sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Enquanto os ventos sopram


Alguns anos atrás, um fazendeiro possuía terras ao longo do litoral do Atlântico. Ele constantemente anunciava estar precisando de empregados.


A maioria de pessoas estava pouco disposta a trabalhar em fazendas ao longo do Atlântico. Temiam as horrorosas tempestades que varriam aquela região, fazendo estragos nas construções e nas plantações.

Procurando por novos empregados, ele recebeu muitas recusas.

Finalmente, um homem baixo e magro, de meia-idade, se aproximou do fazendeiro.

- Você é um bom lavrador? Perguntou o fazendeiro.

- Bem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram - respondeu o pequeno homem.

Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, o empregou. O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer até o anoitecer e o fazendeiro estava satisfeito com o trabalho do homem.

Então, uma noite, o vento uivou ruidosamente. O fazendeiro pulou da cama, agarrou um lampião e correu até o alojamento dos empregados. Sacudiu o pequeno homem e gritou, - Levanta! Uma tempestade está chegando! Amarre as coisas antes que sejam arrastadas!

O pequeno homem virou-se na cama e disse firmemente, - Não senhor. Eu lhe falei, eu posso dormir enquanto os ventos sopram.

Enfurecido pela resposta, o fazendeiro estava tentado a despedi-lo imediatamente. Em vez disso, ele se apressou a sair e preparar o terreno para a tempestade. Do empregado, trataria depois.

Mas, para seu assombro, ele descobriu que todos os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo. As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos nos viveiros, e todas as portas muito bem travadas. As janelas bem fechadas e seguras. Tudo foi amarrado. Nada poderia ser arrastado. O fazendeiro então entendeu o que seu empregado quis dizer, e retornou para sua cama para também dormir enquanto o vento soprava.

O que eu quero dizer com esta história, é que quando se está preparado - espiritual, mental e fisicamente - não tem nada a temer.
Eu lhe pergunto: você pode dormir enquanto os ventos sopram em sua vida?
Espero que você durma bem.

Autoria ignorada
foto:DW-World-DE


sábado, 14 de novembro de 2009

Ai meu pé!



Certa vez, a dor veio visitar a Terra. Vestiu-se de forma adequada e chegou a uma casa pobre. Havia crianças, uma mulher cansada de tantos afazeres e um homem marcado pelas horas de trabalho exaustivo.


A dor gostou do lugar e se aninhou no dedão do pé direito daquele pai de família. Naquele dia, quase noite, ele se recolheu e nem deu muita atenção para a tal da dor porque o cansaço era maior do que ela.

Mal despertou a madrugada o homem acordou, pulou da cama e começou a se preparar para sair.

Não desejando despertar as crianças e a esposa, ele se ergueu no escuro e logo bateu o dedão num brinquedo esquecido no chão.

Ai, disse ele baixinho. Ui, que dor!

Acariciou o dedo dolorido com a mão calosa e enfiou o pé no calçado.

A dor lhe deu uma espetada. Afinal, ela não estava gostando nada de ficar ali, apertada.

O homem, responsável, saiu mancando. O dedo latejava. Ele sentiu a dor diminuir um pouco quando tirou o pé do calçado, no trajeto que fez de ônibus.

Contudo, logo mais chegou ao destino. Calçou o sapato e andou.

Assim foi o dia inteiro. A dor reclamando, o homem sentindo mas dizendo: Eu preciso continuar. Não posso perder este emprego. Meus filhos dependem de mim.

E tudo acontecia. Ora o dedão topava na quina de um móvel, ora o sapato apertava mais, ora...

A noite surpreendeu o homem na labuta, suando, trabalhando. A dor já não aguentava mais.

E, quando ao ir para casa, o dedão topou numa pedra do caminho, foi o fim. A dor ficou muito zangada e disse: Vou embora. Este homem não sabe me tratar bem.

E lá se foi. Perto dali, ela encontrou uma casa muito bonita, confortável e entrou.

Um homem estava largado no sofá da sala, assistindo televisão. A dor gostou de tudo que viu e se instalou no dedão do pé.

Ai, gritou ele. Que coisa esquisita. Que dor terrível!

Já providenciou uma almofada para acomodar o pé. Ao recolher-se para dormir, enfaixou o local e no dia seguinte, fez repouso.

E no outro, e no outro.

A dor adorou aquele tratamento vip e tomou uma resolução: Não saio mais daqui.


fonte: Momento Espírita
foto: folha imagem

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Duas águias, dois destinos



Um bravo índio encontrou um ovo de uma águia. Sabendo que não haveria a mínima possibilidade de devolver o ovo ao ninho da águia, a melhor coisa a fazer foi colocá-lo no ninho de uma galinha. O resultado era previsível. A ave chocou esse ovo de águia, juntamente com os seus próprios ovos, sem nada perceber, pois sabemos que muitos animais, domésticos ou não, não têm capacidade para pensar como seres humanos. Pouco a pouco, a pequena águia foi sendo chocada juntamente com os pintinhos.




Durante toda a sua vida a águia, pensando ser uma galinha, fez o que uma galinha faz. Ela ciscava o pó em busca de sementes e insetos para comer. Cacarejava e grasnava. E voava com um bater de asas tímido, agitando suas penas a poucos metros do chão. Afinal de contas, era assim que as galinhas voavam.



Os anos se passaram. E a águia foi ficando bastante velha. Um dia, ela viu um magnífico pássaro bem lá no alto, voando no lindo céu azul sem nuvens. Pairando com graciosa majestade nas poderosas correntes de vento, ele voava com a mínima batida de suas fortes asas douradas.



- Que belo pássaro!", disse a águia à sua vizinha. O que é ele?



- É uma águia. a mais imponente, poderosa e magnífica das aves, cacarejou a vizinha.



- Mas não fique imaginando coisas. Você jamais poderia ser como ela. Você é como todas nós aqui, e nós somos galinhas.



Assim, prisioneira dessa crença, a águia não pensou mais naquilo. E morreu pensando ser uma simples galinha.

Do livro: As Estações do Coração


********

Um camponês criou um filhotinho de águia junto com suas galinhas. Tratando--a da mesma maneira que tratava as galinhas, de modo que ela pensasse que também era uma galinha. Dando a mesma comida jogada no chão, a mesma água num bebedouro rente ao solo, e fazendo-a ciscar para complementar a alimentação, como se fosse uma galinha. E a águia passou a se portar como se galinha fosse.




Certo dia, passou por sua casa um naturalista, que vendo a águia ciscando no chão, foi falar com o camponês: - Isto não é uma galinha, é uma águia!



O camponês retrucou: - Agora ela não é mais uma águia, agora ela é uma galinha!



O naturalista disse: - Não, uma águia é sempre uma águia, vamos ver uma coisa..



Levou-a para cima da casa do camponês e elevou-a nos braços e disse: - Voa, você é uma águia, assuma sua natureza!



- Mas a águia não voou, e o camponês disse: - Eu não falei que ela agora era uma galinha !



O naturalista disse: - Amanhã, veremos...



No dia seguinte, logo de manhã, eles subiram até o alto de uma montanha.



O naturalista levantou a águia e disse: - Águia, veja este horizonte, veja o sol lá em cima, e os campos verdes lá em baixo, veja, todas estas nuvens podem ser suas.



Desperte para sua natureza, e voe como águia que és...



A águia começou a ver tudo aquilo, e foi ficando maravilhada com a beleza das coisas que nunca tinha visto, ficou um pouco confusa no inicio, sem entender o porquê tinha ficado tanto tempo alienada. Então ela sentiu seu sangue de águia correr nas veias, perfilou, de vagar, suas asas e partiu num vôo lindo, até que desapareceu no horizonte azul.



Criam as pessoas como se galinhas fossem, porém, elas são águias. Por isso, todos podemos voar, se quisermos.



Voe cada vez mais alto, não se contente com os grãos que lhe jogam para ciscar.



Nós somos águias, não temos que agir como galinhas, como querem que a gente seja. Pois com uma mentalidade de galinha fica mais fácil controlar as pessoas, elas abaixam a cabeça para tudo, com medo.



Conduza sua vida de cabeça erguida, respeitando os outros, sim, mas com medo, nunca!

Autor: James Aggrey
Esta história pode ser vista no livro de Leonardo Boff, com o mesmo título: A águia e a galinha.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pequenas joias da poesia





Alba

Não faz mal que amanheça devagar.
as flores não têm pressa nem os frutos;
sabem que a vagareza dos minutos
adoça mais o outono por chegar.
Portanto não faz mal que devagar
o dia vença a noite em seus redutos
de leste - o que nos cabe é ter enxutos
os olhos e a intenção de madrugar.

Geir Campos


Ditirambo


Meu amor me ensinou a ser simples
Como um largo de igreja
Onde não há nem um sino
Nem um lápis
Nem uma sensualidade

                        
Oswald de Andrade



O poema


Um poema como um gole d'água bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequena moeda de prata perdida
para sempre na floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa
condição de poema

Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza


Mário Quintana


Monólogo


Estar atento diante do ignorado,
Reconhecer-se no desconhecido,
Olhar o mundo, o espaço iluminado,
E compreender o que não tem sentido.
Guardar o que não pode ser guardado,
Perder o que não pode ser perdido,
- É preciso ser puro, mas cuidado!
É preciso ser livre, mas sentido!
É preciso paciência, e que impaciência!
É preciso pensar ou esquecer,
E conter a violência, com prudência.
Qual desamada vítima ao querer
Vingar-se, sim, Vingar-se da existência,
E, misteriosamente não poder.

Dante Milano


Ilhas Idílicas

E
estando
me

 faltas
               
Neide Archanjo


ilustração: internet

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Solidão

Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solidão é, na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem.


A necessidade de relacionamento humano, como mecanismo de afirmação pessoal, tem gerado vários distúrbios de comportamento, nas pessoas tímidas, nos indivíduos sensíveis e em todos quantos enfrentam problemas para um intercâmbio de idéias, uma abertura emocional, uma convivência saudável.


Enxameiam, por isso mesmo, na sociedade, os solitários por livre opção e aqueloutros que se consideram marginalizados ou são deixados à distância pelas conveniências dos grupos.


A sociedade competitiva dispõe de pouco tempo para a cordialidade desinteressada, para deter-se em labores a benefício de outrem.


O atropelamento pela oportunidade do triunfo impede que o indivíduo, como unidade essencial do grupo, receba consideração e respeito ou conceda ao próximo este apoio que gostaria de fruir.


A mídia exalta os triunfadores de agora, fazendo o panegírico dos grupos vitoriosos e esquecendo com facilidade os heróis de ontem, ao mesmo tempo que sepulta os valores do idealismo, sob a retumbante cobertura da insensatez e do oportunismo.


O homem, no entanto, sem ideal, mumifica-se. O ideal é-lhe de vital importância, como o ar que respira.


O sucesso social não exige, necessariamente, os valores intelecto-morais, nem o vitalismo das idéias superiores, antes cobra os louros das circunstâncias favoráveis e se apóia na bem urdida promoção de mercado, para vender imagens e ilusões breves, continuamente substituídas, graças à rapidez com que devora as suas estrelas.


Quem, portanto, não se vê projetado no caleidoscópio mágico do mundo fantástico, considera-se fracassado e recua para a solidão, em atitude de fuga de uma realidade mentirosa, trabalhada em estúdios artificiais.


Parece muito importante, no comportamento social, receber e ser recebido, como forma de triunfo, e o medo de não ser lembrado nas rodas bem sucedidas, leva o homem a estados de amarga solidão, de desprezo por si mesmo.


O homem faz questão de ser visto, de estar cercado de bulha, de sorrisos embora sem profundidade afetiva, sem o calor sincero das amizades, nessas áreas, sempre superficiais e interesseiras. O medo de ser deixado em plano secundário, de não ter para onde ir, com quem conversar, significaria ser desconsiderado, atirado à solidão.


Há uma terrível preocupação para ser visto, fotografado, comentando, vendendo saúde, felicidade, mesmo que fictícia.


A conquista desse triunfo e a falta dele produzem solidão.


O irreal, que esconde o caráter legítimo e as lídimas aspirações do ser, conduz à psiconeurose de autodestruição.


A ausência do aplauso amargura, face ao conceito falso em torno do que se considera, habitualmente como triunfo.


Há terrível ânsia para ser-se amado, não para conquistar o amor e amar, porém para ser objeto de prazer, mascarado de afetividade.


Dessa forma, no entanto, a pessoa se desama, não se torna amável nem amada realmente.


Campeia, assim, o “medo da solidão”, numa demonstração caótica de instabilidade emocional do homem, que parece haver perdido o rumo, o equilíbrio.


O silêncio, o isolamento espontâneo são muito saudáveis para o indivíduo, podendo permitir-lhe reflexão, estudo, auto-aprimoramento, revisão de conceitos perante a vida e a paz interior.


O sucesso, decantado como forma de felicidade, é, talvez, um dos maiores responsáveis pela solidão profunda.


Os campeões de bilheteria nos shows, nas rádios, televisões e cinemas, os astros invejados, os reis dos esportes, dos negócios cercam-se de fanáticos e apaixonados, sem que se vejam livres da solidão.


Suicídios espetaculares, quedas escabrosas nos porões dos vícios e dos tóxicos comprovam quanto eles são tristes e solitários. Eles sabem que o amor, com que os cercam, traz, apenas, apelos de promoção pessoal dos mesmos que os envolvem, e receiam os novos competidores que lhes ameaçam os tronos, impondo-lhes terríveis ansiedades e inseguranças, que procuram esconder no álcool, nos estimulantes e nos derivativos que os mantêm sorridentes, quando gostariam de chorar, quão inatingidos, quanto se sentem fracos e humanos.


A neurose da solidão é doença contemporânea, que ameaça o homem distraído pela conquista dos valores de pequena monta, porque transitórios.


Resolvendo-se por afeiçoar-se aos ideais de engrandecimento humano, por contribuir com a hora vazia em favor dos enfermos e idosos, das crianças em abandono e dos animais, sua vida adquiriria cor e utilidade, enriquecendo-se de um companheirismo digno, em cujo interesse alargar-se-ia a esfera dos objetivos que motivam as experiências vivenciais e inoculam coragem para enfrentar-se, aceitando os desafios naturais.


O homem solitário, todo aquele que se diz em solidão, exceto nos casos patológicos, é alguém que se receia encontrar, que evita descobrir-se, conhecer-se, assim ocultando a sua identidade na aparência de infeliz, de incompreendido e abandonado.


A velha conceituação de que todo aquele que tem amigos não passa necessidades, constitui uma forma desonesta de estimar, ocultando o utilitarismo sub-reptício, quando o prazer da afeição em si mesma deve ser a meta a alcançar-se no inter-relacionamento humano, com vista à satisfação de amar.


O medo da solidão, portanto, deve ceder lugar, à confiança nos próprios valores, mesmo que de pequenos conteúdos, porém significativos para quem os possui.


O “amor a Deus” como a mais importante conquista do homem, conclama-o a amar-se, a valorizar-se, a conhecer-se de modo a plenificar-se com o que é e tem, multiplicando esses recursos em implementos de vida eterna, em saudável companheirismo, sem a preocupação de receber resposta equivalente.


O homem solidário, jamais se encontra solitário.


O egoísta, em contrapartida, nunca está solícito, por isto, sempre atormentado.



Extraído de: O homem integral

Joanna de Angelis/Divaldo P. Franco
Ilustração: internet

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Duas éticas

O tipo de mundo em que vivemos é governado em grande medida por sua ética consensual.


No momento, há duas éticas competindo pela primazia da sociedade. Temos a ética tradicional, humana, pró-vida, que considera toda vida humana preciosa por si. Aceita amorosamente e importa-se com todos os seres humanos, sem distinção de tamanho, forma, cor da pele, religião ou auto-suficiência. Supõe que toda vida vale a pena ser vivida.


Segundo essa ética, todos os que vêm a este mundo vêm como parte de nossa família humana. Todos vêm com uma dádiva única e irrepetível. Há, neste mundo, pessoas como Helen Keller, surda e muda, incapaz de se comunicar até “Annie” Sullivan aparecer. Anne Sullivan, só vai atingir a estatura de um ser humano fantástico porque há o desafio de Helen Keller para despertar sua grandeza. Você escala a montanha porque ela está ali. Neste mundo também existem pessoas retardadas e deformadas. Teremos escolas para “crianças excepcionais” e “Jogos Olímpicos Especiais”.

Os velhos senis são tratados com simpatia e compaixão, pois também fazem parte de nossa família e nos motivam a ser amorosos e humanos. A mensagem que os idosos nos deixam é um pedido, um convite e um desafio à nossa capacidade de amar e à nossa tolerância. Quando vencemos este desafio, como músculos que se desenvolvem com o exercício, nossa capacidade societária de amar e interesse mútuo também crescem. Ficamos cada vez mais humanos uns com os outros. O mundo que vive com a ética pró-vida pode não ser tão organizado e limpo, tão livre de sofrimentos quanto o mundo governado pela ética da qualidade de vida, mas é muito mais humano e compassivo, é um mundo mais amoroso.

Texto de The Silent Holocaus
Pesquisa Wikipédia
ilustração: internet



Nesta semana, mais precisamente no dia 20, lembramos a morte de Anne Sullivan em 1936, deficiente física que havia sido quase cega, mas depois de duas operações, recuperou alguns graus da visão.


Tornou-se conhecida no mundo todo por ter sido a professora de Helen Keller, uma adolescente surda-cega a quem ensinou a língua de sinais através do tato.

sábado, 17 de outubro de 2009

A pedra da felicidade

Nos tempos das fadas e bruxas, um moço achou em seu caminho uma pedra que emitia um brilho diferente de todas as que ele já conhecera. Impressionado, decidiu levá-la para casa.

Era uma pedra do tamanho de um limão e pertencia a uma fada, que a perdera por aqueles caminhos, em seu passeio matinal. Era a Pedra da Felicidade e possuía o poder de transformar desejos em realidade.

A fada, ao se dar conta de que havia perdido a pedra, consultou sua fonte de adivinhação e viu o que havia ocorrido. Avaliou o poder mágico da pedra e, como a pessoa que a havia encontrado era um jovem de família pobre e sofredora, concluiu que a pedra poderia ficar em seu poder, despreocupando-se quanto à sua recuperação, decidindo ajudá-lo.

Apareceu ao moço em sonho e disse-lhe que a pedra tinha poderes para atender a três pedidos: um bem material, uma alegria e uma caridade.

Mas, esses benefícios somente poderiam ser utilizados em favor de outras pessoas.

Assim, para atingir o intento, cabia-lhe pensar no pedido e apertar a pedra entre as mãos.

O moço acordou desapontado. Não gostou de saber que os poderes da pedra
somente poderiam ser revertidos em proveito dos outros. Queria que fossem para ele.

Tentou pedir alguma coisa para si, apertando a pedra entre as mãos, sem êxito e
resolveu guardá-la, sem muito interesse em seu uso. Os anos se passaram e este moço tornou-se bem velhinho.

Certo dia, rememorando o seu passado, concluiu que havia levado uma vida infeliz, com muitas dificuldades, privações e dissabores.

Tivera poucos amigos, porém, reconhecia ter sido muito egoísta. Jamais quisera o bem para os outros. Antes, desejava que todos sofressem tanto quanto ele.

Reviu a pedra que guardara consigo durante quase toda a sua existência; lembrou-se do sonho e dos prováveis poderes da pedra e decidiu usá-la, mesmo sendo em proveito dos outros.

Assim, realizou o desejo de uma jovem, disponibilizando-lhe um bem material. Proporcionou uma grande alegria a uma mãe revelando o paradeiro de uma filha há anos desaparecida e, por último, diante de um doente, condoeu-se de
suas feridas, ofertando-lhe a cura.

Ao realizar o terceiro benefício, aconteceu o inesperado: a pedra transformou-se numa nuvem de fumaça e, em meio a esta nuvem, a fada - vista no sonho que tivera logo ao achar a pedra - surgiu, dizendo:

- Usaste a Pedra da Felicidade. O que me pedires, para ti, eu farei. Antes, devias fazer o bem aos outros, para mereceres o atendimento de teu desejo. Por que demoraste tanto tempo em usá-la?

O homem ficou muito triste ao entender o que se passara. Tivera em suas mãos, desde sua juventude, a oportunidade e construir uma vida plena de felicidade, mas, fechado em seu desamor, jamais pensara que fazendo o bem aos outros colheria o bem para si mesmo.

Lamentando o seu passado de dor e seu erro em desprezar os outros, pediu comovido e arrependido:

- Dá-me, tão somente, a felicidade de esquecer o meu passado egoísta.


Melcíades José de Brito

Quando o ser humano entender que todo gesto de amor e bondade que tiver com o próximo será "ele" o verdadeiro beneficiado... tornará a "sua" própria vida mais feliz...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Você aprende



Você Aprende


Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.

E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.

E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam.

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas somos responsáveis por nós mesmos.

Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe onde está indo, qualquer lugar serve.

Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.

Aprende que paciência requer muita prática.

Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.

Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.

E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida !

Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.

William Shakespeare

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A última flor



A décima segunda guerra mundial, como todos sabem, trouxe o colapso da civilização.


Vilas, aldeias e cidades desapareceram da terra. Todos os jardins e todas as florestas foram destruídas. E todas as obras de arte.


Homens, mulheres e crianças tomaram-se inferiores aos animais mais inferiores.


Desanimados e desiludidos, os cães abandonaram os donos decaídos.


Encorajados pela pesarosa condição dos antigos senhores do mundo, os coelhos caíram sobre eles.


Livros, pinturas e música desapareceram da terra e os seres humanos ficavam sem fazer nada, olhando no vazio. Anos e anos se passaram.


Os poucos sobreviventes militares tinham esquecido o que a última guerra havia decidido.


Os rapazes e as moças apenas se olhavam indiferentemente, pois o amor abandonara a terra.


Um dia uma jovem, que nunca tinha visto uma flor, encontrou por acaso a última que havia no mundo. Ela contou aos outros seres humanos que a última flor estava morrendo. O único que prestou atenção foi um rapaz que ela encontrou andando por ali. Juntos, os dois alimentaram a flor e ela começou a viver novamente...


Um dia uma abelha visitou a flor. E um colibri. E logo havia duas flores, e logo quatro, e logo uma porção de flores. Os jardins e as florestas cresceram novamente. A moça começou a se interessar pela própria aparência. O rapaz descobriu que era muito agradável passar a mão na moça. E o amor renasceu para o mundo.


Os seus filhos cresceram saudáveis e fortes e aprenderam a rir e brincar. Os cães retornaram do exílio. Colocando uma pedra em cima de outra pedra, o jovem descobriu como fazer um abrigo. E imediatamente todos começaram a construir abrigos. Vilas, aldeias e cidades surgiram em toda parte. E a canção voltou para o mundo. Surgiram trovadores e malabaristas alfaiates e sapateiros pintores e poetas escultores e ferreiros e soldados e sargentos e tenentes e capitães e coronéis e generais e líderes!


Algumas pessoas tinham ido viver num lugar, outras em outro. Mas logo as que tinham ido viver na planície desejavam ter ido viver na montanha. E os que tinham escolhido a montanha preferiam a planície. Os líderes, sob a inspiração de Deus, puseram fogo ao descontentamento.


E assim o mundo estava novamente em guerra. Desta vez a destruição foi tão completa que absolutamente nada restou no mundo...


Exceto um homem Uma mulher E uma flor.

(História já clássica, de J. Thurber. Extraído da peça “O Homem do Princípio ao Fim” de Millôr Fernandes.) Muitas vezes declamado por de Paulo Autran .

foto: Roselândia

sábado, 10 de outubro de 2009

Cartão vermelho



Recebi um cartão vermelho do meu mano Jorge do blog Nectan taurus – www.nectantaurus.blogspot.com



É só uma brincadeira com as seguintes regras: Cada um deve fazer uma listinha com 10 escolhidos para receber o cartão vermelho.



Pode ser uma pessoa, uma atitude, enfim, tudo aquilo que, de alguma forma, nos incomoda - se quiser e precisar, faça uma justificativa breve. Após isso, passe a bola para mais cinco blogueiros e vamos ver no que dá…
Eu dou cartão VERMELHO para:

políticos corruptos

torcidas organizadas

atraso em compromissos

drogas de qualquer espécie

falsidade

crianças gênios

aumento desproporcional – salários X preços

destruição do meio ambiente

mau trato a pessoas e animais

pessoas que furam fila

Repasso o cartão para os 5 amigos:

Nogueira do blog Nogueira de lei – www.nogueiradelei.Blogspot.com



Letícia do blog Babel ponto com – www.babelpontocom.blogspot.com



Rodrigo do blog Curiosando –
www.curiosando.com.br



Xênia do blog Cuca Super Legal – www.cucasuperlegal.blogspot.com



Guilherme do blog da comunicação –
www.blogdacomunicacao.com.br




Boa diversão!!!!



- Abraços -