresas) é utilizar os seus dados para obter lucro: operadoras de crédito e bancos querem entender o seu comportamento, governos querem os seus dados para manter sua rastreabilidade… Essas instituições querem entender quem você é, o que você faz, onde está e com quem se relaciona, para oferecer a melhor oferta de serviços e produtos, e você comprar.

A sociedade em geral não tem a preocupação com relação a sua privacidade, e isto é um fenômeno social e estimulado economicamente. É difícil racionalizar desta forma? Então imagine: se você pudesse ter em mãos, todos os dias, informações pessoais constantemente atualizadas de uma população, de um estado, de um país ou de um continente, você poderia lucrar com isto? Sim! Informação é poder, e poder gerar lucro. Mas se as empresas ganham dinheiro com seus dados, o crime organizado também quer sua parte, e é neste ponto que eu quero chegar, para alertas os usuários corporativos.

Fatores como a velocidade de propagação de informações pessoais e o fácil acesso à elas ajudam o crime organizado a realizar fraudes através de roubo de identidade e coleta de informações, para realizarem assaltos e sequestros, propagar códigos maliciosos para obter acesso indevido a computadores, realizar ataques e envio de spams, que por si só, é um mercado, que também utiliza as redes sociais e seus produtos para alcançarem seus objetivos de negócio.

É importante lembrar que a maioria destes serviços não são hospedados no Brasil e não são regulados pela jurisdição brasileira. Ou seja, as nossas leis não se aplicam a estes serviços em sua totalidade e é extremamente difícil rastrear golpes e ataques direcionados realizados através das redes sociais. Um processo de investigação deste tipo pode levar anos para chegar a uma conclusão – a não ser que você seja do governo dos USA.

Em uma inocente postagem em uma rede social, acidentalmente pode-se fornecer informações sobre o nosso trabalho, disponibilizando dados importantes aos criminosos ou concorrentes da empresa que você trabalha. A grande realidade é que a síndrome de celebridade nos torna cada vez mais suscetível a não distinguir corretamente assuntos pessoais de assuntos profissionais e acabamos por expor estas informações valiosas publicamente. Outro dia uma executiva postou em seu Twitter que ficaria até mais tarde no escritório por conta de uma licitação. Apenas desconsiderou o fato que um de seus seguidores era da concorrência. O resultado você pode imaginar qual foi.

A regra mais simples de todas é lembrar que você pode controlar os seus dados, mas não as pessoas que têm acesso as suas informações. Poucas pessoas utilizam todas as funcionalidades de privacidade que as empresas deste ramo oferecem para manter um perfil restrito, e mesmo assim, usar estes recursos não fornece a garantia de que seus dados não foram indexados pelo Google (ou outra ferramenta de busca), ou foram divulgados por amigos sem a sua autorização. Quer fazer um teste? Digite o seu nome completo no Google e analise o que irá aparecer.

Outra coisa que as pessoas têm que entender é sobre causa e efeito. Se você recebe spams, foi porque você mesmo que forneceu de algum modo o seu correio eletrônico ao Spanner. Ele não adivinhou o seu e-mail, ele simplesmente obteve (Data Mining) o que você forneceu e armazenou na rede pública – leia-se Internet.

É extremamente comum as pessoas divulgarem o correio eletrônico empresarial em redes sociais. Mas, se o correio eletrônico da sua empresa não é seu, ele pertence à empresa e não deveria ser divulgado nestes meios de comunicação sem autorização da mesma.  E depois que ler isto, não vá reclamar com o pessoal de TI da sua empresa que está recebendo Spams. A culpa não é deles, é sua!

Um grande exemplo disto foi o senso realizado em 2012 no Facebook. A pesquisa revelou que 83 Milhões de perfis eram falsos (quase 10% – hoje o Facebook possui 900 milhões de usuários), e a maioria era utilizada para engenharia social no intuito de obter informações restritas. E o que foi mais alarmante é que 1% destes 83 milhões eram perfis utilizados por softwares maliciosos.

Então, caro amigo, tenha em mente que mesmo que existam diferentes tipos de políticas de privacidade, as redes sociais são locais públicos, e como tal, são associadas a riscos.  Sempre se questione antes de postar algo – eu colocaria estas informações em um poste na minha rua? Se a resposta for “não”, não publique. Sempre pense em situações da vida real, e se realmente quer divulgar uma informação pessoal em uma rede social, analise as consequências que isto pode acarretar.

Wander Menezes
Fonte: Adnews
ilustração: internet

domingo, 14 de abril de 2013

Em 90% dos casos TOC surge com outros distúrbios psiquiátricos



Especialistas em transtorno obsessivo-compulsivo brasileiros analisam a maior amostra de pacientes do mundo em busca de novos tratamentos contra o mal. Uma das constatações é de que em mais de 90% dos casos o TOC surge com outros distúrbios psiquiátricos

Marcela Ulhoa                                                                                                                                                                          Correio Braziliense 14/4/2013



Lavar as mãos o tempo todo, escovar os dentes incansavelmente, contar azulejos a cada passo, ser tomado pela mania de limpeza e de organização, ou desenvolver o vício de colecionar todos os tipos de objetos podem ser rituais indicativos do transtorno obsessivo-compulsivo, o TOC. Os portadores do distúrbio são acometidos por um padrão de pensamentos e comportamentos repetitivos, sem sentido lógico, desagradáveis e extremamente difíceis de evitar. “O TOC é um transtorno subdiagnosticado porque as pessoas ou ficam com vergonha de procurar ajuda ou não reconhecem que aquilo é algo patológico”, explica Marcelo Queiroz Hoexter, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).

Em um esforço inédito para a psiquiatria, especialistas em TOC integrantes do Consórcio Brasileiro de Pesquisa em Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo (C-TOC) reuniram a maior amostra de pacientes com o distúrbio já realizada no mundo. O levantamento envolve entrevistas minuciosas de duração média de quatro horas, feitas com 1.001 pessoas com TOC e atendidas em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, na Bahia e no Rio Grande do Sul. O intuito é compreender melhor a origem do problema e desenvolver formas de tratamento cada vez mais eficazes. Os resultados iniciais foram publicados na última edição da Revista Fapesp.

A partir da análise das informações coletadas, os pesquisadores constataram que o TOC raramente é um problema que aparece sozinho. Segundo a pesquisa, apenas 8% das pessoas estudadas apresentam exclusivamente sintomas de obsessão e compulsão. Na maioria dos casos, o problema surge acompanhado de pelo menos um distúrbio psiquiátrico ao longo da vida. O mais recorrente foi a depressão, aparecendo em 68% dos participantes. Em segundo lugar, apareceram os transtornos de ansiedade, acometendo 63% dos pacientes. E quase 35% apresentavam sinais de fobia social.

De acordo com Marcelo Queiroz Hoexter, um dos pesquisadores do C-TOC, as comorbidades já eram conhecidas, mas essa foi a primeira vez que foi realizado um levantamento extenso a respeito. As constatações dão valiosas pistas do por que nem sempre os tratamentos funcionam em casos mais graves. As duas formas de tratamento internacionalmente recomendadas para amenizar os sintomas de TOC são a terapia cognitivo-comportamental e o uso de antidepressivos. Em alguns países, como nos Estados Unidos, há a alternativa da neurocirurgia para pacientes refratários, casos em que nenhuma das duas formas mais brandas surtem efeito.

Acompanhamento

Uma das linhas de pesquisa que integra os esforços dos pesquisadores brasileiros está justamente na compreensão das respostas de intervenções terapêuticas. Ao acompanhar 158 pessoas com TOC por um período de dois anos, a pesquisadora da USP Roseli Shavitt pôde observar que, para os casos leves e moderados, o resultado do tratamento com medicação é semelhante ao efeito da psicoterapia. “Desde que seja um tratamento de primeira linha, o mais importante não é o tipo escolhido, mas mantê-lo por um prazo mais longo”, defende Shavitt. Inicialmente, os dois tratamentos são igualmente eficazes, mas precisam de uma continuidade para que o efeito positivo seja observado. Segundo a pesquisadora, o tratamento para TOC não é imediato, é comum que dure a vida toda.

Ainda sobre as respostas terapêuticas, Hoexter desenvolveu uma análise diferente e complementar à conduzida por Shavitt. Seguindo uma linha neurobiológica do transtorno, o pesquisador usou a técnica de ressonância magnética estrutural para fotografar e mapear a ação dos antidepressivos e da terapia cognitivo-comportamental no cérebro. A constatação final é de que os dois tratamentos modificam não só o funcionamento, mas a estrutura de algumas regiões cerebrais de pessoas com TOC. “Sabíamos que as duas modalidades de tratamento têm respostas muito parecidas e são igualmente eficientes, mas não entendíamos como essas intervenções mudam o cérebro, ou seja, qual é o mecanismo biológico por trás disso”, ressalta Hoexter.

Segundo o pesquisador, pelos exames de neuroimagem, também foi possível perceber que o TOC induz um aumento de consumo de energia em uma região do córtex-frontal. Após a administração de antidepressivos nos pacientes ou submetê-los à terapia cognitivo-comportamental, os médicos constataram a diminuição da hiperatividade dessa região do cérebro. Entretanto, faltavam ainda estudos que avaliassem e comparassem o tamanho das estruturas cerebrais antes e depois do tratamento. Foi o que a equipe de Hoexter se propôs a fazer. “Pegamos uma amostra de pacientes com TOC que nunca tinham sido submetidos a nenhum tratamento e fizemos um exame de ressonância magnética do crânio antes de iniciar os procedimentos. Medimos uma série de volumes de diversas estruturas cerebrais”, conta o pesquisador.

Os cientistas, então, dividiram aleatoriamente os pacientes. Uma parte recebeu o antidepressivo fluoxetina e a outra foi submetida à terapia cognitivo-comportamental. Depois de 12 semanas, os voluntários passaram novamente pelo exame de ressonância magnética. Os cientistas compararam as medidas cerebrais antes e depois do tratamento. “A gente observou que tanto os pacientes que tomaram a fluoxetina quanto os que foram para a terapia apresentaram uma melhora muito similar do sintoma, a diferença é que aqueles que tomaram antidepressivo apresentaram um aumento do volume do putâmen, uma estrutura cerebral profunda que está muito implicada na patologia do TOC.”

Com isso, surge a hipótese de que a administração do medicamento provoca um aumento da plasticidade da região, que passa a ser mais eficiente na comunicação com o restante do cérebro, apresentando um aumento das conexões dos neurônios. Já os pacientes submetidos à terapia não mudaram a estrutura cerebral, apesar de terem melhorado os sintomas. “O resultado sugere que, apesar dos dois (tratamentos) serem eficazes, o mecanismo de ação no cérebro é diferente. Provavelmente, a terapia mexe em outras áreas que não fomos capazes de detectar ainda”, pondera Hoexter.

''O TOC é um transtorno subdiagnosticado porque as pessoas ou ficam com vergonha de procurar ajuda ou não reconhecem que aquilo é algo patológico”

Marcelo Queiroz Hoexter, psiquiatra da USP

Depoimento

Excessos já na infância

Eu tinha 27 anos quando um episódio me marcou tanto que resolvi pedir ajuda. Eu estava dirigindo, voltando para casa de um churrasco no sábado. Durante o percurso, achei que tinha atropelado uma pessoa. Aquilo me deu uma ansiedade muito grande, eu caí na dúvida, na culpa e comecei a voltar pelos lugares em que eu tinha passado. Olhava o carro e não tinha marca. Fiquei quase uma semana sem dormir. Eu ia de carro para o trabalho, mas pegava um farol amarelo e já era motivo de muita tensão. Toda vez que saía de carro era muito estressante. Eu tinha várias outras manias, mas não me incomodavam muito. Depois de três meses desse episódio, eu estava passando de carro em uma ponte em São Paulo e fiquei durante três horas subindo e descendo a ponte. Foi quando eu falei para mim mesmo que estava ficando maluco e precisava de ajuda.

Fui atrás de uma terapeuta e descobri que esse problema vinha desde a infância. Os meus primeiros TOCs eram ligados à organização e à higiene. Eu escovava os dentes de 20 a 25 vezes por dia porque tinha a impressão de que ia ter cárie. Tinha o hábito de acumular jornais, moedas, relógios, caixas de cigarro. Eu era acumulador, não conseguia me desfazer de nada. Quando eu fui diagnosticado, em 2007, logo depois conheci a Astoc (Associação Brasileira de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo-Compulsivo) e descobri que não estava sozinho. A minha primeira melhora foi próxima ao Natal: eu cheguei em casa e me desfiz de todas as coisas que tinha guardado durante anos. Eu já tinha tido síndrome do pânico em 2001 e passado por uma depressão em 2002, só que o TOC me ocupava e eu não tinha noção disso. O TOC é uma doença silenciosa, você sofre, mas não compartilha com ninguém. Hoje, digo que estou superbem, faço terapia, tomo antidepressivo e sempre vou aos grupos de apoio. O ser humano é curado pela fala, faz bem para mim dar depoimento para o jornal. As pessoas se escondem, é difícil assumir, mas faz bem.

Caio Wilmers Manço, 35 anos, morador de São Paulo. 

Ilustração: Correio Braziliense

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Falar sem dizer nada


Somos muito redundantes. Repetimos, obcecados, as mesmas idéias que já formulamos. Na mesma frase acumulamos informações superpostas, congestionando o trânsito verbal. Empilhamos uma em cima da outra (e seria possível empilhar de outra forma?) as palavras dessa torre de babel. Perdemos tempo (nosso e alheio) empregando demasiado tempo para dizer que o tempo não se pode perder. Acrescentando ao dito o que, não-dito, melhor seria não dizer.

Quando eu chovo, chovo no molhado, o que provoca uma enchente de idéias inúteis. O velho subir para cima. O mais velho ainda descer para baixo. Um escritor anuncia na entrevista: "Estou escrevendo a minha autobiografia." Maior feito literário seria escrever a autobiografia de uma outra pessoa.

O político afirma no discurso: "Não há outra alternativa!" Mau sinal!... Por que mencionar esta outra, uma vez que alternativa significa justamente outra opção? O garçom comunica: "Servimos canja de galinha." A canja só pode ser de galinha, a menos que falte galinha nessa canja. O médico pontifica: "O terçol nos olhos é um problema corriqueiro." Então por que não deixar a palestra para o dia em que o terçol afetar outros órgãos?

A socióloga debate: "O elo de ligação que une essas pessoas..." O historiador observa: "Os faraós do Egito..." O economista analisa: "Os preços aumentaram mais..." A professora interpreta: "O principal protagonista do romance..." O cantor canta: "Detalhes tão pequenos..." Alguém, cansado de tanta redundância, diz: "Precisamos encarar de frente esse problema da redundância!" Se fôssemos encarar de costas seria um senhor torcicolo!

G.P.
Seleções nov/01

quarta-feira, 27 de março de 2013

Coceira contagiosa


Suzana Herculano-Houzel,  neurocientista
e professora da UFRJ.
 
Quase escrevi esta coluna sobre bocejo, mas acabei torcendo o nariz para o artigo que tinha me chamado a atenção --não sem antes bocejar uma boa dezena de vezes só de ler a palavra "bocejo" várias vezes seguidas.

Folheando o meu reservatório de artigos interessantes, deparei-me com um sobre outro comportamento contagioso: a coceira.

E não deu outra: ao final do primeiro parágrafo eu já estava sentindo uma necessidade incrível de coçar a cabeça, o rosto, a coxa, depois a outra perna... Como você, leitor, que já deve estar com alguma coceira pelo corpo.

Por que a coceira é contagiosa? Um grupo do Reino Unido se interessou pela questão e convidou 51 jovens a assistir, de dentro do tubo de um aparelho de ressonância magnética, a vídeos de pessoas coçando o braço ou tamborilando os dedos no braço, sem coçá-lo.

A diferença entre as duas imagens é pequena, mas o efeito é grande: a vontade de se coçar fica em média duas vezes maior após a pessoa ver alguém se coçando.

O cérebro explica. Assistir a alguém se coçando ativa as estruturas principais do "complexo da coceira", que são aquelas estruturas acionadas quando há de fato algo na pele provocando prurido, como histamina: o córtex, que representa as sensações da pele; o córtex pré-motor, que organiza movimentos; e o córtex da ínsula, que representa sensações fisiológicas do corpo. E tudo isso na ausência de qualquer modificação real na pele.

Ou seja: veja alguém se coçar e seu cérebro reagirá como se você de fato precisasse dar uma coçadinha também, com direito à sensação da coceira, ao incômodo associado e à preparação motora. Tudo por pura imitação.

E, quanto mais forte for a ativação do córtex pré-motor, que prepara a ação de se coçar e contém os "neurônios-espelho" que refletem em nosso cérebro as ações alheias, mais forte é a "necessidade" de você também se coçar.

A coceira é ainda mais contagiosa em algumas pessoas. No estudo inglês, a coceira sugestionada de alguns voluntários era até cinco vezes mais forte do que a dos outros. Esses mais sugestionáveis tendem a ser os voluntários com maior grau de neuroticismo, que é a tendência a emoções negativas.

Quanto maior o neuroticismo, maior a ativação do córtex pré-motor e maior a necessidade de se coçar --sem a menor necessidade.

Só mudando de assunto é que a coceira passa. Ainda bem que a coluna acabou!
 
Fonte: Folha de São Paulo 26/3
Foto:  Veja

terça-feira, 26 de março de 2013

Como conservar nossos amigos



 
Crescemos ao lado de alguém, convivemos, tornamo-nos amigos inseparáveis.
Então, um dia, motivos profissionais, familiares ou financeiros, nos remetem a outras paragens, muito distantes dos amigos.
Os anos passam, as tarefas se multiplicam, a vida nos envolve com tantas coisas, e o tempo vai se tornando sempre mais curto para os amigos... Tão distantes.
Por isso, algumas dicas podem ser colocadas em prática, a fim de não se perder essa preciosidade que se chama amizade.
Primeiro: marque encontros.
A freqüência com que você poderá fazer isso dependerá de tempo, distância, finanças e muitos outros fatores.
Contudo, se não for possível sempre, procure estar pessoalmente presente ao menos uma vez por ano.
Segundo: invista na empresa de telefonia.
O telefone pode se tornar uma linha viva de comunicação entre amigos que estão longe um do outro.
Hoje, as companhias telefônicas se esmeram em ofertar ao usuário um preço mais acessível que a concorrente.
Aproveite. E pense em sua conta telefônica como um investimento em sua amizade.
Terceiro: use a tecnologia.
Utilize o fax, o computador para enviar mensagens. Mande e.mails, mas não fique copiando e.mails enormes da internet, mensagens de outros.
Não. Escreva você mesmo, com suas palavras. Isso vale muito mais. Seja breve. Se o seu tempo é precioso, o do amigo também é.
Mensagens retiradas da internet são recebidas às dezenas, duplicadas ou triplicadas. Não têm o mesmo valor.
O seu e.mail será único e é isso que importa para a amizade.
Quarto: envie fotos.
Este é um modo excelente do amigo saber como estamos. Faça cópias de fotos suas, em diferentes lugares, em diversas situações e mande, vez ou outra, aos amigos.
Não esqueça de escrever uma notinha no verso. Reconhecer sua letra será sempre emocionante.
Quinto: passem férias juntos.
Encontrem-se em algum lugar, entre as cidades de vocês. Consulte colônia de férias, hotéis, lugares bons e combinem passar uma semana divertindo-se e renovando a amizade.
Coloquem o papo em dia. Recordem bons momentos e produzam outros tantos para recordar, nos dias de separação que tornarão a acontecer.
Sexto: pelo menos diga “oi”.
Se você estiver muito ocupado, atolado em papéis e obrigações, sem tempo para respirar;
Se acha que não tem condições de escrever ou telefonar, mesmo assim separe cinco minutos para escrever num cartão postal “oi, tudo bem?”.
Ou então, apanhe o telefone e pergunte: “tudo bem, aí? Até depois!”
Mantenha as linhas de comunicação abertas.
Sétimo: ore pelos seus amigos.
A oração estabelece linhas de comunicação invisíveis, ao tempo em que, igualmente, estará rogando a proteção dos céus ao amigo que, por vezes, está passando por situação dolorosa.
Ore sempre e com fidelidade. Recomende seus amigos a Deus, aos bons espíritos.
É possível que você não consiga seguir todos esses itens, mas tente, começando ao menos com um deles.
Porque o único meio de conservar um amigo é ser amigo.
Fonte: Livro - Listas para aquecer o coração
foto: freepik

quinta-feira, 21 de março de 2013

Novamente a liberação do aborto


Médicos defendem abortos até a 12ª semana de gestação

"Defendemos o caminho da autonomia da mulher. Precisávamos dizer ao Senado a nossa posição", diz Roberto D'Ávila, presidente do CFM.O anteprojeto, preparado por uma comissão de advogados e especialistas, propôs a ampliação das situações previstas para o aborto legal.Inclui casos de fetos com anomalias incompatíveis com a vida e o aborto até a 12ª semana da gestação por vontade da mulher --neste caso, desde que médico ou psicólogo constate falta de "condições psicológicas".

 
Morte Silenciosa

Maria Helena Marcon


Todos os dias, enquanto nos hospitais e clínicas particulares inúmeros médicos e enfermeiros lutam pela vida dos seus pacientes, muitas outras vidas são destroçadas.

E suas mortes não constam das manchetes retumbantes, nem nos noticiários da televisão. Passam simplesmente anônimas.

Na verdade, poucos são os que se dão conta de que elas ocorrem. Falamos dos seres que não chegaram a nascer e tiveram suas vidas ceifadas, à semelhança de um hábil agricultor, extirpando de seus canteiros a erva daninha.

Bocas são silenciadas antes de se abrir para os primeiros balbucios. Mãos que poderiam acariciar, braços que se preparavam para as trocas dos carinhos foram simplesmente destruídos. Pernas e pés que ainda não se firmaram para andar, correr, saltar, não o farão jamais.

São embriões e fetos, seres vivos, todos os dias jogados à vala da indiferença.

Sim, são muitos os motivos que levam alguém a abortar o fruto das suas entranhas. Desespero, aflição, ignorância, comodismo, problemas financeiros e familiares.

Nada que o justifique, prosseguindo a ser crime perante a lei divina, que, desde os dias do Decálogo, prescreve não matar.

Percebemos que enquanto crescem os movimentos ecológicos, de alerta ao respeito pela natureza, à terra em que vivemos; enquanto os grupos de apoio à fauna e à flora se multiplicam, poucos são os que se erguem para falar em nome desses pequenos seres que têm suas vidas destruídas, antes de vir à luz.

E são seres humanos, com a única diferença de não possuírem ainda um documento de cidadania.

Quando deixaremos de ser tão insensíveis aos problemas alheios e nos envolveremos, batalhando pela vida?

Quantos de nós sabemos das intenções de abortamento de uma amiga, uma colega de trabalho, parente ou familiar e nada fazemos, com a desculpa de que cada qual é dono de sua própria vida?

Para quem sabe e não esclarece, nada faz por evitar o crime, há também culpa por omissão. Quanta vez a criatura que se decide pelo abortamento, o faz porque não encontrou em seu caminho u’a mão que lhe detivesse a tentativa, uma voz que lhe falasse acerca da vida em geração em seu ventre, como um filho de Deus!

Sempre se constituirá em infanticídio o aborto delituoso, mesmo quando aceito e tornado legal nos estatutos humanos. Um covarde processo de que se utilizam uns tantos para fugir à responsabilidade, incorrendo sempre em grave falta.

Se puderes, luta pela vida desses pequeninos! Se, eventualmente, já cometestes o abortamento alguma vez, volta-te para esses outros pequenos que vivem na terra, ao abandono, e ampara um deles. Doa do teu amor porque, bem poderá acontecer que Deus, em sua infinita misericórdia, dessa forma, te permitirá reencontrar o espírito que te estava destinado para filho do coração.

Jornal Mundo Espírita
foto:freepik
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